11 de outubro de 2012

Os transportes urbanos de Vila Real e a necessidade de rigor e transparência da Câmara Municipal de Vila Real

Hoje, dou-lhe conta da polémica que surgiu recentemente em Vila Real, em torno da concessão dos transportes urbanos por mais 20 anos à empresa Corgobus.


Em recente conferência de imprensa sobre este assunto, o CDS-PP de Vila Real alertou para o facto de a maioria do PSD na Assembleia Municipal ter dado aval à proposta do Executivo Municipal para a referida concessão, sem que para tal seja aberto um concurso público internacional.

Em minha opinião, a decisão da maioria PSD que suporta a proposta do Executivo camarário, de não abrir um concurso público, é no mínimo estranha, deixando passar para os munícipes a ideia de se estar a privilegiar uma empresa em detrimento de outras.

Tal como referiu o CDS-PP na conferência de imprensa, e cito: “O alerta e o voto contra do CDS-PP assentam em dois pontos fundamentais: o primeiro que remete para o não cumprimento do caderno de encargos colocado a concurso público em 2004, e o segundo que não salvaguarda a nível do futuro, os interesses dos munícipes.”

 

Um dos pontos que também quero realçar na tomada de posição do CDS-PP é o incumprimento de um dos pressupostos do contrato de concessão ainda em vigor e que diz respeito à utilização de veículos novos que permitam o transporte dos cidadãos portadores de deficiência. Ora, tais veículos não estão a ser utilizados pela empresa concessionária.

De forma inexplicável, a proposta do Executivo Municipal é pouco clara, também no que se refere ao combustível a ser utilizado pelos veículos dos transportes urbanos. Ou seja, a proposta não considera a possibilidade de utilização de combustíveis alternativos, nomeadamente do gás natural que é mais barato e menos poluente que o gasóleo, sendo que em Portugal e na Europa se está a apostar fortemente na utilização do gás natural nos transportes públicos.

Acresce ainda o facto de a utilização deste combustível permitir uma redução de 50% na subvenção anual do Município à Corgobus, o que resultaria numa poupança total de 4 milhões de euros para a concessão prevista durante mais 20 anos à empresa Corgobus.

Por que motivo abdica o Executivo Municipal da poupança de um montante tão elevado na subvenção à Corgobus?

Na actual situação de emergência nacional, em que a maioria dos portugueses está a passar por um período particularmente difícil das suas vidas, sendo-lhes exigido grandes sacrifícios durante os próximos anos, é para mim inexplicável e desconcertante verificar que o Executivo Municipal não seja o primeiro a dar o exemplo de transparência incontestável e inequívoca nas suas propostas, deixando, pelo contrário, ficar a pairar a ideia de que pode estar a haver favorecimentos no que diz respeito à concessão dos transportes urbanos.

Fica-se com a ideia de que, uma tal atitude do Executivo Municipal não será provavelmente bem acolhida aos olhos da opinião pública em geral, e dos munícipes de Vila Real em particular, numa altura em que os portugueses exigem dos políticos um rigor e uma transparência cada vez maiores no cumprimento das suas propostas políticas e da utilização dos dinheiros públicos.

31 de julho de 2012

Barca Velha - 'uma das glórias do Douro é obra de génio e uma obra de cultura'

Fonte: wook.pt
  
  Aproveito a ocasião deste último reparo antes de regressar em Setembro para recomendar-lhe para leitura de férias o livro Barca Velha - Histórias de um vinho, publicado em Maio deste ano e editado pela Oficina do Livro.

   Ao assinalar-se em 2012 o 60º aniversário da primeira colheita declarada Barca Velha em 1952, Ana Sofia Fonseca, autora da obra Barca Velha - Histórias de um vinho, conduz o leitor com a sua escrita agradável e fluente, mas simultaneamente intimista, até ao mundo do famoso e lendário vinho Barca Velha criado pela vontade, pela determinação e pelo génio de um homem: Fernando Nicolau de Almeida.

   Com base numa pesquisa jornalística minuciosa realizada em finais de 2003 e 2004 e em 2010 e 2011, e também fruto do precioso contributo de muitos testemunhos, a autora conta-nos as “histórias que fazem a história do Barca Velha”.

   Transportando-nos até ao século XIX, ela relata-nos as origens remotas do Barca Velha na Quinta do Vale Meão, criada pela determinação e tenacidade de D. Antónia Adelaide Ferreira, a Ferreirinha que arrematou baldios do Monte Meão, no concelho de Foz Côa em 1877 e dez anos mais tarde iniciou o cultivo de vinhas na Quinta do Vale Meão.

