4 de julho de 2013

A solução da crise política na coligação e a necessidade de antepor os interesses nacionais aos calculismos políticos e partidários

Fonte: tvi.iol.pt 
De há alguns anos a esta parte, tem-se vindo a registar um sentimento de crescente distanciamento de amplos sectores da sociedade portuguesa relativamente à classe política, facto que se tem reflectido no aumento progressivo dos valores da abstenção em actos eleitorais.
Com efeito, o fosso que separa os eleitores daqueles que elegeram para os representar vai sendo cada vez maior, acabando por gerar um sentimento de desconfiança e descrença generalizadas dos cidadãos relativamente à política e aos políticos.
Tal como referi este ano no Discurso pelo Grupo Parlamentar do CDS-PP na Sessão extraordinária da Assembleia Municipal de Vila Real, no dia 25 de Abril, essa atitude embora não sendo desejável, é totalmente compreensível, visto que em muitas ocasiões os cidadãos não se sentem devidamente representados.
Um tal fenómeno, transversal a todo o espectro político, deveria ser objecto de uma séria e profunda reflexão da classe política portuguesa no seu todo, com particular destaque para as estruturas partidárias e respectivas lideranças.
Frequentemente, os portugueses assistem atónitos a episódios de pequena política, a jogadas de bastidores e a guerras partidárias que em nada contribuem para a paz social e para o progresso económico de Portugal. Em muitas ocasiões, esses episódios resumem-se a atitudes de mero calculismo político dos líderes partidários, factos que a opinião pública vai percepcionando cada vez mais como negativos para o país, uma vez que os jogos e interesses partidários, regra geral, prevalecem sobre o interesse nacional, quando deveria ser exactamente o contrário.
A recente crise política, desencadeada com a demissão do Ministro de Estado e das Finanças Vítor Gaspar, e agravada com o inesperado pedido de demissão do também Ministro de Estado e Ministro dos Negócios Estrangeiros, Dr. Paulo Portas, não está a ser bem acolhida pela sociedade portuguesa nem pelas instâncias internacionais responsáveis pelo programa de assistência financeira a Portugal.
Após dois anos de intensos sacrifícios que têm sido pedidos aos portugueses pelo Executivo PSD-CDS-PP e a que os portugueses têm dado uma resposta positiva, por acreditarem que esses sacrifícios são necessários para ajudar a tirar o país do caos financeiro herdado da gestão irresponsável dos Executivos socialistas, nada faria antever que o Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, cuja actuação tem sido determinante e decisiva na diplomacia económica do actual governo de coligação, viesse agora pedir a sua demissão ao Primeiro-Ministro, aparentemente, por divergências políticas relativamente à condução da Dra. Maria Luís Albuquerque como sucessora de Vítor Gaspar na pasta das Finanças.  
A atitude, a meu ver, precipitada do pedido de demissão do Dr. Paulo Portas, desencadeou de imediato um sentimento de desconfiança nos credores internacionais, fazendo disparar os juros da dívida e provocando enormes perdas nas empresas cotadas no PSI-20.
Tal como afirmava ontem à imprensa Filipe Anacoreta Correia: "Esta decisão do doutor Paulo Portas é uma decisão irreflectida, incoerente e totalmente irresponsável” (…) Acho que nós temos que fazer todo o esforço para pôr o país acima do partido e as circunstâncias pessoais de cada um subordinadas ao interesse do partido e ao interesse do país. Foi assim que o doutor Paulo Portas sempre afirmou que faria e é isso que nesta altura nós temos também que fazer". Recordo que Filipe Anacoreta Correia é o primeiro subscritor da Moção “Alternativa e Responsabilidade” a apresentar ao XXV Congresso do CDS-PP que terá lugar nos próximos dias 6 e 7 na Póvoa de Varzim.
A acrescer à recente crise política no seio da coligação no Governo, os portugueses assistem ao líder do Partido Socialista, numa atitude totalmente irresponsável e de calculismo político, a apelar à realização de eleições legislativas antecipadas, sabendo ele que uma tal solução pode conduzir Portugal a uma situação idêntica à da Grécia.
Desenganem-se pois aqueles que ainda acreditam nas palavras falaciosas do líder do PS que, à falta de ideias concretas para o País, tenta iludir os portugueses com promessas vãs que, em resultado do programa de assistência externa, sabe que não poderá cumprir. 

