4 de fevereiro de 2010
Comemorações do Centenário da República - Uma visão distorcida da História
No dia 31 de Janeiro tiveram início oficialmente as comemorações do Centenário da República, com a participação dos três principais órgãos de soberania, o Presidente da República, o Presidente da Assembleia da República e o Primeiro-Ministro. Estas comemorações estão a causar larga repercussão nos meios políticos, intelectuais e na comunicação social, motivo pelo qual apresento aqui uma reflexão a esse respeito.
Esta data foi escolhida simbolicamente para o início das comemorações do Centenário, pretendendo evocar-se a primeira revolta gorada do movimento revolucionário que teve lugar a 31 de Janeiro de 1891 no Porto, o qual pretendia derrubar a monarquia multissecular fundada por Dom Afonso Henriques em 1143.
Em Janeiro deste ano, por ocasião da apresentação oficial do programa das comemorações do Centenário da República, os responsáveis da Comissão Oficial para as Comemorações apelaram à participação activa dos cidadãos nos múltiplos actos oficiais que irão decorrer até 2011.
A avaliar pela escassa participação popular nas cerimónias do passado dia 31 de Janeiro no Porto, pode desde já antever-se que a adesão popular às referidas comemorações irá ficar certamente muito aquém das expectativas dos seus organizadores.
E é fácil perceber porquê.
Se tiver a curiosidade e a paciência de consultar o programa oficial das comemorações do Centenário da República, aperceber-se-á de imediato que o que está a ser comemorado e exaltado neste centenário é o período da 1ª República, visto não ser feita uma referência pormenorizada ao período que decorreu entre 1926 e 1974, ou seja, período durante o qual vigorou a 2ª República.
De resto, a referência a este período foi hábil e propositadamente omitida dos discursos proferidos no dia 31 de Janeiro no Porto, tanto pelo Comissário para as Comemorações do Centenário, Dr. Artur Santos Silva, como pelo Primeiro-Ministro, e sobretudo pelo Presidente da República.
Goste-se ou não do período durante o qual decorreu a 2ª República, que abrangeu a Ditadura Militar de 1926 a 1933 e o Estado Novo de 1933 a 1974, e independentemente da análise política ou ideológica que possa fazer-se sobre o Estado Novo, a qual não cabe no espaço reduzido desta crónica, fica desde logo claro que os organizadores das comemorações do Centenário omitiram deliberadamente quase cinco décadas da história da República. Uma tal atitude leva-me a afirmar que os portugueses estão a assistir a uma lavagem de um período da História do nosso País.
Esta atitude inaceitável e incompreensível por parte dos responsáveis pelas comemorações oficiais do Centenário e também pelos mais importantes órgãos de soberania da República, deixa desde já antever uma visão redutora do que foi todo o período de cem anos da República, desde 1910 até hoje. Além disso tentará passar-se para a opinião pública portuguesa uma imagem sublimada da República, ou seja, procurar-se-á apresentar o regime político republicano imposto pela força em 1910 contra a vontade popular, como um regime que vinha estabelecer o advento de uma nova era, de liberdade e de fraternidade.
Ora, nada mais distante da verdade histórica, se nos recordarmos que para implantar a República, o movimento revolucionário teve de recorrer à violência mais hedionda e, num acto com uma forte carga simbólica, matou o Rei Dom Carlos e o Príncipe Real Dom Luiz Filipe a 1 de Fevereiro de 1908, há precisamente 102 anos.
Além disso, o regime republicano, imediatamente após a sua implantação, desencadeou uma metódica e inexorável perseguição à Igreja Católica e aos católicos, aos seus costumes e tradições. Ao contrário do que afirmam neste centenário os herdeiros do regime republicano, a República não nasceu como um regime de todos, mas como um regime sectário de poucos contra a maioria dos portugueses.