   A propósito deste lendário vinho que é declarado em anos realmente excepcionais, razão pela qual nos últimos 60 anos saíram apenas 17 colheitas Barca Velha, Francisco José Viegas refere-se-lhe com respeito e admiração como se pode depreender das suas palavras no prefácio da obra:  “ O Barca Velha faz parte daquilo que o Douro não pode dispensar. Mais do que isso: é uma das glórias do Douro, só possível com essa contribuição de homens como os Nicolau de Almeida, os Soares Franco – a eles devemos a construção de uma mitologia danada, inscrita nas águas do rio dos milagres e nas tentações de quem ama verdadeiramente o seu ofício. (…) O Barca Velha, com o seu rasto de afrontas ao país pequenino e vulgar (ultrapassando-o, humilhando-o, e à sua mediocridade), é obra de génio ( …) Na sua história está a história de uma paixão pelo vinho e de uma obra de cultura (…)    A nossa alma tem uma enorme dívida de gratidão para com os seus criadores”.

   Boa leitura e boas férias!

19 de julho de 2012

D. Januário Torgal Ferreira e as desconcertantes e polémicas declarações à TVI

   
   “O Governo é profundamente corrupto”; “Eu não acredito nestes tipos, em alguns destes tipos, porque lutam pelos seus interesses, têm o seu gangue, têm o seu clube e pressionam a comunicação social”; “O anterior Governo, que foi tão atacado, era composto por um conjunto de anjos, ao pé destes diabinhos negros que acabam de aparecer”.

   Depois de ouvir estas polémicas afirmações, transcritas do sítio PT Jornal, Plataforma de Comunicação, o ouvinte pensará certamente que as mesmas terão sido proferidas por algum socialista ou até mesmo por um comunista indignado com certas medidas do actual governo PSD-CDS.

   Talvez fique estupefacto se lhe disser que foram proferidas por D. Januário Torgal Ferreira, actual Bispo das Forças Armadas.

   Reputo de indecorosa a linguagem utilizada pelo Bispo das Forças Armadas em entrevista ao programa Política Mesmo da TVI, na passada terça-feira dia 17.

   É necessário ter em consideração que as afirmações de D. Januário Torgal Ferreira, para além de serem caluniosas, foram proferidas por alguém que pertence à Hierarquia da Igreja Católica. De um alto representante da Hierarquia da Igreja espera-se sempre que utilize decoro na linguagem, o que infelizmente não foi o caso nesta entrevista. A linguagem utilizada por D. Januário Torgal Ferreira, para além de indecorosa foi pouco consentânea com a posição ocupada por um prelado da Igreja.

  Foi com enorme espanto que constatei que D. Januário Torgal Ferreira, ao proferir um violento ataque verbal à actual governação PSD-CDS-PP e ao acusar o Governo de corrupto, chegando a compará-lo com o Estado Novo de Salazar, pretendeu claramente desculpabilizar os anteriores governos socialistas de José Sócrates ao afirmar: “O anterior Governo, que foi tão atacado, era composto por um conjunto de anjos, ao pé destes diabinhos negros que acabam de aparecer.”

   É muito sintomático que os portugueses não tenham assistido a idêntica postura deste prelado da Igreja aquando dos graves escândalos políticos e económicos dos dois últimos governos socialistas e à situação de bancarrota a que José Sócrates e os seus governos conduziram o país.

   Será que D. Januário Torgal Ferreira andava distraído quando tais escândalos ocorreram? E que leitura faz desses escândalos?

  E onde estava a voz da indignação de D. Januário Torgal Ferreira aquando da discussão e aprovação das leis socialistas contra a Família, como a lei do aborto e do pseudo-casamento homossexual, durante a governação de José Sócrates?

   Numa altura em que muitos católicos e a maioria dos portugueses precisavam de ouvir uma posição clara do Episcopado relativamente à discussão e aprovação de tais medidas, não me recordo de ter ouvido declarações reveladoras de uma posição firme e enérgica por parte de D. Januário Torgal Ferreira perante o conjunto de leis anti-Família que estavam a ser discutidas.

   Onde estava a voz de alerta do Bispo das Forças Armadas aos católicos perante a iniquidade das referidas leis?

   Que desconcertante e enigmática atitude, a que foi assumida por D. Januário Torgal Ferreira na entrevista dada à TVI ao intrometer-se em questões do foro político-ideológico que, em bom rigor, não competem a um bispo da Igreja Católica.

   Cada vez vai ficando mais clara, para muitos católicos e para os portugueses, a colagem de D. Januário Torgal Ferreira a posições ideológicas da esquerda e a sua intromissão em questões do foro político-ideológico, sobretudo quando se trata de dirigir invectivas contra membros de um governo de Centro Direita eleito democraticamente.

