10 de outubro de 2013

O estranho e desconcertante silenciamento dos media à "Caminhada pela Vida"

 Fonte: Agência Ecclesia
  No passado dia 5, a Federação Portuguesa pela Vida promoveu pelo quarto ano consecutivo a “Caminhada pela Vida” que reuniu em Lisboa milhares de pessoas, num percurso entre o Marquês de Pombal e o Rossio, como o atestam centenas de fotografias que têm sido publicadas em blogues e nas redes sociais.

   Este ano, o tema da “Caminhada pela Vida” foi uma iniciativa de cidadãos materializada na petição europeia One of Us - Um de Nós que tem por objectivo obter mais de um milhão de assinaturas para que seja assegurada "protecção jurídica da dignidade, do direito à vida e da integridade de cada ser humano desde a concepção nas áreas de competência da União Europeia nas quais tal protecção se afigure relevante".

   A Iniciativa de Cidadãos é um instrumento legislativo da União Europeia aprovado pelo Tratado de Lisboa que visa aproximar mais os cidadãos das instituições europeias.

   Tal como pode ler-se no site da Federação Portuguesa pela Vida, esta iniciativa da sociedade civil empreendida por cidadãos de Portugal, Espanha, França, Reino Unido, Alemanha, Hungria e de outros estados-membros da União Europeia, e que conta com o apoio de diversas personalidades e organizações dos 27 Estados-membros, visa concretamente pedir aos legisladores europeus para consagrarem os seguintes princípios:

  1- A inclusão do princípio pelo qual "não poderá ser aprovado o financiamento de actividades que destruam embriões humanos ou que pressuponham a sua destruição".

  2- A modificação dos “princípios éticos” em matéria de investigação que regem o Programa Quadro de Investigação e Inovação da UE (2014-2020) “Horizonte 2020”.

  3- A alteração dos objectivos do Instrumento de Financiamento da cooperação ao Desenvolvimento em países externos à UE, garantindo que a ajuda comunitária tenha em conta o respeito pela vida do embrião.

  A propósito do tema de hoje, quero destacar ainda um facto que me parece inexplicável e simultaneamente preocupante.

  Refiro-me ao incompreensível e desconcertante silêncio da grande maioria dos meios de comunicação social de referência, nomeadamente os canais de televisão e os jornais diários que, de forma ostensiva, decidiram não noticiar um evento que congregou nas principais artérias de Lisboa milhares de portugueses na defesa dos valores da Vida e da Família.

  Perante uma tão escandalosa atitude por parte dos media de referência, facto que tem sido duramente criticado nas redes sociais nos últimos dias, até mesmo por alguns jornalistas, penso que é oportuno questionarmo-nos sobre o porquê de tamanho silenciamento.

  Na minha opinião, o silenciamento dos media relativamente a esta "Caminhada pela Vida", ao não a noticiarem, parece ter uma explicação óbvia.

  Ou seja, fica-se com a ideia de que os referidos meios de comunicação social têm uma agenda ideológica, atitude em tudo contrária aos princípios que devem nortear a actividade jornalística, ou seja, a isenção e a independência.

  Ao invés de noticiarem um evento que congregou milhares de pessoas na capital e que, portanto, deveria ter sido notícia, preferiram silenciar ostensivamente uma manifestação da sociedade civil.

  Pode assim deduzir-se que tais meios de comunicação social estão de algum modo a exercer um certo tipo de censura assente única e exclusivamente em preconceitos ideológicos, facto que por si só deve deixar-nos preocupados, uma vez que vivemos formalmente numa Democracia e num Estado de direito.