Seria desejável que a crise política no seio da coligação no Governo fosse solucionada com a maior brevidade, de forma responsável e com elevado sentido de Estado, pelos responsáveis dos dois partidos da coligação, a bem dos superiores interesses de Portugal e de todos os portugueses.

29 de junho de 2013

XXV CONGRESSO DO CDS-PP - A hora de assumir uma responsabilidade Histórica e reafirmar com clareza os princípios da Democracia Cristã



   No dia 18 Paulo Portas apresentou à comunicação social a Moção global “Responsabilidade e Identidade”, com a qual irá apresentar-se ao XXV Congresso do CDS-PP nos próximos dias 6 e 7 de Julho na Póvoa de Varzim.
Uma segunda moção virada para as questões económicas, em particular, para os incentivos à economia, tem como primeiro subscritor António Pires de Lima. Segundo dava conta o Diário de Notícias no seu Editorial de dia 17, os alvos desta moção serão Vítor Gaspar e Álvaro Santos Pereira.
Uma terceira moção será apresentada pelos eurodeputados Diogo Feio e Nuno Melo, versando as questões europeias, moção em que a “mira estará apontada à troika” ainda segundo o referido editorial do Diário de Notícias.
De algum modo, estas três moções complementam-se, abordando cada uma aspectos diversos de uma estratégia global para a reeleição de Paulo Portas como líder do CDS-PP.
Há ainda uma quarta moção intitulada “CDS Mais à Frente” que tem como primeiro subscritor Filipe Anacoreta Correia e que foi apresentada no dia 17 à comunicação social.
Filipe Anacoreta Correia lidera a tendência Alternativa e Responsabilidade dentro do CDS-PP.
Entre os vários pontos abordados na referida moção está o tema da natalidade que, inexplicavelmente, parece ter sido omitido nas restantes moções.
 Numa época em que, no nosso País, a natalidade atingiu um dos níveis mais baixos de sempre, pode, de algum modo, estar a ser posta em causa a médio e a longo prazo a continuidade de Portugal como Nação, caso não ocorra uma inversão rápida da tendência de diminuição da natalidade que hoje se verifica.
É pois crucial que este assunto seja debatido com total frontalidade durante os trabalhos do Congresso e que da discussão do mesmo se tirem as devidas ilações.
Em minha opinião, o Congresso deverá fazer aprovar propostas de incentivo imediato ao aumento da natalidade a serem posteriormente apresentadas, no mais breve prazo, ao Executivo PSD-CDS-PP e à maioria Parlamentar que sustenta o Executivo.
Outro ponto da referida moção que aqui quero relevar e que considero de capital importância diz respeito às chamadas questões fracturantes ou civilizacionais, mais concretamente à recente aprovação no Parlamento, no passado mês de Maio, da lei da co-adopção de crianças por pseudo-casais homossexuais.
Como referi no reparo de 23 de Maio é desconcertante verificar que a abstenção de três deputados do CDS-PP, a saber: João Rebelo, Teresa Caeiro e Michael Seufert tenha contribuído para a aprovação do referido projecto-lei na generalidade.
Tal como refere a moção CDS Mais à Frente: “Renunciámos a qualquer iniciativa na agenda civilizacional e quando confrontados com iniciativas de outros partidos, quebrámos com a tradição de falar a uma só voz, sem que isso tenha sido precedido de qualquer debate”.
Recordo ainda o comentário oportuno de Pedro Pestana Bastos, da tendência Alternativa e Responsabilidade, publicado na sua página no Facebook em 17 de Maio: “Portugal foi o primeiro país do mundo que aprovou a adopção por duas pessoas do mesmo sexo quando no Parlamento há uma maioria de centro direita. Enquanto em Franca a Direita levou centenas de milhares de pessoas para a rua, em Portugal a Direita não travou um projecto que passa a permitir a adopção por duas pessoas do mesmo sexo.”
Os militantes do CDS-PP, mas sobretudo os eleitores que votaram de forma expressiva no CDS nas Legislativas de 2011, esperam certamente que no próximo Congresso na Póvoa de Varzim, o Partido, fiel às suas origens, assuma a sua responsabilidade histórica.
E que, de forma inequívoca, reafirme também aquilo que esteve na sua génese, ou seja, a defesa autêntica dos princípios democratas-cristãos e a condenação clara e frontal de todas as doutrinas socialistas que, não raras vezes, são impostas à sociedade, mediante a utilização de uma linguagem talismânica que visa induzir alguns inocentes úteis a acreditar nelas. 