Como referia o Rev. Pe. Gonçalo Portocarrero Almada no passado dia 1 durante a homilia na Missa na Igreja da Encarnação, em Lisboa, que assinalou o 102º aniversário do Regicídio: “Triste regime o que nasce de mãos assassinas, tingidas com o sangue inocente de dois dos maiores mártires da história de Portugal: El-Rei D. Carlos e o Príncipe Real!” (...) talvez não seja temerário afirmar que o espírito laicista de outrora permanece vivo no regime que, talvez por se identificar tanto com os seus centenários fundadores, se presta a festejá-los com tanta pompa e circunstância, a expensas do exausto erário público. Não obstante as convicções cristãs da grande maioria dos portugueses, insiste-se numa política contrária à mais elementar liberdade, através de medidas que, embora não hostilizando directamente a Igreja Católica, procuram a sua destruição. Não se impede formalmente a acção da Igreja, mas silencia-se a sua voz, atenta-se contra o seu magistério e contra as suas instituições.”
Como aceitar, pois, que um regime que nasceu sob o signo do terror seja comemorado com pompa e circunstância ao fim de 100 anos?
28 de janeiro de 2010
O aproveitamento político do terramoto no Haiti
A reconstrução do Haiti poderá demorar décadas, dadas as enormes carências das infra-estruturas básicas que ficaram destruídas quase por completo em todo o território, sobretudo na capital, Port-au-Prince. Essas carências resultam em grande medida de uma ausência total de planeamento e de implementação de medidas de segurança destinadas às referidas infra-estruturas. Esta situação é agravada ainda pela enorme corrupção que, desde há longos anos, existe entre a classe política e dirigente do Haiti, facto que tem tornando a nação haitiana praticamente ingovernável.
Perante tais circunstâncias, compreende-se facilmente que um cataclismo com as proporções daquele que ocorreu no dia 12 de Janeiro, acabaria por ampliar de forma inevitável as condições já de si extremamente precárias em que vive grande parte da população haitiana.
A morte de mais de 150.000 pessoas, como consequência directa desta catástrofe natural, e as centenas de milhar de desalojados, puseram de imediato a descoberto a existência de enormes problemas de coordenação logística para o esforço de ajuda humanitária e de emergência, não só dentro do Haiti, mas também dos vários países e organizações que prontamente se disponibilizaram para prestar auxílio, quer através do envio de bens, quer de pessoal especializado para essa ajuda humanitária.
A tragédia natural que se abateu sobre este país deve merecer da parte de todos nós, uma atitude de compaixão por todos quantos foram atingidos directamente pela mesma.
Mas…lamentavelmente, e de forma quase invariável, perante situações desta natureza, certos políticos aproveitam cenários de tragédia como o do terramoto do Haiti para obter dividendos, com o intuito de reforçarem a sua imagem perante a opinião pública doméstica e também internacional, pretendendo assim atingir algum prestígio pessoal na cena política mundial.
É este o caso do Presidente Lula da Silva, que no Brasil já foi duramente criticado por alguns sectores políticos e por certos meios de comunicação, por ter disponibilizado de imediato o envio de homens e de bens para o Haiti, não tendo agido da mesma maneira face a recentes catástrofes naturais ocorridas em território brasileiro como no caso do aluimento de terras em Angra dos Reis e das fortes chuvas que já provocaram muitos mortos. Como referia Reinaldo de Azevedo no seu blogue: “como não contrastar a agilidade de Lula em mobilizar recursos em favor do Haiti com a lentidão paquidérmica para assistir os desabrigados das chuvas no Brasil e as famílias dos muitos mortos?”
O que praticamente nenhum meio de comunicação social nacional destacou foi a prontidão com que os Estados Unidos da América implementaram um plano de emergência para auxílio humanitário em território haitiano, sendo que dois dias após o terramoto estavam a enviar para esse efeito 3.500 militares da 82ª Divisão Aerotransportada.