4 de julho de 2013

A solução da crise política na coligação e a necessidade de antepor os interesses nacionais aos calculismos políticos e partidários

Fonte: tvi.iol.pt 
De há alguns anos a esta parte, tem-se vindo a registar um sentimento de crescente distanciamento de amplos sectores da sociedade portuguesa relativamente à classe política, facto que se tem reflectido no aumento progressivo dos valores da abstenção em actos eleitorais.
Com efeito, o fosso que separa os eleitores daqueles que elegeram para os representar vai sendo cada vez maior, acabando por gerar um sentimento de desconfiança e descrença generalizadas dos cidadãos relativamente à política e aos políticos.
Tal como referi este ano no Discurso pelo Grupo Parlamentar do CDS-PP na Sessão extraordinária da Assembleia Municipal de Vila Real, no dia 25 de Abril, essa atitude embora não sendo desejável, é totalmente compreensível, visto que em muitas ocasiões os cidadãos não se sentem devidamente representados.
Um tal fenómeno, transversal a todo o espectro político, deveria ser objecto de uma séria e profunda reflexão da classe política portuguesa no seu todo, com particular destaque para as estruturas partidárias e respectivas lideranças.
Frequentemente, os portugueses assistem atónitos a episódios de pequena política, a jogadas de bastidores e a guerras partidárias que em nada contribuem para a paz social e para o progresso económico de Portugal. Em muitas ocasiões, esses episódios resumem-se a atitudes de mero calculismo político dos líderes partidários, factos que a opinião pública vai percepcionando cada vez mais como negativos para o país, uma vez que os jogos e interesses partidários, regra geral, prevalecem sobre o interesse nacional, quando deveria ser exactamente o contrário.
A recente crise política, desencadeada com a demissão do Ministro de Estado e das Finanças Vítor Gaspar, e agravada com o inesperado pedido de demissão do também Ministro de Estado e Ministro dos Negócios Estrangeiros, Dr. Paulo Portas, não está a ser bem acolhida pela sociedade portuguesa nem pelas instâncias internacionais responsáveis pelo programa de assistência financeira a Portugal.
Após dois anos de intensos sacrifícios que têm sido pedidos aos portugueses pelo Executivo PSD-CDS-PP e a que os portugueses têm dado uma resposta positiva, por acreditarem que esses sacrifícios são necessários para ajudar a tirar o país do caos financeiro herdado da gestão irresponsável dos Executivos socialistas, nada faria antever que o Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, cuja actuação tem sido determinante e decisiva na diplomacia económica do actual governo de coligação, viesse agora pedir a sua demissão ao Primeiro-Ministro, aparentemente, por divergências políticas relativamente à condução da Dra. Maria Luís Albuquerque como sucessora de Vítor Gaspar na pasta das Finanças.  
A atitude, a meu ver, precipitada do pedido de demissão do Dr. Paulo Portas, desencadeou de imediato um sentimento de desconfiança nos credores internacionais, fazendo disparar os juros da dívida e provocando enormes perdas nas empresas cotadas no PSI-20.
Tal como afirmava ontem à imprensa Filipe Anacoreta Correia: "Esta decisão do doutor Paulo Portas é uma decisão irreflectida, incoerente e totalmente irresponsável” (…) Acho que nós temos que fazer todo o esforço para pôr o país acima do partido e as circunstâncias pessoais de cada um subordinadas ao interesse do partido e ao interesse do país. Foi assim que o doutor Paulo Portas sempre afirmou que faria e é isso que nesta altura nós temos também que fazer". Recordo que Filipe Anacoreta Correia é o primeiro subscritor da Moção “Alternativa e Responsabilidade” a apresentar ao XXV Congresso do CDS-PP que terá lugar nos próximos dias 6 e 7 na Póvoa de Varzim.
A acrescer à recente crise política no seio da coligação no Governo, os portugueses assistem ao líder do Partido Socialista, numa atitude totalmente irresponsável e de calculismo político, a apelar à realização de eleições legislativas antecipadas, sabendo ele que uma tal solução pode conduzir Portugal a uma situação idêntica à da Grécia.
Desenganem-se pois aqueles que ainda acreditam nas palavras falaciosas do líder do PS que, à falta de ideias concretas para o País, tenta iludir os portugueses com promessas vãs que, em resultado do programa de assistência externa, sabe que não poderá cumprir. 

Seria desejável que a crise política no seio da coligação no Governo fosse solucionada com a maior brevidade, de forma responsável e com elevado sentido de Estado, pelos responsáveis dos dois partidos da coligação, a bem dos superiores interesses de Portugal e de todos os portugueses.