28 de junho de 2013

Protestos no Brasil: O que a imprensa omitiu!

  

  As recentes manifestações de rua em grandes, médias e pequenas cidades do Brasil têm suscitado muitos comentários e análises nos nossos meios de comunicação. Análises, diga-se de passagem, em boa medida simplistas, quando não distorcidas.

  “O Brasil é um país intenso e, quando você pensa que começou a entender, surpresas maiores aparecem”, escreveu a respeito das manifestações Miriam Leitão, uma das mais conhecidas jornalistas brasileiras, na sua coluna no jornal O Globo.

  O aumento do preço dos bilhetes e títulos de transporte de autocarro em algumas cidades foi o detonador dos protestos levados a cabo por grupos minoritários e radicais, com origens nos Fóruns Sociais Mundiais, e ligados a partidos de extrema-esquerda. Sem apoio popular, esses protestos rapidamente degeneraram em actos de violência e confrontos com a polícia.

  Com o início da Taça das Confederações deu-se uma inflexão nos protestos de rua. A Presidente Dilma Rousseff foi fortemente vaiada durante a cerimónia de abertura e a partir de então centenas de milhares de pessoas começaram a sair às ruas, nas principais cidades e capitais brasileiras, com uma agenda bem diversa da agenda dos promotores dos protestos iniciais.

  Exigindo o fim da corrupção, a prisão dos membros do governo Lula já condenados pela Justiça, segurança e políticas de combate ao crime, a redução da maioridade penal e, nalguns casos, protestando contra o aborto, esses protestos revelaram um estado de indignação generalizada da população, mais especialmente da classe média, de tendência conservadora e totalmente avessa à agitação social.

  Sentindo-se fortemente condicionada pela enorme onda de protestos que rapidamente se propagou pelas principais cidades e capitais do Brasil, a Presidente Dilma Rousseff acabou por reagir com o que foi qualificado por uma guinada à esquerda. Dilma abalou os meios políticos ao extravasar as suas prerrogativas e propor a realização de um plebiscito para a convocação de uma Constituinte específica, que consagrasse uma reforma política.

   A manobra, muito semelhante às que foram levadas a cabo pelos governos sul-americanos seguidores do “chavismo”, foi prontamente repudiada pela sociedade, pela oposição e pelos principais constitucionalistas do País. Um Ministro do Supremo Tribunal Federal chegou a afirmar: “o Brasil dormiu como se fosse a Alemanha, Itália, Espanha, ou Portugal em termos de estabilidade institucional e amanheceu parecido com a Bolívia ou a Venezuela; não é razoável ficar flirtando com uma doutrina constitucional bolivariana”, acrescentou ele.

  A presente instabilidade política no Brasil revela um descontentamento de amplas faixas da sociedade com o projecto de poder do PT, Partido dos Trabalhadores, iniciado com Lula da Silva e continuado pela sua sucessora no Palácio do Planalto, Dilma Roussef, e com os numerosos escândalos de corrupção e uma legislação de inspiração esquerdista, cada vez mais cerceadora do direito de propriedade, cada vez mais hostil à instituição familiar e, por isso mesmo, cada vez mais distante dos anseios da opinião pública brasileira.

  Ninguém aposta ainda como irá terminará a actual comoção política no Brasil. Mas, como afirmou a colunista do Globo, Miriam Leitão, no Brasil “surpresas maiores aparecem”. 



21 de março de 2013

TU ÉS PEDRO E SOBRE ESTA PEDRA EDIFICAREI A MINHA IGREJA

Fonte: news.discovery.com / Rosella Lorenzi


 Onde houver dúvida, que eu leve a fé.  
 Onde houver trevas, que eu leve a luz.
                                                             da Oração de São Francisco de Assis  
                                                                 

  No passado dia 13 o mundo católico rejubilou com a eleição do Papa Francisco I como sucessor de Pedro, bispo de Roma e Sumo Pontífice da Igreja Católica.