Em face da total ausência de coordenação da ajuda internacional por parte do Governo do Haiti e perante o cenário de destruição de casas, estradas e até da torre de controlo e da pista e do aeroporto de Port-au-Prince, que ficou praticamente inutilizada, era necessário tomar medidas imediatas e concretas para iniciar as operações de resgate com celeridade. Segundo afirmava no dia 14 de Janeiro o porta-voz do Departamento de Estado Philip Crowley: “Assumimos a responsabilidade do controle aéreo. Temos pessoal preparado para ajudar nos descarregamentos….A boa notícia é que agora o aeroporto de Port-au-Prince está a funcionar a tempo integral. No entanto, é pequeno e muito limitado, com apenas uma pista e pouco espaço.”
Antes de terminar, quero realçar o facto de que, face a esta tragédia, a ajuda humanitária a ser desenvolvida pela União Europeia parece ainda não ter passado do papel e da declaração de boas intenções.
Perante uma situação como a que se está a viver no Haiti, é totalmente inaceitável que os países membros da União Europeia não tenham conseguido chegar a um acordo e tomado decisões em tempo recorde sobre medidas urgentes a implementar, o que é bem revelador da gigantesca burocracia existente nas instituições comunitárias, tornando-as assim virtualmente ineficazes perante cenários como este.
21 de janeiro de 2010
A força da Tradição
Segundo relatos fidedignos, no ano de 1809, os exércitos napoleónicos ao entrarem por Chaves em direcção ao Porto, durante a 2ª Invasão, terão passado pelas terras do Couto. Reza a história que perante a ameaça de pilhagens, mortes e violações, as gentes do Couto de Dornelas terão saído às ruas com a imagem de S. Sebastião e implorado a sua protecção para que a sua terra fosse poupada aos abusos dos invasores. Segundo a promessa que então foi feita :“ Se os invasores não entrarem no Couto, faremos todos os anos, dia 20 de Janeiro, uma festa em tua honra onde não faltará comida a toda a gente que a ela vier…”
Pude testemunhar mais uma vez a vitalidade e a fé que impregnam esta festa tão genuinamente popular entre as gentes do Barroso.
Tinha-se a impressão de que as circunstâncias e acontecimentos que há mais de dois séculos deram origem à mesma estavam vivos e frescos na memória de todos os que ali se encontravam. Embora as pessoas com quem me cruzei estejam muito distantes no tempo das gentes que, em 1809, imploraram a protecção de S. Sebastião contra a ameaça do invasor revolucionário, senti-as muito próximas e vivamente identificadas, como se se tivessem conhecido. Ao constatar esse facto, apercebi-me da influência indiscutível e profunda da tradição.
Alguém pode perguntar-se a esta altura, se o elogio que faço a este facto não constitui um mero apego ao passado. Não creio!
Encontrei ali a transmissão, de geração em geração, de um património de valores, uma tradição católica cheia de vida. Aquele povo ali reunido renovava naquele momento o agradecimento à protecção celeste alcançada por S. Sebastião. Mas no desejo da renovação daquele acto encontrava-se igualmente a afirmação dos valores regionais, e do sentimento da independência e soberania.
Hoje constatam-se tendências e projectos políticos que desejam nivelar as autênticas e legítimas diferenças que existem nos povos e não nas massas. Primeiro padronizando dentro das nações todos os modos de ser, de sentir e de exprimir; depois diluindo as diferenças nacionais, de modo a construir artificialmente grandes unidades cosmopolitas.
O projecto europeu foi derivando de uma simples união aduaneira e económica para uma federação que se torna cada vez mais opressora das autênticas e legítimas liberdades populares, das genuínas manifestações dos seus ambientes e costumes, a ponto de há dias um eclesiástico russo ter comparado a União Europeia à extinta União Soviética.
Ontem ao regressar a Couto de Dornelas, e reviver toda essa manifestação autenticamente popular de uma tradição já multissecular, ocorreu-me que é estéril falar de um progresso para o nosso País sem ter em conta as suas tradições profundas. Ignorá-las seria ignorar o sentido do verdadeiro progresso.