29 de junho de 2013

XXV CONGRESSO DO CDS-PP - A hora de assumir uma responsabilidade Histórica e reafirmar com clareza os princípios da Democracia Cristã



   No dia 18 Paulo Portas apresentou à comunicação social a Moção global “Responsabilidade e Identidade”, com a qual irá apresentar-se ao XXV Congresso do CDS-PP nos próximos dias 6 e 7 de Julho na Póvoa de Varzim.
Uma segunda moção virada para as questões económicas, em particular, para os incentivos à economia, tem como primeiro subscritor António Pires de Lima. Segundo dava conta o Diário de Notícias no seu Editorial de dia 17, os alvos desta moção serão Vítor Gaspar e Álvaro Santos Pereira.
Uma terceira moção será apresentada pelos eurodeputados Diogo Feio e Nuno Melo, versando as questões europeias, moção em que a “mira estará apontada à troika” ainda segundo o referido editorial do Diário de Notícias.
De algum modo, estas três moções complementam-se, abordando cada uma aspectos diversos de uma estratégia global para a reeleição de Paulo Portas como líder do CDS-PP.
Há ainda uma quarta moção intitulada “CDS Mais à Frente” que tem como primeiro subscritor Filipe Anacoreta Correia e que foi apresentada no dia 17 à comunicação social.
Filipe Anacoreta Correia lidera a tendência Alternativa e Responsabilidade dentro do CDS-PP.
Entre os vários pontos abordados na referida moção está o tema da natalidade que, inexplicavelmente, parece ter sido omitido nas restantes moções.
 Numa época em que, no nosso País, a natalidade atingiu um dos níveis mais baixos de sempre, pode, de algum modo, estar a ser posta em causa a médio e a longo prazo a continuidade de Portugal como Nação, caso não ocorra uma inversão rápida da tendência de diminuição da natalidade que hoje se verifica.
É pois crucial que este assunto seja debatido com total frontalidade durante os trabalhos do Congresso e que da discussão do mesmo se tirem as devidas ilações.
Em minha opinião, o Congresso deverá fazer aprovar propostas de incentivo imediato ao aumento da natalidade a serem posteriormente apresentadas, no mais breve prazo, ao Executivo PSD-CDS-PP e à maioria Parlamentar que sustenta o Executivo.
Outro ponto da referida moção que aqui quero relevar e que considero de capital importância diz respeito às chamadas questões fracturantes ou civilizacionais, mais concretamente à recente aprovação no Parlamento, no passado mês de Maio, da lei da co-adopção de crianças por pseudo-casais homossexuais.
Como referi no reparo de 23 de Maio é desconcertante verificar que a abstenção de três deputados do CDS-PP, a saber: João Rebelo, Teresa Caeiro e Michael Seufert tenha contribuído para a aprovação do referido projecto-lei na generalidade.
Tal como refere a moção CDS Mais à Frente: “Renunciámos a qualquer iniciativa na agenda civilizacional e quando confrontados com iniciativas de outros partidos, quebrámos com a tradição de falar a uma só voz, sem que isso tenha sido precedido de qualquer debate”.
Recordo ainda o comentário oportuno de Pedro Pestana Bastos, da tendência Alternativa e Responsabilidade, publicado na sua página no Facebook em 17 de Maio: “Portugal foi o primeiro país do mundo que aprovou a adopção por duas pessoas do mesmo sexo quando no Parlamento há uma maioria de centro direita. Enquanto em Franca a Direita levou centenas de milhares de pessoas para a rua, em Portugal a Direita não travou um projecto que passa a permitir a adopção por duas pessoas do mesmo sexo.”
Os militantes do CDS-PP, mas sobretudo os eleitores que votaram de forma expressiva no CDS nas Legislativas de 2011, esperam certamente que no próximo Congresso na Póvoa de Varzim, o Partido, fiel às suas origens, assuma a sua responsabilidade histórica.
E que, de forma inequívoca, reafirme também aquilo que esteve na sua génese, ou seja, a defesa autêntica dos princípios democratas-cristãos e a condenação clara e frontal de todas as doutrinas socialistas que, não raras vezes, são impostas à sociedade, mediante a utilização de uma linguagem talismânica que visa induzir alguns inocentes úteis a acreditar nelas. 