  Quando ao fim da tarde do segundo dia do Conclave, ante a expectativa de uma multidão reunida na Praça de São Pedro, saiu o tão esperado “fumo branco” da chaminé da Capela Sistina, era o sinal de que o Colégio Cardinalício acabava de eleger um novo Pontífice.

  A partir daquele momento, e até ser anunciado a Roma e ao Mundo Habemus Papam, muitos milhões de católicos questionavam-se sobre quem seria o sucessor do Papa Bento XVI e qual o seu perfil.

 Ao ser conhecido o nome de Jorge Mario Bergoglio, de 76 anos de idade, Arcebispo de Buenos Aires, que agora se tornava no Papa Francisco I, constatou-se mais uma vez, tal como há 8 anos com a eleição de Bento XVI, que as previsões de muitos vaticanistas estavam bem distantes da realidade e não se confirmavam. E, no caso do Papa Francisco I, com o facto acrescido de que o Arcebispo de Buenos Aires não constava da lista dos prováveis “papabili”.

  À eleição e ao anúncio do novo Papa seguiu-se um natural regozijo e entusiasmo das pessoas, acompanhado simultaneamente de alguma expectativa sobre o cunho próprio que Francisco I irá imprimir ao seu Pontificado.

  É importante não esquecer que as circunstâncias que conduziram à realização do Conclave no qual foi eleito o actual Papa, foram tudo menos circunstâncias normais.

  Com efeito, a notícia da renúncia de Bento XVI feita a 11 de Fevereiro foi recebida com enorme surpresa e apreensão pela generalidade dos católicos espalhados pelo mundo, a começar por muitos membros da hierarquia da Igreja.



Estátua de São Pedro na Basílica de São Pedro no Vaticano


  Como referia então Bento XVI: “Dei este passo com plena consciência da sua gravidade e também da sua novidade”.

  É um facto que a renúncia de Bento XVI constituiu uma situação totalmente inesperada para os milhões de católicos espalhados por todo o mundo.

  O Pontificado de Francisco I que agora se inicia será certamente objecto de muitas e das mais variadas análises e comentários, em particular sobre um dos aspectos que, desde já, vai dando sinais claros do cunho próprio que o actual Papa quer imprimir à Igreja, tal como afirmou no primeiro encontro com a imprensa mundial: "Como eu gostaria de uma igreja pobre para os pobres.”

  É de esperar, pois, que alguns sectores mais progressistas da Igreja, nomeadamente os defensores da Teologia da Libertação, tentem apropriar-se desde já desta afirmação do Papa Francisco I e utilizá-la em proveito próprio para justificarem algumas das suas posições.

  Quando analisarmos e comentarmos os vários momentos do actual Pontificado que irão suceder-se, parece-me essencial ter sempre como pano de fundo a renúncia de Bento XVI ocorrida a 28 de Fevereiro. Ou seja, não é possível esquecer a grave situação interna da Igreja herdada pelo actual Papa Francisco I.

  A confirmá-lo estão as palavras do então Pontífice, agora Papa emérito Bento XVI, proferidas antes da sua renúncia, ao realçar que Jesus "denunciou a hipocrisia religiosa”: "o rosto da Igreja é por vezes desfigurado por pecados contra a unidade da Igreja e divisões do corpo eclesiástico”.

  No momento em que se inicia o Pontificado de Francisco I e, ao aproximar-se a Semana Santa, penso que esta é a altura adequada para uma reflexão profunda sobre aquelas  palavras sábias e ao mesmo tempo preocupantes do seu antecessor, Bento XVI.

28 de fevereiro de 2013

"Grândola Vila Morena" utilizada como arma política para tentar calar membros do Governo de Centro-Direita

Fonte: SIC Noticias

Nas últimas semanas, vários membros do actual Governo, entre os quais ministros e Secretários de Estado, e o próprio Primeiro-Ministro, têm sido recebidos em diferentes cidades do país por grupos de jovens que, com atitudes totalmente despropositadas que chegam por vezes a roçar a falta de educação e a insolência, tentam impedir os governantes do uso da palavra, gritando palavras de ordem e cantando a toada já gasta da Grândola Vila Morena, tão do agrado da extrema-esquerda que, no actual contexto político-social, parece ter saudades dos idos tempos de agitação e das greves do Verão de 1975.