O Papa Pio XII numa das suas Alocuções à Nobreza Romana teve palavras que bem sintetizam esta reflexão a propósito da tradição: "Etimologicamente o próprio vocábulo é sinónimo de caminho e de marcha para a frente – sinonímia e não identidade. Com efeito, enquanto o progresso indica somente o facto de caminhar para a frente, passo após passo, procurando com o olhar um incerto porvir, a tradição indica também um caminho para a frente, mas um caminho contínuo, que se desenvolve ao mesmo tempo tranquilo e vivaz, de acordo com as leis da vida. (...) Como indica o seu nome, a tradição é um dom que passa de geração em geração; é a tocha que, a cada revezamento, um corredor põe na mão do outro, e confia-lha sem que a corrida pare ou diminua de velocidade. Tradição e progresso reciprocamente se completam com tanta harmonia que, assim como a tradição sem o progresso se contradiria a si mesmo assim também o progresso sem a tradição seria um empreendimento temerário, um salto no escuro".
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14 de janeiro de 2010
As contradições dos defensores do Aquecimento Global
A sociedade moderna tem uma característica curiosa. As notícias e eventos dão-se a uma velocidade alucinante. Durante dias a fio somos massacrados por algum tema e, uma, duas, ou três semanas depois, fica-se com a impressão de que tudo não passa de uma ténue ocorrência distante no tempo.
Os leitores desta crónica talvez tenham ficado com a impressão de que a Conferência de Copenhaga sobre o clima foi um desses eventos.
Durante vários dias os noticiários centraram-se no acordo climático que era apresentado pelos media como indispensável e urgentíssimo para travar o aquecimento global, ameaça ao planeta.
Mas... há sempre um mas.
Poucas semanas antes de se iniciar a conferência de Copenhaga, uma revelação de grande envergadura, pela gravidade e abundância de documentos, punha a descoberto aquilo que talvez possa considerar-se uma das maiores imposturas de toda a história da Ciência.
Infelizmente boa parte dos media, sobretudo em Portugal, silenciou o chamado "climategate", em grande parte responsável pelo fracasso da conferência sobre o clima em Copenhaga.
Foram tornados públicos milhares de documentos (emails e outros) da Climate Research Unit (CRU), da Universidade de Anglia, Norwich, Reino Unido. A CRU trabalhava em ligação com o Centro de Investigação do Halley Center na elaboração dos índices de temperaturas globais.
O IPCC (o painel climático da ONU) na elaboração dos seus relatórios utiliza essas informações já trabalhadas.
Os documentos tornados públicos revelam a clara intenção de numerosos cientistas de manipularem dados (até curvas de temperaturas) com a finalidade política de sustentarem o mito do "global warming", o aquecimento global.
Reportagens pormenorizadas sobre este escândalo científico foram publicadas pelo Wall Street Journal, pela BBC e os documentos foram colocados à disposição do público na Internet, para poderem ser analisados por quem desejar. Até agora nenhum dos envolvidos nessa manipulação de dados ousou desmentir o conteúdo dos documentos.
A revelação acabou por dar razão aos cientistas conhecidos como "cépticos do clima" que, de há muito e em número cada vez maior, contestam a tese do "aquecimento global", contrapondo dados empíricos às projecções matemáticas dos alarmistas climáticos.
A natureza parece ter decidido corroborar as revelações do "Climategate".
Há poucos dias, em Portugal, caía neve um pouco por todo o país. A vizinha Espanha também foi assolada por grandes nevões, e vários países europeus têm registado nos seus termómetros temperaturas negativas muito acentuadas. O mesmo aconteceu nos EUA, onde até em Miami nevou. Na Ásia o Inverno é o mais rigoroso desde há 60 anos.