28 de junho de 2013

Protestos no Brasil: O que a imprensa omitiu!

  

  As recentes manifestações de rua em grandes, médias e pequenas cidades do Brasil têm suscitado muitos comentários e análises nos nossos meios de comunicação. Análises, diga-se de passagem, em boa medida simplistas, quando não distorcidas.

  “O Brasil é um país intenso e, quando você pensa que começou a entender, surpresas maiores aparecem”, escreveu a respeito das manifestações Miriam Leitão, uma das mais conhecidas jornalistas brasileiras, na sua coluna no jornal O Globo.

  O aumento do preço dos bilhetes e títulos de transporte de autocarro em algumas cidades foi o detonador dos protestos levados a cabo por grupos minoritários e radicais, com origens nos Fóruns Sociais Mundiais, e ligados a partidos de extrema-esquerda. Sem apoio popular, esses protestos rapidamente degeneraram em actos de violência e confrontos com a polícia.

  Com o início da Taça das Confederações deu-se uma inflexão nos protestos de rua. A Presidente Dilma Rousseff foi fortemente vaiada durante a cerimónia de abertura e a partir de então centenas de milhares de pessoas começaram a sair às ruas, nas principais cidades e capitais brasileiras, com uma agenda bem diversa da agenda dos promotores dos protestos iniciais.

  Exigindo o fim da corrupção, a prisão dos membros do governo Lula já condenados pela Justiça, segurança e políticas de combate ao crime, a redução da maioridade penal e, nalguns casos, protestando contra o aborto, esses protestos revelaram um estado de indignação generalizada da população, mais especialmente da classe média, de tendência conservadora e totalmente avessa à agitação social.

  Sentindo-se fortemente condicionada pela enorme onda de protestos que rapidamente se propagou pelas principais cidades e capitais do Brasil, a Presidente Dilma Rousseff acabou por reagir com o que foi qualificado por uma guinada à esquerda. Dilma abalou os meios políticos ao extravasar as suas prerrogativas e propor a realização de um plebiscito para a convocação de uma Constituinte específica, que consagrasse uma reforma política.

   A manobra, muito semelhante às que foram levadas a cabo pelos governos sul-americanos seguidores do “chavismo”, foi prontamente repudiada pela sociedade, pela oposição e pelos principais constitucionalistas do País. Um Ministro do Supremo Tribunal Federal chegou a afirmar: “o Brasil dormiu como se fosse a Alemanha, Itália, Espanha, ou Portugal em termos de estabilidade institucional e amanheceu parecido com a Bolívia ou a Venezuela; não é razoável ficar flirtando com uma doutrina constitucional bolivariana”, acrescentou ele.

  A presente instabilidade política no Brasil revela um descontentamento de amplas faixas da sociedade com o projecto de poder do PT, Partido dos Trabalhadores, iniciado com Lula da Silva e continuado pela sua sucessora no Palácio do Planalto, Dilma Roussef, e com os numerosos escândalos de corrupção e uma legislação de inspiração esquerdista, cada vez mais cerceadora do direito de propriedade, cada vez mais hostil à instituição familiar e, por isso mesmo, cada vez mais distante dos anseios da opinião pública brasileira.

  Ninguém aposta ainda como irá terminará a actual comoção política no Brasil. Mas, como afirmou a colunista do Globo, Miriam Leitão, no Brasil “surpresas maiores aparecem”. 



21 de março de 2013

TU ÉS PEDRO E SOBRE ESTA PEDRA EDIFICAREI A MINHA IGREJA

Fonte: news.discovery.com / Rosella Lorenzi


 Onde houver dúvida, que eu leve a fé.  
 Onde houver trevas, que eu leve a luz.
                                                             da Oração de São Francisco de Assis  
                                                                 

  No passado dia 13 o mundo católico rejubilou com a eleição do Papa Francisco I como sucessor de Pedro, bispo de Roma e Sumo Pontífice da Igreja Católica.