Numa primeira reacção às imagens que têm sido difundidas pelas televisões relativamente a tais ocorrências, dir-se-ia que esses grupos agem de forma espontânea. No entanto, a realidade parece ser bem diferente.


Ou seja, percebe-se claramente pelas suas atitudes antidemocráticas e pelo uso dos métodos de agitação a que recorrem, que têm como intuito único e exclusivo impedir que os governantes visados usem da palavra. Pode pois deduzir-se dos factos que esses jovens agem de forma claramente orquestrada e em total consonância com orientações de forças políticas da extrema-esquerda.

  
Sobre este assunto, recomendo-lhe vivamente a leitura da crónica de Henrique Raposo ' O Fascismo do 'Grândola Vila Morena' ", publicada na edição do semanário Expresso de 21 de Fevereiro. Revela a referida crónica uma análise muito lúcida e esclarecedora sobre quem são realmente esses grupos de jovens e quais os seus objectivos.


Afirma Henrique Raposo: “Os novos cantadeiros do 'Grândola Vila Morena' dizem que são anti-fascistas. Bom, sobre isso nada sei, mas sei que são bons aprendizes de fascistas. Têm todas as sementes do bicho. Em primeiro lugar, revelam uma total intolerância em relação ao outro lado; há que malhar na "direita" (assim mesmo: a "direita", um bloco compacto, monolítico, desumanizado, desprezível e espezinhável (.... ). “Ela, a intolerância progressista e revolucionária, está aí, anda por aí. Até peço uma coisa: aumentem o volume da violência, continuem a mostrar que não sabem viver em democracia, que não sabem aceitar opiniões contrárias, continuem a ameaçar, continuem a ser fascistazinhos de vão de escada.” 


A terminar deixo uma sugestão aos responsáveis dos média, sobretudo dos canais televisivos. Sejam mais isentos, e mostrem aos portugueses quem são realmente esses grupos de meninos e meninas da esquerda que andam a provocar agitação e a insultar membros do actual Governo, sustentado pela maioria Parlamentar PSD-CDS e legitimamente eleito pelos portugueses em eleições livres e democráticas.




20 de dezembro de 2012

A necessidade de reavivar o verdadeiro espírito do Natal


   A 25 de Dezembro, o mundo Católico celebra um acontecimento crucial da História da Humanidade ao qual nenhum povo ou civilização ficou indiferente ao longo dos últimos vinte séculos.

   Comemora-se na noite de 24 para 25 de Dezembro o Nascimento do Deus Menino em Belém, o Príncipe da Paz, símbolo da união entre os homens e que veio trazer à Terra o espírito da Paz, da Concórdia e da Felicidade entre os povos.

    Ao longo de séculos, o autêntico espírito cristão da entrega ao próximo e da procura do bem comum, infundiu e fez florescer nos mais diversos povos, e de forma especial na Europa, uma série de riquíssimos costumes e tradições carregados de simbolismo, alusivos à quadra do Natal. Esses símbolos e tradições reflectem-se nas mais diversas áreas da existência humana desde a música, a gastronomia, as artes decorativas e, muito especialmente, no hábito secular de fazer o Presépio tanto nas casas como nos espaços públicos. Enfim, um sem-número de formas de celebrar uma data que deveria ser sobretudo evocada pelo seu carácter religioso profundo e, por excelência, o momento do ano para a celebração do verdadeiro espírito de Família.

   No entanto, algumas das sadias e seculares tradições da Quadra Natalícia vão-se perdendo gradualmente, sobretudo em resultado do estilo de vida agitado do mundo contemporâneo em que o sentido religioso do Natal cristão, nalguma medida, se vai perdendo, sendo substituído por um excessivo consumismo que vai conduzindo paulatinamente ao esquecimento daquilo que é a essência do Natal Cristão.