O desconcerto pelo forte desmentido da natureza, juntamente com a revelação do “Climategate” é tal, que agora, numa manobra falaciosa, muitos alarmistas decidiram mudar o seu discurso e deixar de falar do "aquecimento global" para falar apenas de mudanças climáticas.
Estas fraudes em grande escala fazem-nos reflectir. Não parecem de modo algum ocasionais. Há interesses, até mesmo ideológicos, em jogo. Voltarei a este tema numa futura crónica.
Agora quero compartilhar com o leitor trechos do artigo de Henrique Raposo no semanário Expresso, intitulado jocosamente: As pantufas de Al Gore. Afirma ele: 1. Esta "estória" do aquecimento global já começa, de facto, a cheirar a esturro. Não era suposto estarmos a assar numa grelha global de CO2? Não só não estamos a assar, como estamos a passar por uma vaga de frio polar. Aliás, dados empíricos confirmam o seguinte: nos últimos anos, as temperaturas baixaram, e, atenção, o gelo polar recuperou terreno.
2. Mas os ambientalistas radicais (são quase todos radicais) continuam a dizer que estão correctos. Dizem que o arrefecimento prova o aquecimento. Devem ter aprendido com o pai Marx: com a bela dialéctica, estão sempre certos. Os ambientalistas são como os velhos gatos marxistas: arranjam sempre maneira para cair de pé. Privilégios de quem domina as artes dialécticas, meus amigos. Como não percebo nada de dialécticas, sejam elas vermelhas ou verdes, já comprei um novo par de pantufas. E atirei fora as minhas havaianas.".
Pessoalmente tenho mais receio dos manipuladores de dados científicos, com finalidades ideológicas, do que das chamadas mudanças climáticas.
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10 de dezembro de 2009
Centros de Reinserção Social ou Comissões Inquisitoriais ao serviço do regime Socialista?
Aproveito a crónica de hoje para abordar um caso que considero, no mínimo, insólito e do qual tive conhecimento através do comentário de um amigo. Trata-se do relato de um interrogatório a que José António Saraiva, director do semanário Sol, foi submetido recentemente e cujo conteúdo nos dá a conhecer no seu blogue pessoal no referido semanário.
Sob o título Kafkiano, José António Saraiva faz um relato pormenorizado de uma convocatória que lhe foi enviada para comparecer no Centro de Reinserção Social da sua área de residência.
À medida que ia lendo a narração dos factos, fui apercebendo-me que no Portugal de hoje, o actual regime socialista parece ter necessidade de condicionar aqueles que se lhe opõem em termos políticos e ideológicos, recorrendo a métodos intimidatórios, um pouco à maneira dos métodos utilizados nas antigas ditaduras do leste da Europa e pouco consentâneos com o funcionamento de regimes democráticos.
Para que o leitor se aperceba com maior realismo ao que me quero referir, passo de seguida a citar e a comentar alguns excertos dos factos narrados por José António Saraiva no seu blogue:
“Há cerca de dois meses chegou a minha casa, via carta registada, uma convocatória do Centro de Reinserção Social da área da minha residência, adiantando que me deveria apresentar na companhia de uma pessoa idónea, de preferência adulta. À partida, portanto, consideravam-me a mim inimputável, precisando de ter alguém credível ao meu lado.”
“Há cerca de dois meses chegou a minha casa, via carta registada, uma convocatória do Centro de Reinserção Social da área da minha residência, adiantando que me deveria apresentar na companhia de uma pessoa idónea, de preferência adulta. À partida, portanto, consideravam-me a mim inimputável, precisando de ter alguém credível ao meu lado.”
Convém recordar aqui que esta convocatória foi feita da parte da Juíza responsável pelo processo cujo julgamento está a decorrer no Tribunal de Oeiras relativo a violações do segredo de Justiça no ‘caso Paulo Pedroso’, em que são arguidos cerca de 20 jornalistas – da SIC, SIC Notícias, TVI, Expresso, Visão, etc.