   Para D. Januário Torgal Ferreira o respeito pelo princípio dos governos eleitos democraticamente parece aplicar-se apenas aos governos oriundos da esquerda.

   A terminar quero expressar também a minha apreensão pela posição da Conferência Episcopal Portuguesa relativamente às afirmações de D. Januário Torgal Ferreira, através das declarações do seu porta-voz, o padre Manuel Morujão, à agência Lusa, que se limitou a afirmar: «São declarações a nível individual. Não está expresso o entendimento da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP)».

   Face ao grave teor das polémicas acusações proferidas por D. Januário Torgal Ferreira contra o actual Governo de Portugal e à linguagem pouco decorosa por ele utilizada na entrevista à TVI, seria de esperar uma posição mais firme e enérgica por parte da Conferência Episcopal e não uma mera demarcação, ou por outras palavras, um lavar as mãos como Pilatos face ao conteúdo das gravíssimas declarações proferidas pelo Bispo das Forças Armadas.

17 de maio de 2012

3ª CAMINHADA PELA VIDA - Em defesa dos autênticos valores da Família


No próximo sábado, dia 19, irá decorrer em Lisboa a 3ª Caminhada pela Vida, organizada pela Federação Portuguesa pela Vida. Para além deste movimento, também irão marcar presença vários organismos nacionais e estrangeiros de defesa da Vida, à semelhança do que aconteceu na recente Caminhada pela Vida realizada em Roma, que contou com a participação de inúmeros organismos de defesa da Vida de vários países e foi coroada de um enorme êxito.
Esta 3ª Caminhada pela Vida realiza-se num momento de uma certa apatia da sociedade portuguesa que parece atingir sobretudo o sector conservador.
Em minha opinião, é precisamente a esse sector que cabe assumir, em primeiro lugar, posições enérgicas e categóricas contra os ataques que desde há longa data, e com particular destaque, nos últimos 7 anos, foram desencadeados contra a instituição familiar.
Com efeito, durante os dois governos de José Sócrates, o Partido Socialista aliando-se à agenda radical do Bloco de Esquerda fez aprovar legislação que visa minar os alicerces da instituição familiar.
Através da alteração e entrada em vigor da nova Lei do Divórcio no ano 2008, passou a ser possível a qualquer dos cônjuges desfazer o contrato matrimonial de forma mais rápida e fácil que aquilo que se exige para a anulação de um contrato de fidelização que obriga uma pessoa perante uma qualquer empresa de prestação de serviços. Ou seja, para além de ser uma lei aberrante, a aprovação da nova Lei do Divórcio a pedido de um dos cônjuges, independentemente do consentimento do outro, é claramente reveladora das medidas socialistas contra a Família, brandas nas aparências mas radicais nas metas e que encerram tendências desagregadoras da instituição familiar tradicional.
Destas tendências desagregadoras da Família tradicional fazem parte também a nova Lei de liberalização do aborto, através da qual se está a promover uma cultura de morte, a promulgação do Diploma do pseudo-casamento homossexual, as experiências com embriões, a Lei de Educação Sexual obrigatória nas escolas, isto para mencionar apenas algumas leis anti-família.
De referir ainda que, a legislação dos chamados temas fracturantes foi aprovada durante os dois últimos governos PS de forma sorrateira e praticamente sem discussão para evitar grande alarido.
Perante este cenário é pois necessário e urgente que o actual Governo, sustentado na Assembleia da República pela maioria PSD-CDS-PP, oiça a voz de um incontável número de Portugueses que por todo o país deram o seu voto a estes dois partidos. Fizeram-no, em grande medida, com a firme convicção de que, uma vez eleito, o novo Governo de Centro-Direita daria sinais claros que ia alterar rapidamente toda a legislação que promove as tendências desagregadoras da Família tradicional.
No que concerne à legislação dos temas fracturantes, em minha opinião, o actual Governo está de algum modo a defraudar as expectativas de parte do eleitorado que o elegeu, ao protelar a tomada de medidas no sentido de reverter toda a legislação anti-família aprovada durante o consulado socialista de José Sócrates.
Por todas estas razões, torna-se necessária uma enorme mobilização e uma participação maciça de portugueses na Caminhada pela Vida no dia 19, em Lisboa, para exigirem do actual Governo a urgente e rápida alteração da legislação que vai minando todos os dias os fundamentos da instituição familiar tradicional.
Se está preocupado com o futuro dos seus filhos e não quer permitir que o Estado continue a impor-lhe leis anti-família, não falte à Caminhada pela Vida no dia 19. A sua presença é necessária!
 

