22 de outubro de 2015

A COLIGAÇÃO DE PERDEDORES E O SEQUESTRO DOS VOTOS DA COLIGAÇÃO PORTUGAL À FRENTE

 

APELO AO PRESIDENTE DA REPÚBLICA

   Impõe-se voltar ao tema aqui abordado nas duas últimas semanas, dada a indefinição política e a delicada situação que se está a viver em Portugal, cujas consequências são neste momento imprevisíveis.

   Através de uma hábil manobra de bastidores desencadeada pelos partidos da extrema-esquerda e com a cumplicidade do Partido Socialista, a sociedade portuguesa tem vindo a assistir nas duas últimas semanas à tentativa de imposição de uma frente de esquerda para a governação do país, no total desrespeito pelo voto de dois milhões e cem mil portugueses e ao arrepio do interesse nacional. O objectivo último da coligação de perdedores, constituída pelo PS, Bloco de Esquerda e PCP, é o de impedir que a coligação Portugal à Frente forme um Executivo. Ou seja, “...está em curso uma operação para sequestrar os votos da coligação”, como referia há dias o Dr. Paulo Portas.

   Alguns comentadores e analistas políticos têm afirmado nas últimas semanas que os partidos da extrema-esquerda portuguesa não representam actualmente o mesmo perigo que representavam em 1975, no que toca à aplicação das políticas que preconizam e que pretendem implementar, caso viessem a integrar o próximo Executivo. Ou seja, uma vez chegados ao poder e face à realidade da governação, Bloco de Esquerda e PCP acabariam por pôr de lado a sua agenda ideológica radical.

   Nada mais falso.

   Curiosamente e de forma sintomática Joana Mortágua, do Bloco de Esquerda, que, tenta ocultar dos portugueses o radicalismo da sua agenda ideológica e apresentar-se agora como respeitadora das regras da democracia representativa, afirmava, há menos de um ano, o seguinte: “A mesma fibra que temos hoje é a que tínhamos há 40 anos: a fibra dos revolucionários, dos que arriscam, dos que aprendem, dos que nunca esquecem onde têm as suas raízes, as mais profundas, as do pensamento.”

   O país aguarda com apreensão e expectativa a decisão do Chefe de Estado sobre a formação do próximo Executivo que poderá ter lugar ainda hoje.

   Preocupado e apreensivo com a actual situação de impasse político e face aos possíveis cenários que se perspectivam, decidi enviar há dois dias uma missiva ao Presidente da República. Não me sendo possível lê-la na íntegra, dada o reduzido espaço desta crónica, quero partilhar consigo alguns excertos da mesma.

   "Sr. Presidente, face à leitura dos resultados eleitorais, o sentimento geral de milhões de portugueses é o de que cabe à coligação Portugal à Frente formar governo, mesmo que esse governo venha a ser minoritário, à semelhança do que aconteceu com o governo minoritário liderado por V. Exa. em 1985.

   Senhor Presidente, quero transmitir-lhe a minha apreensão e preocupação ao considerar, como mera hipótese, a formação de um governo de uma frente de esquerda em Portugal, não só pela falta de legitimidade eleitoral de que um tal Executivo empossado por V. Exa. viria e enfermar, como também pelo que isso significaria em termos de retrocesso económico e social para Portugal.

   Assim, venho apelar a Vossa Excelência, como mais alto magistrado da Nação, que, no legítimo exercício do mandato que lhe foi conferido pelos portugueses e no respeito pela escolha livre e democrática dos mais de dois milhões de eleitores que deram a vitória nas urnas à coligação Portugal à Frente, não viabilize um Executivo minoritário PS com o apoio parlamentar das forças anti-sistema da extrema-esquerda.

   Esperando que esta missiva seja bem acolhida por Vossa Excelência, Senhor Presidente, fico a aguardar com expectativa e serenidade a decisão que irá tomar quanto à constituição do novo Executivo.
 
   Estou convicto que a decisão de Vossa Excelência, Senhor Presidente, irá respeitar a vontade expressa nas urnas pela maioria dos portugueses e terá em consideração os superiores interesses da Nação portuguesa bem como a voz e o prestígio de Portugal no concerto das nações."