   O laicismo militante que vai sendo imposto às sociedades actuais, vai relegando para um segundo plano a evocação do carácter sagrado de certas festas religiosas católicas nos espaços públicos, remetendo-as para a esfera privada. Esse tem sido um factor determinante para a laicização do mundo contemporâneo, e contribuído simultaneamente para o abandono gradual da vertente sagrada de algumas tradições natalícias.

   A celebração do Nascimento de Cristo, que deveria ser o ponto central de todas as atenções durante a quadra natalícia, mormente em países de antiquíssima tradição católica como é o caso de Portugal, vai dando lugar a um materialismo e um consumismo difusos, a tal ponto que, para muitos dos nossos contemporâneos, o Natal parece reduzir-se à mera troca de lembranças e pouco mais.

   Mas, perante a investida deste laicismo militante que se vai disseminando pela outrora Europa cristã, vão surgindo aqui e ali movimentos de sadia reacção que se reflectem em actos públicos realizados por inúmeras famílias.

   Refiro-me ao movimento que em 2009 foi iniciado em Espanha por um grupo de famílias católicas e que, face à investida de laicização da sociedade, sentiram necessidade de afirmar publicamente a sua fé e, por ocasião do Natal, lançaram uma campanha de divulgação de estandartes com o Menino Jesus para serem colocados em janelas e varandas.

   Essa iniciativa teve uma enorme adesão em Espanha aquando do seu lançamento, de tal modo que muitas famílias portuguesas também aderiram a essa boa iniciativa que continua no presente ano.

   Desde o início do Advento é possível ver, em várias cidades do nosso país, e também em Vila Real, algumas centenas de estandartes de Natal, numa afirmação clara da adesão de muitas famílias cristãs ao espírito religioso e sagrado do Natal.

   Iniciativas como esta são cada vez mais necessárias para fazer renascer o verdadeiro espírito do Natal, ou seja, o Natal cristão.

   Um Santo Natal para si!

  


13 de dezembro de 2012

A Igreja no banco dos réus e a nova Inquisição mediática

    Pe. Gonçalo Portocarreo Almada durante a apresentação do livro
 Auto-de-Fé, na Sociedade Histórica de Independência Nacional

  É patente a crise de valores que, nos dias actuais, vai alastrando de forma generalizada a todo o Ocidente. Um dos reflexos dessa crise são os crescentes ataques à Igreja Católica.

   Com frequência, e a pretexto da ocorrência de certos actos praticados por alguns membros do clero e condenáveis à luz da Doutrina e da moral católica, alguns meios de comunicação, em particular as televisões, relatam tais actos de um modo totalmente desproporcionado e por vezes tendencioso. Desta forma, conseguem incutir na opinião pública, nomeadamente entre muitos católicos, uma ideia de culpa relativamente à Igreja Católica, instituição que moldou a história e a cultura do Ocidente ao longo de 20 séculos, mas que actualmente, vítima dos ataques de que tem sido alvo, está sentada no banco dos réus.

   A este propósito venho recomendar-lhe a leitura de um livro recentemente publicado e intitulado: Auto-de-Fé – A Igreja na Inquisição da opinião pública. Trata-se de uma longa entrevista de Zita Seabra ao Padre Gonçalo Portocarrero de Almada, publicada pela Aletheia Editores.

   É um livro esclarecedor, que nos alerta para uma situação preocupante, ou seja, para a perda de influência da Igreja católica nas sociedades actuais, em grande medida devido à influência do laicismo militante na legislação e nos costumes dos modernos Estados e nas sociedades do Ocidente.

   Deixo-lhe aqui as palavras do Pe. Gonçalo Portocarrero Almada a iniciar o livro e que sintetizam bem o conteúdo do mesmo: “Houve um tempo em que a Igreja depunha os reis que não lhe eram submissos, anatematizava os infiéis e excomungava os hereges. Mas hoje, no início do terceiro milénio da era cristã, é a Igreja que se senta no banco dos réus da nova inquisição: a opinião pública. O Papa, os bispos, os padres, os religiosos e os leigos são constantemente inquiridos sobre as razões da sua fé.” 

   Fica aqui uma sugestão de leitura para reflexão nesta quadra natalícia.