Segundo palavras de José António Saraiva, a juíza responsável por este caso mandou a Direcção-Geral de Reinserção Social interrogar os arguidos, ou seja, uma completa ilegalidade, pois a referida Direcção-Geral não tem qualquer competência para realizar esse tipo de interrogatórios, de acordo com afirmações da advogada de José António Saraiva.
Mais adiante o director do Sol descreve o local onde foi recebido. Depois de andar para trás e para diante à procura de um edifício de uma repartição pública onde esperava ser recebido, constatou que o local para onde o tinham convocado era uma vivenda sem qualquer aparência de repartição pública.
“Desci uma escada que, certamente projectada para aceder a uma cave sem grande uso, não oferecia grande segurança nem comodidade. (…) Lá em baixo havia uma sala com uma mesa rodeada de cadeiras. Uma senhora mandou-me sentar. Explicou que iam fazer-me um interrogatório no qual deveriam estar presentes duas pessoas, por isso uma colega acompanhá-la-ia.
E, para meu espanto, quando me preparava para começar a responder a perguntas sobre a minha situação financeira, as inquisidoras – aliás de forma cordata e gentil – começaram a interrogar-me como se estivesse na Polícia.”
José António Saraiva relata-nos ainda que ao fim de mais de hora e meia de interrogatório em que foi questionado sobre o que pensava da violação do segredo de Justiça, sobre a Lei de Imprensa, sobre o relacionamento dos jornalistas com as fontes, sobre a presunção de inocência e a preservação do bom nome dos cidadãos, sobre os limites da liberdade de imprensa, foi ainda informado que iria ser interrogado novamente daí a dias e que, posteriormente, teriam de ir a sua casa interrogar amigos e vizinhos.
A descrição do ambiente e dos factos relatados por José António Saraiva faz-me recordar de uma certa maneira alguns métodos utilizados nos Tribunais Revolucionários durante a Revolução Francesa, nos quais se cometiam atropelos e ilegalidades e se tentava condicionar os arguidos, através da criação de ambientes em tudo propícios ao desenvolvimento de um estado de espírito tendente à adopção de medidas intimidatórias.
Estaremos nós, neste início do séc. XXI, a assistir ao ressurgimento de métodos que todos pensávamos já fazerem parte do passado, e à criação de uma espécie de comités revolucionários disfarçados sob a cândida designação de Centros de Reinserção Social, ou seja, algo à maneira de Comissões Inquisitoriais ao serviço do regime Socialista?
29 de outubro de 2009
Polémica no Colégio Militar sobre alegadas agressões a alunos
Segundo o que tem sido veiculado pelos meios de comunicação social, os factos sobre esses alegados actos de violência física que terão sido praticados, acabaram por ir parar à barra dos tribunais aguardando agora pela avaliação e pela decisão da justiça.
Não é meu propósito abordar aqui os factos ocorridos.
O que me parece realmente importante e de interesse, é perceber por que razão se criou de repente um verdadeiro circo mediático, através do qual se está a tentar passar para a sociedade portuguesa uma ideia negativa e exagerada sobre uma prestigiadíssima instituição de ensino como é o Colégio Militar. Através da exacerbação no relato de alguns factos, os meios de comunicação vão alimentando uma polémica que, a meu ver, tem como objectivo principal e único tentar desprestigiar o Colégio Militar. Ou seja, a esquerda radical, através do Bloco de Esquerda, na sua ânsia constante de atacar tudo aquilo que são instituições representativas da Nação e da Identidade Portuguesas, está certamente a querer criar um caso e fomentar uma polémica, através dos meios de comunicação social, pretendendo que a mesma redunde numa campanha de desprestígio do bom-nome de uma das mais prestigiadas instituições de ensino do nosso país. O fim último desta campanha será, a meu ver, a tentativa de enfraquecimento gradual da imagem do Colégio Militar aos olhos da opinião pública. Estamos assim em condições de poder afirmar que este circo mediático teve na sua origem motivações políticas bem claras e alvos bem definidos.