3 de maio de 2012

O 1º de Maio do Pingo Doce e os preconceitos da Esquerda e de alguns inocentes úteis contra a Iniciativa Privada

  
  Anualmente, o feriado de 1 de Maio é o dia escolhido pelas centrais sindicais para organizarem manifestações, sobretudo em Lisboa e no Porto. As referidas manifestações constituem normalmente uma ocasião para fazer reparos ao Governo em exercício e sugerir medidas a tomar.

  Este ano, o dia 1 de Maio ficou no entanto marcado por um facto novo e totalmente inesperado que acabou por marcar em termos mediáticos esta data.

  Refiro-me à campanha levada a cabo pelo Pingo Doce, de um desconto de 50% para quem fizesse compras iguais ou superiores a 100 euros.

  Considero que a referida campanha foi muito bem escolhida não só em termos do objectivo que se propunha atingir, mas também quanto à data escolhida para a sua realização.

  Num dia em que as centrais sindicais esperariam ver muitos milhares de pessoas a participar das suas manifestações, assistiu-se a milhares e milhares de portugueses a deslocarem-se por todo o país às lojas Pingo Doce para poderem beneficiar desta campanha.

  De tal forma a referida campanha teve impacto que foi tema de manchetes nos principais jornais de ontem e um assunto muito debatido em blogues e nas redes sociais.

  Vi alguém sugerir, em tom de crítica, no Facebook que em vez de o Pingo Doce fazer este desconto de 50% a quem gastasse 100 euros ou mais em compras, poderia alternativamente ter anunciado que entregaria ao Banco Alimentar contra a fome o valor correspondente a 50% do volume de negócio que foi realizado no dia 1 de Maio.


  Embora a existência do Banco Alimentar contra a fome seja uma iniciativa louvável, quer-me parecer que a cadeia Pingo Doce, ao ter feito esta promoção de 50%, ajudou de forma imediata um número consideravelmente maior de portugueses que o número de pessoas que normalmente é ajudado pelo Banco Alimentar contra a fome.

  Para aqueles que criticaram esta iniciativa, deixo aqui uma pergunta.

  Será injusto, em termos sociais, que na actual situação de ajustamento financeiro que a todos nos atinge, uma cadeia de distribuição como o Pingo Doce tenha ajudado milhares e milhares de portugueses, num só dia, a pouparem, nalguns casos, algumas centenas de euros nas suas compras mensais?

  Esta poupança irá ajudar certamente, muitas famílias portuguesas, a suportarem, por exemplo, o aumento da factura da electricidade.

  Em minha opinião, as críticas e até mesmo alguns ataques a esta iniciativa da cadeia Pingo Doce patentes nalguns relatos publicados ontem na comunicação social, resultam sobretudo de um preconceito ideológico contra o Dr. Alexandre Soares dos Santos, Presidente do grupo Jerónimo Martins.

  Com efeito, são sobejamente conhecidas as suas posições firmes e categóricas de denúncia frequente da existência de uma mentalidade anti-iniciativa privada em Portugal, fruto de preconceitos ideológicos vindos da área socialista.

  Ora, essa mentalidade anti-iniciativa privada é fomentada sobretudo pela esquerda, e a reboque da qual muitos inocentes úteis e muitos ingénuos se vão deixando influenciar, em grande medida pela cobertura deturpada que alguma comunicação social dá a factos como este, fruto dos referidos preconceitos ideológicos.

  Portugal precisaria de muitos mais empresários como o Dr. Alexandre Soares dos Santos, um excelente exemplo de alguém que está à frente de um grupo económico que se tem vindo a afirmar não só em Portugal, mas também no estrangeiro, e que não precisa do apoio do Estado para desenvolver o seu negócio.

   Esta é uma situação bem diversa da de algumas grandes empresas nacionais que, para desenvolverem o seu negócio sem quaisquer riscos, como no caso da EDP, precisam da muleta do Estado, acabando por desvirtuar de alguma maneira aquilo que deveria ser uma sã e autêntica concorrência.

28 de abril de 2012

Sessão Solene Extraordinária da Assembleia Municipal de Vila Real - Discurso pelo Grupo Parlamentar do CDS-PP (25/04/2012)



   Exmo. Senhor Presidente da Assembleia Municipal de Vila Real,
   Exmo. Senhor Presidente da Câmara Municipal de Vila Real,
   Exmos. Senhores Deputados Municipais,
   Exmas. Autoridades Presentes,
   Exmos. Convidados,
   Minhas Senhoras e Meus Senhores,


  Decorridas praticamente quatro décadas sobre o 25 de Abril de 1974 e na data em que se assinala o 38º aniversário do Movimento Militar que nesse dia punha fim ao Estado Novo, reunimo-nos mais uma vez neste Salão Nobre dos Passos do Concelho para analisar alguns momentos que marcaram a História do nosso País de então para cá.