  Quando ao fim da tarde do segundo dia do Conclave, ante a expectativa de uma multidão reunida na Praça de São Pedro, saiu o tão esperado “fumo branco” da chaminé da Capela Sistina, era o sinal de que o Colégio Cardinalício acabava de eleger um novo Pontífice.

  A partir daquele momento, e até ser anunciado a Roma e ao Mundo Habemus Papam, muitos milhões de católicos questionavam-se sobre quem seria o sucessor do Papa Bento XVI e qual o seu perfil.

 Ao ser conhecido o nome de Jorge Mario Bergoglio, de 76 anos de idade, Arcebispo de Buenos Aires, que agora se tornava no Papa Francisco I, constatou-se mais uma vez, tal como há 8 anos com a eleição de Bento XVI, que as previsões de muitos vaticanistas estavam bem distantes da realidade e não se confirmavam. E, no caso do Papa Francisco I, com o facto acrescido de que o Arcebispo de Buenos Aires não constava da lista dos prováveis “papabili”.

  À eleição e ao anúncio do novo Papa seguiu-se um natural regozijo e entusiasmo das pessoas, acompanhado simultaneamente de alguma expectativa sobre o cunho próprio que Francisco I irá imprimir ao seu Pontificado.

  É importante não esquecer que as circunstâncias que conduziram à realização do Conclave no qual foi eleito o actual Papa, foram tudo menos circunstâncias normais.

  Com efeito, a notícia da renúncia de Bento XVI feita a 11 de Fevereiro foi recebida com enorme surpresa e apreensão pela generalidade dos católicos espalhados pelo mundo, a começar por muitos membros da hierarquia da Igreja.



Estátua de São Pedro na Basílica de São Pedro no Vaticano


  Como referia então Bento XVI: “Dei este passo com plena consciência da sua gravidade e também da sua novidade”.

  É um facto que a renúncia de Bento XVI constituiu uma situação totalmente inesperada para os milhões de católicos espalhados por todo o mundo.

  O Pontificado de Francisco I que agora se inicia será certamente objecto de muitas e das mais variadas análises e comentários, em particular sobre um dos aspectos que, desde já, vai dando sinais claros do cunho próprio que o actual Papa quer imprimir à Igreja, tal como afirmou no primeiro encontro com a imprensa mundial: "Como eu gostaria de uma igreja pobre para os pobres.”

  É de esperar, pois, que alguns sectores mais progressistas da Igreja, nomeadamente os defensores da Teologia da Libertação, tentem apropriar-se desde já desta afirmação do Papa Francisco I e utilizá-la em proveito próprio para justificarem algumas das suas posições.

  Quando analisarmos e comentarmos os vários momentos do actual Pontificado que irão suceder-se, parece-me essencial ter sempre como pano de fundo a renúncia de Bento XVI ocorrida a 28 de Fevereiro. Ou seja, não é possível esquecer a grave situação interna da Igreja herdada pelo actual Papa Francisco I.

  A confirmá-lo estão as palavras do então Pontífice, agora Papa emérito Bento XVI, proferidas antes da sua renúncia, ao realçar que Jesus "denunciou a hipocrisia religiosa”: "o rosto da Igreja é por vezes desfigurado por pecados contra a unidade da Igreja e divisões do corpo eclesiástico”.

  No momento em que se inicia o Pontificado de Francisco I e, ao aproximar-se a Semana Santa, penso que esta é a altura adequada para uma reflexão profunda sobre aquelas  palavras sábias e ao mesmo tempo preocupantes do seu antecessor, Bento XVI.

28 de fevereiro de 2013

"Grândola Vila Morena" utilizada como arma política para tentar calar membros do Governo de Centro-Direita

Fonte: SIC Noticias

Nas últimas semanas, vários membros do actual Governo, entre os quais ministros e Secretários de Estado, e o próprio Primeiro-Ministro, têm sido recebidos em diferentes cidades do país por grupos de jovens que, com atitudes totalmente despropositadas que chegam por vezes a roçar a falta de educação e a insolência, tentam impedir os governantes do uso da palavra, gritando palavras de ordem e cantando a toada já gasta da Grândola Vila Morena, tão do agrado da extrema-esquerda que, no actual contexto político-social, parece ter saudades dos idos tempos de agitação e das greves do Verão de 1975.