Recordemos os factos. De acordo com uma notícia publicada a 20 de Outubro no Diário de Notícias, sob o título “Bloco de Esquerda quer relatório do Colégio Militar”, podia ler-se afirmação do Deputado Fernando Rosas “O Governo não irá conseguir abafar a situação de tratamentos bárbaros infligidos a alunos do Colégio Militar”. Recorda ainda que “existem actualmente em curso processos a correr no DIAP na sequência das queixas apresentadas por encarregados de Educação.”
No dia 21 de Outubro o Diário de Notícias noticiava ainda que o Ministério Público tinha acusado formalmente oito alunos do Colégio Militar por seis crimes de maus-tratos contra colegas mais novos, que aconteceram no interior daquela instituição de ensino. Os incidentes ocorreram no ano lectivo de 2006/07 e no princípio de 2008.
Como português, atento que estou aos graves casos que se arrastam na Justiça ao longo de vários anos, como é o processo de pedofilia da Casa Pia que não mereceu por parte da Procuradoria Geral da República a consideração de “violência escolar”, fico no mínimo intrigado ao tomar conhecimento da celeridade com que o Ministério Público acusa formalmente um grupo de alunos do Colégio Militar por actos de “violência escolar.”
Fico igualmente perplexo ao constatar que os grandes meios de comunicação social parecem usar dois pesos e duas medidas neste tipo de situações. Com efeito, perante o relato de factos ocorridos em escolas públicas e até nalguns colégios privados, idênticos ou por vezes até mais graves que os factos que terão ocorrido no Colégio Militar, inexplicavelmente não é dada qualquer importância em termos mediáticos.
Ao actuar desta forma, a esquerda radical e alguns dos seus companheiros de viagem, parecem estar determinados em atacar frontalmente o Colégio Militar, uma instituição de excelência, uma Escola de Autênticos Valores onde se forjam uma identidade e uma cultura próprias baseadas no espírito do serviço e na defesa dos autênticos valores nacionais e no orgulho pela História de Portugal.
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15 de outubro de 2009
Centenário da implantação da República
É necessário repor a verdade histórica sobre a forma como foi implantado o Regime Republicano
Ao consultar os conteúdos da página da Comissão Nacional para as comemorações do Centenário da República, o visitante menos informado ou desconhecedor das circunstâncias e da forma como foi implantado o regime republicano em 1910 e o modo como se foi afirmando política e ideologicamente nos anos subsequentes, ficará certamente com a ideia de que o regime que agora se pretende comemorar e exaltar com pompa e solenidade, foi, na sua origem um regime verdadeiramente democrático; ou seja, algo que está totalmente distante daquilo que foi a realidade histórica.
Em minha opinião, a ideia que os responsáveis pelas comemorações oficiais do Centenário da República quererão fazer passar para a opinião pública durante as comemorações, é a de uma república ideal que na realidade nunca existiu.
Felizmente que a facilidade de acesso aos vastíssimos conteúdos actualmente existentes na Internet permite que o visitante interessado e com curiosidade em informar-se sobre outras visões e opiniões acerca do Centenário da República, o faça apenas à distância de um clique.
De entre as muitas páginas que visitei, onde é possível tomar conhecimento de uma visão diametralmente oposta à das comemorações oficiais, destaco em particular a página Centenário da República – vamos fazer história em www.centenariodarepublica.org criada por um grupo de monárquicos que pretendem aproveitar a ocasião das comemorações do Centenário do Regime Republicano para repor a verdade histórica sobre a forma como se implantou e como se afirmou a República.