  Impõe-se uma reflexão serena e fundamentada a respeito do 25 de Abril, pois na realidade, a III República na qual vivemos, consubstanciada pela Constituição de 1976, teve a sua origem política no golpe militar. O presente ciclo político é conformado pelos acontecimentos ocorridos naquele dia. Só uma análise objectiva dos factos e das ideias que presidiram àquele acto e ao processo que nele se originou, podem ajudar a esclarecer o presente momento da nossa Nação.

  De contrário, estaríamos a cingir-nos a um mero exercício de recordação de uma data já muito distante no tempo, esvaziada de qualquer sentido para as gerações mais novas, que sabem muito pouco ou quase nada acerca do 25 de Abril, como o têm atestado recentes sondagens.

  Pretendemos assim transmitir aos mais jovens, embora de forma muito sucinta, o contexto que se viveu após a implantação do novo Regime e como o mesmo foi evoluindo num rumo que, em poucos meses, iria lamentavelmente desviar-se dos anseios iniciais de alguns dos homens que protagonizaram o Movimento Militar e também dos anseios de alguns dos Membros da Junta de Salvação Nacional.


  Para os militantes do CDS, em particular para aqueles que como eu, ainda na juventude, pude assistir e acompanhar de forma interessada, empenhada mas também preocupada, as mudanças radicais que se foram operando nos meses que se sucederam ao Golpe Militar, torna-se um imperativo de consciência ajudar a elucidar as gerações mais novas sobre os desvios ideológicos face ao que tinha sido proclamado a 25 de Abril de 1974, ou seja, a abertura para uma nova era de esperança e de Democracia para todos os portugueses, propósitos que rapidamente foram desvirtuados, como afirmava em 2002 o General Galvão de Melo, numa passagem da sua obra Um Militar na Política: “Medos de uns, vaidades mesquinhas de outros, oportunismos, objectivos pessoais impossíveis de conciliar, vieram a revelar-se desde muito cedo afastando do caminho as nobres intenções anunciadas no movimento. A Junta governou mal: o MFA em sua maioria, servia candidamente os propósitos da Rússia Soviética, que não eram, por definição, consentâneos ao interesse de Portugal” … E sobre os chamados contragolpes de 28 de Setembro de 1974, 11 de Março 1975 e 25 de Novembro de 1975, refere ainda que os reais propósitos dos acontecimentos ocorridos nessas datas consistiam “ em abafar a voz da Nação com a finalidade de deixar o campo livre à extrema-esquerda”.

  Cerca de seis meses decorridos sobre o 25 de Abril de 74, a sociedade portuguesa assistia atónita à tentativa de imposição de um modelo ideológico radical que se prolongou de 28 de Setembro de 1974 a 25 de Novembro de 1975 e que visava encaminhar o País para uma Ditadura Internacional de orientação soviética, factos que podem ser comprovados através de consultas a documentos das Chancelarias de Lisboa e de Moscovo, bem como através da leitura de inúmeras publicações sobre o assunto que têm vindo a lume nos últimos anos.


  Recordo novamente, como já tive oportunidade de referir em anos anteriores, que o CDS foi o único partido que se opôs ao texto original da actual Constituição votada em 1976, no contexto revolucionário que marcou a segunda metade da década de 1970 em Portugal.

  Assente na matriz Democrata-Cristã, marca distintiva do CDS desde a sua fundação, o nosso partido opôs-se frontalmente ao texto da Constituição de 1976 de cunho marcadamente marxista. Dessa forma, o CDS assumia, dentro do quadro democrático, e do ponto de vista ideológico, uma posição de demarcação clara relativamente ao restante espectro político, não fazendo quaisquer concessões perante a concepção colectivista da sociedade que estava a tentar ser imposta a toda a Nação.

  Com uma visão do Homem e do Mundo baseada nos Princípios da Doutrina Social da Igreja, a nossa matriz originária continua a ser actualmente fonte de inspiração para a actuação do CDS. Essa doutrina assenta no princípio que afirma a intangível dignidade da pessoa humana e tudo o que isso pressupõe. Foi com base nessa matriz identitária do CDS que agimos com firmeza em 1976, é assim que temos agido ao longo dos anos, será assim certamente que continuaremos a agir daqui para o futuro.