15 de outubro de 2015



ANTÓNIO COSTA E A PERVERSÃO DAS REGRAS DA DEMOCRACIA PARLAMENTAR

UMA ESTRATÉGIA RADICAL DE CONQUISTA DO PODER QUE AFRONTA A VONTADE CLARA DE MAIS DE 2 MILHÕES DE PORTUGUESES QUE DERAM  A VITÓRIA NAS URNAS À COLIGAÇÃO PORTUGAL À FRENTE


   A última semana tem sido marcada pela agitação mediática protagonizada pelo líder do Partido Socialista e pelos líderes da extrema esquerda, desencadeada após o pedido do Chefe de Estado ao Dr. Pedro Passos Coelho para que encontrasse uma solução de governabilidade para a próxima legislatura.
   
   É lamentável a encenação pós-eleitoral que tem sido levada a cabo pelo Dr. António Costa. Contra a opinião de vários analistas políticos, economistas e até de destacados membros do PS, Costa insiste na narrativa de que só um governo à esquerda liderado pelo PS garantirá a estabilidade necessária para a próxima legislatura.

   Os mais de dois milhões de portugueses que votaram na coligação vencedora das eleições, bem como amplos sectores da sociedade portuguesa assistem atónitos e apreensivos à atitude do líder do PS que, teimando em não reconhecer a derrota sofrida pelo Partido Socialista, tenta por todas as formas, através do espaço mediático, condicionar e chantagear politicamente os líderes da coligação Portugal à Frente e simultaneamente condicionar a escolha do Presidente da República para a formação do próximo governo de Portugal, pensando que com isso poderá obter grandes dividendos políticos.
   
   Em minha opinião, António Costa não hesitará um único segundo em aliar-se à extrema esquerda desde que esta viabilize na Assembleia da República um governo PS liderado por si, ou até mesmo acenando a Catarina Martins e a alguns líderes do Partido Comunista para que integrem um governo liderado pelo PS.

   Devido à sua ambição desmedida e com uma agenda política desconhecida e não sufragada pelos portugueses, António Costa tenta habilmente montar uma estratégia de assalto ao poder, procurando assim contrariar uma prática de quase quatro décadas, segundo a qual, cabe ao vencedor do partido mais votado nas eleições legislativas constituir governo, ainda quando esse governo tenha o apoio de uma maioria relativa na Assembleia da República.
   
   Apesar de toda a pressão mediática exercida pelo PS, Bloco de Esquerda e Partido Comunista para a formação de um governo de esquerda, parece-me que esta solução é, à partida, improvável, pois certamente o Presidente da República irá convidar para formar governo o líder do partido mais votado, seguindo uma prática constitucional de várias décadas.

   É minha convicção profunda, no entanto, que caso tal viesse acontecer, Portugal seria de novo conduzido em poucos semestres para uma situação de descontrolo nas contas públicas que resultaria de uma visão ideológica colectivista imposta pela extrema esquerda ao Partido Socialista, e assistiríamos a uma reedição dos governos de José Sócrates que conduziram Portugal à bancarrota, com um inevitável regresso da troika a Portugal.

   Recorrendo exclusivamente à aritmética parlamentar, pondo de parte o interesse nacional, e recusando-se de forma cínica a estabelecer pontes de entendimento com a coligação vencedora das eleições, António Costa está a perverter as regras da democracia parlamentar e, com isso, a tentar inaugurar uma forma de fazer política muito perigosa, à semelhança dos caudilhos da América Latina.

   A terminar, cito o excerto de um artigo de opinião de Maria João Avillez publicado ontem no jornal online OBSERVADOR com o sugestivo título, “O USURPADOR”: “O PS chegou à meta em segundo lugar e não em primeiro e pronuncia-se, age e comporta-se em festa e frenesim, como se os socialistas tivessem vencido. Ou como se tivesse sido experimentada uma nova governação da coligação que tivesse já derrapado mil vezes.