Pode ler-se no referido site: “A herança política e espiritual que se pretende invocar nas comemorações oficiais, em pouco ou nada se assemelha ao espírito ou à prática do republicanismo português tal como ele nasceu, cresceu e ganhou forças para o assalto ao poder. O programa divulgado até agora prepara-se, sem nos surpreender, para deixar na penumbra os aspectos mais sombrios mas também mais característicos do movimento que trouxe a república a Portugal: a violência nas palavras e nos actos, as perseguições à imprensa, os assassinatos políticos, a obsessão anti-jesuítica, a desvalorização da mulher, vista como o principal suporte do “clericalismo”, a subserviência perante o estrangeiro, o golpismo, o facciosismo e a intriga permanente.”
Gostaria de recordar que quase cem anos volvidos após a implantação da República, existe uma disposição na actual Constituição da República Portuguesa, a alínea b) do artigo 288, segundo a qual é vedada a liberdade ao povo português, a meu ver de forma totalmente antidemocrática, de decidir o seu destino pacificamente, através de um referendo ou de uma transição constitucional.
Se, na próxima revisão Constitucional que terá lugar durante a nova legislatura que irá iniciar-se, os deputados à Assembleia da República continuarem a negar ao Povo Português o direito de optar sobre a forma de regime, o regime republicano contará sempre com uma nota de desprestígio e, ainda que não o deseje, confessará não sentir verdadeiro arraigo popular, de modo a poder enfrentar sem temor a alternativa monárquica.
21 de maio de 2009
O fim das Corridas de Touros?
O objectivo aparente das pessoas que integram esse tipo de organismos consiste na defesa dos direitos dos animais, no caso vertente o cavalo e o touro, pois segundo essas pessoas tanto o cavalo como o touro são injustamente violentados e as corridas de touros constituem espectáculos abomináveis.
A meu ver, esse é um falso argumento, pois estas acções têm um objectivo velado que, em última análise, consiste em tentar acabar com uma longa tradição arraigada no povo português ao longo de gerações e que faz parte da própria cultura portuguesa. Para atingir esses objectivos, contam estas associações, regra geral, com o apoio da generalidade dos média, de modo a tentarem influenciar as mentalidades de amplos sectores da sociedade e também dos responsáveis autárquicos para que, de forma gradual e subtil, se vá proibindo a realização deste espectáculo genuinamente português em várias cidades do território nacional.
Temos um exemplo disto com o que ocorreu no passado mês de Abril na autarquia de maioria socialista de Viana do Castelo que, numa decisão unilateral, decidiu proibir as corridas de touros e declarar Viana do Castelo como cidade anti-touradas, num concelho que tem uma tradição de quase quatro séculos na realização de espectáculos tauromáquicos, desrespeitando assim uma velha tradição local e a vontade da generalidade das populações locais.
O ataque radical que os organismos de defesa dos direitos dos animais fazem às corridas de touros, tentando desse modo influenciar o poder político, tem como alvo não só a Festa Rija, mas também a extinção de uma série de actividades profissionais associadas à mesma e que se foram desenvolvendo e aperfeiçoando ao longo de séculos.
Em última análise, através destas acções está a tentar destruir-se algo que faz parte da nossa identidade nacional.
A meu ver, esta tendência anti-touradas deveria ser contrariada de forma enérgica pelos aficionados e defensores da Festa Rija, bem como por alguns políticos, em defesa da preservação de um espectáculo que encerra em si mesmo um conjunto de riquíssimas tradições nacionais.
Antes de terminar não queria deixar de recordar que hoje ao fim do dia o deputado ao Parlamento Europeu José Ribeiro e Castro será homenageado na Real Tertúlia Tauromáquica D. Miguel I, pelo trabalho que tem vindo a desenvolver em prol das tradições populares nacionais, como a tauromaquia, a par da persistente defesa do Mundo Rural. No Parlamento Europeu, Ribeiro e Castro tem contrariado, junto com outros colegas, os ataques desinformados de sectores radicais visando a imposição de uma proibição das touradas e em violação flagrante do princípio da subsidiariedade.
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