  O CDS, Partido que se orgulha do seu passado, do seu já longo percurso político e sobretudo das suas firmes posições ideológicas em momentos-chave da história recente da Democracia portuguesa, tem sabido pugnar de forma clara e inequívoca nos locais e nos momentos próprios, nomeadamente no Parlamento, para que seja reposta a verdade histórica sobre certos factos políticos menos claros ocorridos na era pós-25 de Abril. Ao agir dessa forma tem prestado um bom serviço ao País e às gerações vindouras.


  Causa-nos muita estranheza, por exemplo, verificar que o contexto político vivido entre o Verão de 1975 e finais de 1976 não seja devidamente tratado nos manuais de História do Ensino Secundário. Este período é abordado apenas de passagem, denotando um claro enviesamento ideológico, e apresentando-se os factos sempre de forma parcial e com uma visão distorcida da realidade, com o intuito claro de manipulação das mentalidades tão do agrado da Esquerda, de forma a alcançar as suas metas políticas e ideológicas.

  Acreditamos ser de elementar justiça e até mesmo um dever de consciência elucidar devidamente as gerações mais novas, de forma clara e isenta, acerca dos desvios ideológicos que ocorreram relativamente ao espírito que presidiu à mudança de regime a 25 de Abril de 1974 e que os jovens tirem daí as devidas ilações.

  Não podemos, nem devemos esquecer-nos que caberá a muitos jovens de hoje, homens e mulheres de amanhã, a nobre tarefa de, no futuro, serem chamados a assumir cargos públicos para os quais deverão estar devidamente preparados não só do ponto de vista profissional mas sobretudo em termos humanos, pois a responsabilidade e o sentido de serviço ao bem comum deverão ser uma constante preocupação das novas gerações de políticos.

  A seriedade no exercício das funções políticas tanto por parte dos Governos como das oposições é crucial para incutir na opinião pública um sentimento de confiança e de adesão a um desígnio para o País.

 Ora, não nos parece que a actual prática política do Partido Socialista face à aplicação das medidas que constam do Memorando de Entendimento negociado e assinado pelo Governo de José Sócrates com a Troika seja a mais consentânea com um modo responsável do exercício da política. Sobretudo, quando medidas de governos socialistas tiveram como resultado inevitável os enormes sacrifícios que estão a ser actualmente impostos à sociedade portuguesa.


  O PS tenta permanentemente demarcar-se de posições assumidas anteriormente, atitude que é agravada pelo facto de afirmar que a aplicação de algumas das medidas que estão a ser implementadas pelo actual governo de Centro-Direita não tem legitimidade democrática.

  Foi com espanto que tomámos conhecimento do conteúdo do comunicado da Associação 25 de Abril que recusou pela primeira vez, em 38 anos de Democracia, estar presente nas celebrações oficiais evocativas do Movimento Militar de 25 de Abril de 1974 por considerar   " que a linha política seguida pelo actual poder político deixou de reflectir o regime democrático herdeiro do 25 de Abril ".

  Causou-nos ainda maior admiração saber que o fundador do Partido Socialista e ex-presidente da República, Dr. Mário Soares e o Dr. Manuel Alegre, destacado membro do PS e antigo candidato à Presidência da República se solidarizaram com a posição totalmente antidemocrática da Associação 25 de Abril.

  Perante tais atitudes, é alarmante constatar que nos dias actuais se está a pôr em causa, em razão de preconceitos única e exclusivamente ideológicos, a legitimidade de um Governo eleito democraticamente.

  Da assunção de tais posições pode facilmente inferir-se que, ao fim de 38 anos de democracia, estarão postos em causa, do ponto de vista formal, os princípios sobre os quais assenta um regime democrático, ou seja, a liberdade de opinião dos cidadãos e o direito de voto, o que é manifestamente uma falácia.

  É pois, perigoso para a sobrevivência do princípio da Democracia representativa constatar que, talvez para alguns sectores e personalidades destacadas do actual espectro político o termo Democracia tenha um sentido um pouco diverso do seu sentido real.


  O legado ideológico que desviou o espírito inicial do Movimento que levou a cabo o 25 de Abril é tomado por muitos dos soi-disant "democratas", como o único e autêntico legado desse Movimento. E por isso, esses ditos “democratas” chegam a ter o desplante de considerar que o actual Governo, sustentado por uma maioria legítima e democraticamente eleita pelos portugueses, não está de acordo com o regime. Ou seja, a posição destas pessoas assenta na negação da legitimidade "democrática" de qualquer governo que não partilhe os ideais de uma sociedade socialista.

  É por isso que em Portugal, por causa de algumas "viúvas" do Muro de Berlim, continuamos a ter uma Constituição que, ao contrário dos países do Leste europeu, ainda professa o socialismo como fundamento do Estado como o atesta o seu Preâmbulo: “a abertura do caminho para uma sociedade socialista.”