Numa primeira reacção às imagens que têm sido difundidas pelas televisões relativamente a tais ocorrências, dir-se-ia que esses grupos agem de forma espontânea. No entanto, a realidade parece ser bem diferente.


Ou seja, percebe-se claramente pelas suas atitudes antidemocráticas e pelo uso dos métodos de agitação a que recorrem, que têm como intuito único e exclusivo impedir que os governantes visados usem da palavra. Pode pois deduzir-se dos factos que esses jovens agem de forma claramente orquestrada e em total consonância com orientações de forças políticas da extrema-esquerda.

  
Sobre este assunto, recomendo-lhe vivamente a leitura da crónica de Henrique Raposo ' O Fascismo do 'Grândola Vila Morena' ", publicada na edição do semanário Expresso de 21 de Fevereiro. Revela a referida crónica uma análise muito lúcida e esclarecedora sobre quem são realmente esses grupos de jovens e quais os seus objectivos.


Afirma Henrique Raposo: Os novos cantadeiros do 'Grândola Vila Morena' dizem que são anti-fascistas. Bom, sobre isso nada sei, mas sei que são bons aprendizes de fascistas. Têm todas as sementes do bicho. Em primeiro lugar, revelam uma total intolerância em relação ao outro lado; há que malhar na "direita" (assim mesmo: a "direita", um bloco compacto, monolítico, desumanizado, desprezível e espezinhável (.... ). “Ela, a intolerância progressista e revolucionária, está aí, anda por aí. Até peço uma coisa: aumentem o volume da violência, continuem a mostrar que não sabem viver em democracia, que não sabem aceitar opiniões contrárias, continuem a ameaçar, continuem a ser fascistazinhos de vão de escada.” 


A terminar deixo uma sugestão aos responsáveis dos média, sobretudo dos canais televisivos. Sejam mais isentos, e mostrem aos portugueses quem são realmente esses grupos de meninos e meninas da esquerda que andam a provocar agitação e a insultar membros do actual Governo, sustentado pela maioria Parlamentar PSD-CDS e legitimamente eleito pelos portugueses em eleições livres e democráticas.




20 de dezembro de 2012

A necessidade de reavivar o verdadeiro espírito do Natal


   A 25 de Dezembro, o mundo Católico celebra um acontecimento crucial da História da Humanidade ao qual nenhum povo ou civilização ficou indiferente ao longo dos últimos vinte séculos.

   Comemora-se na noite de 24 para 25 de Dezembro o Nascimento do Deus Menino em Belém, o Príncipe da Paz, símbolo da união entre os homens e que veio trazer à Terra o espírito da Paz, da Concórdia e da Felicidade entre os povos.

    Ao longo de séculos, o autêntico espírito cristão da entrega ao próximo e da procura do bem comum, infundiu e fez florescer nos mais diversos povos, e de forma especial na Europa, uma série de riquíssimos costumes e tradições carregados de simbolismo, alusivos à quadra do Natal. Esses símbolos e tradições reflectem-se nas mais diversas áreas da existência humana desde a música, a gastronomia, as artes decorativas e, muito especialmente, no hábito secular de fazer o Presépio tanto nas casas como nos espaços públicos. Enfim, um sem-número de formas de celebrar uma data que deveria ser sobretudo evocada pelo seu carácter religioso profundo e, por excelência, o momento do ano para a celebração do verdadeiro espírito de Família.

   No entanto, algumas das sadias e seculares tradições da Quadra Natalícia vão-se perdendo gradualmente, sobretudo em resultado do estilo de vida agitado do mundo contemporâneo em que o sentido religioso do Natal cristão, nalguma medida, se vai perdendo, sendo substituído por um excessivo consumismo que vai conduzindo paulatinamente ao esquecimento daquilo que é a essência do Natal Cristão.