   O país sabe que se trataria de uma usurpação, a Europa também, o mundo também. E last but not least, os portugueses também sabem. Mesmo que fazendo deles parvos-parvíssimos se evoque “a Constituição” como fonte legitimadora de um governo eleitoralmente anormal."





8 de outubro de 2015

AS ELEIÇÕES LEGISLATIVAS E A 
CONSTITUIÇÃO DO NOVO EXECUTIVO

Fonte: Jornal de Negócios

   
DERROTADA NAS URNAS, A ESQUERDA RADICAL TENTA IMPOR AO PAÍS DE FORMA ARTIFICIAL E PELA VIA DE UM "GOLPE DE ESTADO PARLAMENTAR" UMA "MAIORIA DE ESQUERDA" 

   Os resultados das eleições legislativas do passado domingo deram uma vitória expressiva à coligação Portugal à Frente, embora a coligação não tenha conseguido alcançar a maioria absoluta de mandatos, cenário que iria permitir ao próximo Executivo liderado por Passos Coelho ter o apoio parlamentar maioritário das bancadas dos partidos do centro-direita.
   
   Na segunda feira, dia 5, as manchetes da imprensa internacional eram unânimes em destacar a vitória do centro-direita conservador nas eleições legislativas em Portugal. Como referia o jornal francês Le Figaro: “...em Portugal, a direita 'ganhou largamente' as eleições legislativas, um cenário que era inimaginável há poucos meses”. A agência Bloomberg referia também a  vitória da coligação de direita sobre os socialistas.
   
   Curiosamente, desde a noite das eleições e ao longo destes dias, o único discurso que temos ouvido por parte da esquerda em geral, especialmente o Bloco de Esquerda, o Partido Comunista e os Verdes é que a direita perdeu as eleições e que a esquerda foi a grande vencedora das mesmas.
   
   A atitude da esquerda radical e também de amplos sectores do Partido Socialista, de não reconhecimento, em termos políticos, da vitória do centro-direita nas eleições de domingo, tem um intuito claríssimo. Ou seja, ir criando a ideia, através da opinião publicada, de que a estabilidade do próximo Executivo só será garantida com uma solução de governo à esquerda com um amplo apoio parlamentar do PS, BE, PC e Verdes.

   O mesmo equivale a dizer que se trata de um cenário altamente improvável, uma vez que uma tal solução configuraria uma tentativa de assalto ao poder, ‘ao género de um golpe de Estado parlamentar’ da esquerda radical que tornaria o Partido Socialista refém das propostas e políticas radicais anti-sistema, antidemocráticas e anti-europeístas do Bloco do Esquerda e do Partido Comunista, o que a muito curto prazo faria com que Portugal regredisse algumas décadas em termos económicos e sociais.
   
   A esquerda radical que, de uma forma sistemática, tem feito assentar a sua estratégia de acção na política da “terra queimada” e do “quanto pior melhor”, de defesa das nacionalizações, da saída de Portugal da NATO e do Euro, não tem, em minha opinião, qualquer legitimidade democrática para reclamar ser parte integrante de uma solução de governo numa democracia ocidental no século XXI.

   A única solução de governo que, a meu ver, pode garantir a estabilidade, a modernização do tecido económico e a continuação das reformas estruturais iniciadas em 2011 pelo actual Executivo, terá de ser uma solução liderada pela coligação de centro-direita, vencedora clara das eleições de dia 4, através da formação de um Executivo apoiado nos partidos da coligação que deverá negociar com o PS compromissos que permitam a viabilização próximo orçamento do Estado.  

   Aguardemos pelos próximos dias para ver se os dirigentes do PS vão saber mostrar sentido de Estado e uma vontade determinada em negociar com a coligação Portugal à Frente uma solução que permita a governabilidade do País durante a próxima legislatura, ou se, pelo contrário, irão ceder à tentação de se deixar persuadir pelos apelos desesperados da esquerda radical que, derrotada nas eleições e querendo aproveitar-se do facto de não haver uma maioria absoluta de direita no parlamento, anseia, a todo o custo, impor no parlamento uma maioria de esquerda “ao género do golpe de Estado parlamentar.” 