  A concluir, gostaria de referir aos presentes que nos parece urgente e necessário que a sociedade civil se vá afirmando cada vez mais e que não fique sempre à espera do Estado omnipresente para a resolução de todos os seus problemas.

  Só assim se poderá inverter o ciclo pouco virtuoso a que Portugal esteve submetido na última década e dessa forma fazer com que o nosso país progrida económica e socialmente no concerto das Nações.

 E esta é uma tarefa de todos os Portugueses!

12 de abril de 2012

O rumo autoritário da Presidência de Dilma Roussef e a perseguição política aos opositores

  
   Quando ligamos a televisão para ver o noticiário do horário nobre das 8 da noite, somos normalmente bombardeados, em todos os canais generalistas, com notícias quase exclusivamente domésticas que nos últimos meses se têm centrado sobretudo nas consequências da crise económica e financeira.

    A crise, a crise, sempre a crise!

   Não raras vezes os canais generalistas aproveitam o horário nobre dos telejornais para relatar factos sensacionalistas com pouco interesse para a opinião pública, e cujo único intuito é o de alimentar a guerra de audiências que parece estar a tornar-se cada vez mais no objectivo principal de algumas estações de televisão.

   Constato com muita frequência que certas notícias de política internacional que versam factos importantes e actuais das relações internacionais são por vezes omitidos nos noticiários em Portugal, mormente no caso de notícias relacionadas com países com os quais temos relações especiais, como é o caso do Brasil. Acabamos por tomar conhecimento dessas notícias através da leitura on-line de jornais estrangeiros de referência.

   Foi o que aconteceu relativamente ao editorial da passada segunda-feira dia 9, no jornal diário norte-americano Washigton Times, lido maioritariamente entre os círculos políticos influentes de Washington.

  Aproveitando a visita oficial da Presidente do Brasil, Dilma Roussef, aos Estados Unidos a convite do Presidente Obama, o editor-chefe do Washington Times assinou um interessante editorial intitulado O Modelo Brasileiro de Obama.

   No referido editorial, é-nos apresentada uma imagem de Dilma Roussef claramente diferente daquela que tem sido passada para a opinião pública internacional e também para a opinião pública portuguesa desde a eleição de Dilma como Presidente do Brasil, vista normalmente como uma mulher conciliadora e moderada.

   Ora essa imagem é cabalmente desmontada neste editorial.

   Dilma Roussef é-nos apresentada “… como um exemplo da esquerda radical antiamericana que está a procurar apoios no mundo desenvolvido para condicionar o poder dos Estados Unidos. Um dos principais objectivos da sua missão a Washington é obter do Presidente Obama o apoio para a ambição de Brasília de conseguir ter assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas. O apoio norte-americano a esse plano seria autodestrutivo, uma vez que o Brasil garantiria votações seguras contra interesses Americanos no contexto mundial.”

   A nível da política interna brasileira o editorial do Washington Times refere ainda uma viragem de 180º do Governo de Dilma em termos de política fiscal relativamente ao governo anterior, criando uma série de obstáculos fiscais à economia e aumentando assustadoramente os gastos do Estado, factos que já estão a reflectir-se no Produto Interno Bruto que em 2011 teve um crescimento de apenas 2,7%., o mais baixo da América Latina.

   Não queria terminar sem referir um aspecto menos conhecido da opinião pública portuguesa relativamente ao governo de Dilma Roussef, ou seja, o condicionamento político de associações ou organismos que se opõem publicamente à agenda radical do seu governo de coligação com o Partido dos Trabalhadores.

   Segundo o editorial do Washington Times, esse condicionamento teve recentemente como alvo o movimento conservador Tradição, Família e Propriedade, muito conhecido nos círculos políticos de Washington através de uma entidade co-irmã - Tradition, Family and Property - existente nos Estados Unidos. Tradição, Família e Propriedade é no Brasil o principal movimento de oposição às prioridades da agenda da esquerda no que toca ao aborto, à censura e às normas e leis que inibem direitos de propriedade privada.

   Recentemente, uma decisão do Superior Tribunal de Justiça desfavorável ao movimento Tradição, Família e Propriedade veio revelar intromissões do poder político na decisão do Tribunal e também fortes pressões nesse sentido por parte de autoridades eclesiásticas do Brasil, incluindo o próprio Núncio Apostólico.

  Fica assim claro que nos dias actuais o poder judicial não só não é totalmente independente, como nalguns casos chega mesmo a ser fortemente influenciado por pressões do poder político e até mesmo por pressões do poder eclesiástico, como no caso que acabei de relatar.