   O laicismo militante que vai sendo imposto às sociedades actuais, vai relegando para um segundo plano a evocação do carácter sagrado de certas festas religiosas católicas nos espaços públicos, remetendo-as para a esfera privada. Esse tem sido um factor determinante para a laicização do mundo contemporâneo, e contribuído simultaneamente para o abandono gradual da vertente sagrada de algumas tradições natalícias.

   A celebração do Nascimento de Cristo, que deveria ser o ponto central de todas as atenções durante a quadra natalícia, mormente em países de antiquíssima tradição católica como é o caso de Portugal, vai dando lugar a um materialismo e um consumismo difusos, a tal ponto que, para muitos dos nossos contemporâneos, o Natal parece reduzir-se à mera troca de lembranças e pouco mais.

   Mas, perante a investida deste laicismo militante que se vai disseminando pela outrora Europa cristã, vão surgindo aqui e ali movimentos de sadia reacção que se reflectem em actos públicos realizados por inúmeras famílias.

   Refiro-me ao movimento que em 2009 foi iniciado em Espanha por um grupo de famílias católicas e que, face à investida de laicização da sociedade, sentiram necessidade de afirmar publicamente a sua fé e, por ocasião do Natal, lançaram uma campanha de divulgação de estandartes com o Menino Jesus para serem colocados em janelas e varandas.

   Essa iniciativa teve uma enorme adesão em Espanha aquando do seu lançamento, de tal modo que muitas famílias portuguesas também aderiram a essa boa iniciativa que continua no presente ano.

   Desde o início do Advento é possível ver, em várias cidades do nosso país, e também em Vila Real, algumas centenas de estandartes de Natal, numa afirmação clara da adesão de muitas famílias cristãs ao espírito religioso e sagrado do Natal.

   Iniciativas como esta são cada vez mais necessárias para fazer renascer o verdadeiro espírito do Natal, ou seja, o Natal cristão.

   Um Santo Natal para si!

  


13 de dezembro de 2012

A Igreja no banco dos réus e a nova Inquisição mediática

    Pe. Gonçalo Portocarreo Almada durante a apresentação do livro
 Auto-de-Fé, na Sociedade Histórica de Independência Nacional

  É patente a crise de valores que, nos dias actuais, vai alastrando de forma generalizada a todo o Ocidente. Um dos reflexos dessa crise são os crescentes ataques à Igreja Católica.

   Com frequência, e a pretexto da ocorrência de certos actos praticados por alguns membros do clero e condenáveis à luz da Doutrina e da moral católica, alguns meios de comunicação, em particular as televisões, relatam tais actos de um modo totalmente desproporcionado e por vezes tendencioso. Desta forma, conseguem incutir na opinião pública, nomeadamente entre muitos católicos, uma ideia de culpa relativamente à Igreja Católica, instituição que moldou a história e a cultura do Ocidente ao longo de 20 séculos, mas que actualmente, vítima dos ataques de que tem sido alvo, está sentada no banco dos réus.

   A este propósito venho recomendar-lhe a leitura de um livro recentemente publicado e intitulado: Auto-de-Fé – A Igreja na Inquisição da opinião pública. Trata-se de uma longa entrevista de Zita Seabra ao Padre Gonçalo Portocarrero de Almada, publicada pela Aletheia Editores.

   É um livro esclarecedor, que nos alerta para uma situação preocupante, ou seja, para a perda de influência da Igreja católica nas sociedades actuais, em grande medida devido à influência do laicismo militante na legislação e nos costumes dos modernos Estados e nas sociedades do Ocidente.

   Deixo-lhe aqui as palavras do Pe. Gonçalo Portocarrero Almada a iniciar o livro e que sintetizam bem o conteúdo do mesmo: “Houve um tempo em que a Igreja depunha os reis que não lhe eram submissos, anatematizava os infiéis e excomungava os hereges. Mas hoje, no início do terceiro milénio da era cristã, é a Igreja que se senta no banco dos réus da nova inquisição: a opinião pública. O Papa, os bispos, os padres, os religiosos e os leigos são constantemente inquiridos sobre as razões da sua fé.” 

   Fica aqui uma sugestão de leitura para reflexão nesta quadra natalícia.