25 de junho de 2015

OS SOCIALISTAS E A PARTILHA DE CONSULADOS E EMBAIXADAS ENTRE LISBOA E MADRID

Fonte: www.iratxegarcia.es 

ESTRATÉGIA ELEITORALISTA DE ANTÓNIO COSTA OU
 FALTA DE SENTIDO DE ESTADO DE UM CANDIDATO A PRIMEIRO-MINISTRO? 


   Na passada sexta-feira, dia 19, os líderes socialistas de Portugal e Espanha assinaram em Lisboa um documento pelo qual se comprometem, caso venham a ser chefes de governo nos respectivos países, a “estreitar de tal modo os laços” que muitas políticas passarão a ser definidas e implementadas em comum.

   Pedro Sánchez e António Costa comprometem-se a implementar: “um programa de reformas e políticas comuns para a promoção do desenvolvimento económico, social e de Cidadania Europeia”.
 
   Entre as diversas áreas abrangidas por políticas comuns de futuros governos liderados por socialistas em Lisboa e Madrid estão a cultura, o mercado Ibérico, a cooperação entre regiões transfronteiriças, os transportes e a política externa europeia.

   Relativamente à política externa, os dois líderes socialistas comprometem-se a partilhar consulados e embaixadas.

   É fácil concluir que a partilha de embaixadas e consulados entre Portugal e Espanha traria sobretudo vantagens para o país vizinho em termos comerciais, mas também do ponto de vista estratégico.
 
   Ou seja, Espanha passaria a beneficiar da situação privilegiada de muitos consulados e embaixadas portuguesas espalhadas pelo mundo, para dessa forma ir acentuando a sua posição estratégica em termos comerciais, e afirmando-se, em termos culturais, no espaço da lusofonia. Não podemos esquecer-nos do papel preponderante que desempenham as embaixadas de Portugal nos países africanos que formaram o antigo Império Ultramarino Português, em particular Angola, Moçambique e Guiné.
 
   Além disso, os interesses estratégicos de Portugal e Espanha são, desde há séculos, divergentes e por vezes antagónicos, em resultado de um conjunto de factores determinantes, como a evolução histórica, política, e cultural, sobretudo a partir da época dos Descobrimentos Portugueses.

   Segundo António Costa, a partilha de embaixadas e consulados traria vantagens para Portugal em termos de política externa.
 
   Confesso que fiquei atónito ao tomar conhecimento das propostas de António Costa sobre política externa.
 
   Em minha opinião, tais propostas, caso viessem um dia a tornar-se efectivas, seriam bem reveladoras da submissão dos interesses do Estado português em termos de política externa aos interesses do executivo de Madrid.
 
   Estará porventura o candidato do PS a primeiro-ministro a sugerir a reedição de uma União Ibérica no que toca à definição de uma política externa conjunta para Espanha e Portugal, a ser implementada pelos governos de Lisboa e Madrid?
 
   Se assim for, António Costa, revela uma submissão aos interesses estratégicos de Madrid e simultaneamente uma total ausência de sentido de Estado. Por conseguinte, parece-me não ter condições de algum dia vir a ocupar o cargo de primeiro-ministro de Portugal.
 
 


18 de junho de 2015

ESPANHA - AGENDA RADICAL ESCONDIDA DO 

"PODEMOS" NA GALIZA?   



Oferenda das sete cidades do Antigo Reino da Galiza ao Santíssimo Sacramento
Fonte: www.turgalicia.es
   
   Muito perto de nós, na vizinha Galiza, existe uma tradição multissecular celebrada anualmente na cidade de Lugo. É a Oferenda ao Santíssimo Sacramento das sete cidades que constituíam o Antigo Reino da Galiza: Lugo, A Coruña, Santiago de Compostela, Ourense, Mondoñedo, Betanzos e Tui. Trata-se do único acto público relativo ao Antigo Reino da Galiza que perdura há séculos na tradição cultural e religiosa do povo galego.