22 de novembro de 2012

AS DECLARAÇÕES DE ISABEL JONET À SIC E OS PRECONCEITOS IDEOLÓGICOS DA ESQUERDA

  
  Nos próximos dias 1 e 2 de Dezembro terá lugar, uma vez mais, em várias cidades do país a campanha anual do Banco Alimentar contra a fome. Esta iniciativa decorre há 20 anos, graças à determinação e à iniciativa de Isabel Jonet, Presidente dos 19 Bancos Alimentares integrados por inúmeros voluntários e que, diariamente, distribuem por todo o país mais de 100 toneladas de alimentos para fazer chegar às pessoas mais carenciadas bens de primeira necessidade.

  Numa entrevista concedida por Isabel Jonet à SIC Notícias, no dia 6 de Novembro, que teve como tema de fundo a acção dos Bancos Alimentares, e onde foi abordado o momento de emergência social que se vive actualmente em Portugal e o enorme ajustamento económico a que o país está sujeito, a Presidente daquela instituição realçou a necessidade de Portugal se libertar da omnipresença do Estado na sociedade. Ou seja, a necessidade de grande parte das empresas portuguesas deixar de viver dependente das garantias dadas pelo Estado para a realização dos seus negócios, situação que, em última análise, acaba por não ser boa nem para a sociedade nem para a economia, uma vez que não é geradora de riqueza.

  A determinada altura da entrevista, a Presidente do Banco Alimentar afirmou: “Temos de aprender a viver mais pobres.”  Com esta afirmação, não era certamente intenção de Isabel Jonet transmitir a ideia de que os portugueses têm de viver pobres. Ela queria tão-somente referir-se à necessidade de os portugueses se habituarem a viver nos próximos anos com mais parcimónia, aprendendo a dar mais valor ao dinheiro ganho e a evitarem o desperdício.

  Ora, uma tal afirmação feita certamente sem segundas intenções, foi o suficiente para desencadear um coro de protestos em vários sectores da esquerda que rapidamente se apressaram em espalhá-la pelas redes sociais, deturpando o seu sentido, tentando com isso ridicularizar Isabel Jonet e acusando-a de fazer caridadezinha, acabando, em última análise, por desencadear uma campanha pessoal contra a Presidente do Banco Alimentar. Ao fazê-lo acusaram-na de insensibilidade social, e houve até pessoas que chegaram a pedir a sua demissão daquela instituição.

  O coro de protestos da esquerda contra as palavras proferidas por Isabel Jonet foi de tal forma amplificado pelos media, que se chegou ao ponto de, numa atitude claramente fundamentalista, incitar as pessoas a não contribuírem este ano com donativos para a campanha do Banco Alimentar.

  A este propósito, é oportuno recordar o excerto de um texto de Isabel Jonet, publicado no passado dia 20 na página do FB na comunidade Isabel Jonet, 20 anos a alimentar Portugal: “As considerações teórico-politico-filosóficas são absolutamente inúteis se em nada servirem para colmatar o problema de que aqui se trata: a fome… temos de ter sempre presente a ideia de bem-comum [….] “Para aqueles que dantes contribuíam para o Banco Alimentar e que agora se propõem a não dar nada, peço que façam o exercício de saber separar a pessoa da instituição, são coisas diferentes. Não me parece que faça muito sentido, deixar de ajudar por 6 minutos de discurso; as pessoas que passavam fome, continuam a passar, e continuam a precisar de ajuda.” 

  No presente momento de ajustamento económico que Portugal está a viver, a acção de instituições como o Banco Alimentar é crucial para alguns sectores da sociedade mais carenciados. Perante tal situação, considero que o incitamento radical e fundamentalista de alguns sectores da esquerda, com base em preconceitos meramente ideológicos, para que os portugueses não contribuam com donativos para a campanha do Banco Alimentar, revela, isso sim, uma atitude de total insensibilidade social para com as pessoas mais necessitadas, em última análise uma atitude que procura obter única e exclusivamente dividendos políticos.

   É fundamental que os portugueses continuem a apoiar esta iniciativa louvável que já tem duas décadas de existência e não se deixem influenciar pelas vozes sedutoras daqueles que, de uma maneira fácil e irresponsável, incitam continuamente à revolta e à agitação e pouco se preocupam com as pessoas mais carenciadas.