  No Brasil, é sobejamente conhecido o alinhamento de alguns sectores da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), desde há longos anos, com a agenda colectivista propugnada pela esquerda brasileira, e portanto contrária aos movimentos e sectores de opinião defensores da propriedade privada.

10 de novembro de 2011

O iminente colapso do Euro

Fonte: Economia Br  
  
   A crise das dívidas soberanas na Zona Euro vai-se agravando de dia para dia. Depois das intervenções do FMI, da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu na Irlanda, na Grécia e em Portugal, antevê-se desde já o iminente resgate à Itália.

   Muitos eurocépticos começam a ver confirmar-se as suas desconfianças relativamente à tão propagandeada solidez do Euro como moeda de referência a nível mundial.

   A realidade do Euro é hoje bem diferente daquilo que foi ambicionado pelos defensores da moeda única. Por outras palavras, diferente daquilo que foi ambicionado pelos defensores de um federalismo europeu que, a ser um dia alcançado, seria o culminar de um processo de esbatimento paulatino das identidades nacionais seculares das várias nações europeias.

  O Euro foi criado, entre outros motivos, com o intuito de funcionar como um dos alicerces de uma maior integração económica e política europeia a caminho desse federalismo que não é desejado pela grande maioria dos europeus.

  Uma década passada sobre a entrada em vigor desta nova moeda, vai ficando cada vez mais evidente aos olhos de muitos que pode estar iminente o colapso do Euro.

  A este respeito gostaria de referir uma entrevista que está a circular amplamente no YouTube, concedida pelo eurodeputado britânico conservador Nigel Farage à emissão em inglês do canal de televisão russo RT. Inexplicavelmente, o vídeo praticamente não foi divulgado em canais televisivos nacionais ou estrangeiros. Talvez essa atitude se deva ao facto de Nigel Farage fazer afirmações muito incómodas para alguns governantes europeus, para muitos eurocratas e para alguns dos responsáveis das principais instâncias comunitárias.

  Na entrevista, Nigel Farage fala sobre a inevitabilidade do colapso do Euro e da saída de Portugal, Espanha, Grécia e Irlanda do grupo dos países que integram a moeda única.

  Pelas suas palavras, depreende-se facilmente que os contornos mais dramáticos sobre a crise do Euro estão a ser ocultados à generalidade dos cidadãos e aos contribuintes. A serem conhecidos cabalmente, poderiam fazer desencadear situações sociais e políticas de graves consequências, daí o silêncio sobre os mesmos.

  Quando questionado sobre se a Espanha e a Itália caírem, ou seja, se entrarem em incumprimento, Nigel Farage respondeu:

" É difícil prever o que vai acontecer, mas se a Itália cair irá precisar de um resgate de 2 biliões de euros.

  E qual é o sentido de resgatar estes países? O que são os resgates. Será que estão a ajudar as pessoas na Grécia, em Portugal e na Irlanda?
  
  Não, não estão!

  O que estão a fazer é a dar dinheiro a esses países para o devolver aos nossos bancos que o emprestaram em excesso. Tudo isto é uma loucura, estes países que estão presos numa prisão económica chamada Euro precisam é de desvalorizar a sua moeda; sem uma desvalorização receberão pacotes de austeridade que os obrigam a entrar numa espiral de deflação que, na minha opinião, pode levar à revolução na Grécia e em Portugal.

O que estamos a fazer é estúpido e muito, muito perigoso. "

   De seguida Nigel Farage foi questionado sobre o falhanço económico e político da Zona Euro e perguntaram-lhe qual a solução, qual o objectivo?

  NF – “Será que podemos ser bons europeus e reconhecer que quando a inevitável falência grega chegar, a não ser que tenhamos um plano B, no dia 1 os bancos não terão dinheiro, no dia 2 não haverá pão nas padarias (…)

   Penso que os economistas irão começar a delinear um plano de contingência que permita à Grécia, Portugal e provavelmente à Irlanda abandonar o Euro, reestruturar as suas dívidas, criar uma nova moeda que desvalorize talvez 50 ou 60%, e tal como a Islândia provou em 2008, por vezes é melhor encarar as más notícias, aceitar a realidade e recomeçar. E é isso que precisa de acontecer."

   Numa época tão conturbada para os destinos da Europa, convém estarmos bem atentos às diversas opiniões que tão facilmente podem chegar ao nosso conhecimento vindas pelos mais diversos meios, de forma quase instantânea e de qualquer ponto do globo, e não nos deixarmos influenciar por visões por vezes um pouco redutoras de uma realidade que nos é filtrada por alguns meios de comunicação social de referência.