   No entanto, a legitimidade desta tradição foi recentemente posta em causa pelos Presidentes de Câmara de Santiago de Compostela, La Coruña e Ferrol, eleitos pelas listas do PODEMOS ou de plataformas políticas da área ideológica do PODEMOS.

   Usando o argumento da ‘laicidade’ do Estado os referidos Presidentes de Câmara recusaram-se a participar no acto público da Oferenda das Setes Cidades ao Santíssimo Sacramento.
 
   Tal atitude provocou de imediato um aceso debate na sociedade galega e originou a publicação de uma carta dos Bispos da Província Eclesiástica de Santiago em resposta ao desprezo público dos referidos Presidentes de Câmara pela tradição da Oferenda das Sete Cidades.

   Nessa carta, os bispos galegos referem: “A ‘laicidade’ do Estado respeita e promove a variedade de convicções existentes na sociedade. Esta, por definição, nunca será ‘laica’, visto que as pessoas não podem ser neutras e privadas de uma forma de visão do mundo, de terem um credo, convicções ideológicas ou religiosas.

   Por outras palavras, as instituições do Estado que não professem uma fé específica, têm de reconhecer, por sua vez, que estão ao serviço de uma sociedade que professa sempre uma fé.” E pode ler-se mais à frente: “A ‘laicidade’ do Estado seria destruída, no entanto, se se tentasse fazer das instituições políticas instrumento para a imposição da própria ideologia ou religião à sociedade e ao povo que se deve servir.”

   Equivale isto a dizer, que um representante político eleito quando participa de um evento público não o faz para expressar as suas convicções ideológicas pessoais, mas sim no exercício da sua função pública específica. Afirmam ainda os prelados galegos que “não compete ao Estado excluir os cristãos e as suas celebrações do âmbito público e reduzi-las à esfera privada”. Compete-lhe, isso sim, apoiá-las, sobretudo quando se referem a actos “com raízes muito profundas na sua história.”

   Porquê então o desprezo tão ostensivo dos Presidentes de Câmara de Santiago de Compostela, La Coruña e Ferrol por esta tradição multissecular tão arreigada no povo galego?
 
   Terão os representantes eleitos pelo PODEMOS, na Galiza e em outras regiões de Espanha, uma agenda radical escondida, com o objectivo de ir fazendo definhar na sociedade espanhola o sentimento de adesão às profundas tradições religiosas católicas, para, em seu lugar, ir impondo novos cerimoniais imbuídos do espírito de um laicismo militante, e dessa forma impor uma religião e uma ideologia de Estado?

   Pense nisto, caro ouvinte.


5 de junho de 2015

"O ISLÃO E O OCIDENTE - A GRANDE DISCÓRDIA"
   
Fonte: wook.pt
   
  Caro ouvinte, hoje venho falar-lhe de um livro. Trata-se to último trabalho publicado recentemente por Jaime Nogueira Pinto, O Islão e o Ocidente – A grande discórdia - um dos títulos em destaque na 85ª Feira do Livro de Lisboa que decorre até dia 14 de Junho.

   No primeiro capítulo - Em nome da Alá o Misericordioso - Jaime Nogueira Pinto começa por fazer-nos um relato detalhado do contexto em que ocorreu a execução do jornalista norte-americano James Foley por membros do Estado Islâmico, afirmando: “Quem são os autores desta desalmada violência? Em que acreditam? Alguém os comanda? Quem? O que os leva a esta orgia de sangue e exibicionismo, a lembrar crónicas concentracionárias, cenas da Antiguidade, limites da perversidade humana?”

   De seguida, o autor transporta-nos até às origens do Islão e aos seus fundadores, à Espanha Muçulmana, às Cruzadas e ao Reino de Jerusalém.

   Ao longo da obra, Jaime Nogueira Pinto, vai apresentando ao leitor as relações entre o Islão e o Ocidente, as divisões dentro do Islão e os “perigos e os encantos da ocidentalização”.

   Aborda também, entre muitos outros temas, a questão do Nacionalismo Árabe, a nova ordem no Médio Oriente, a radicalização da Palestina e as Primaveras Árabes.

   No penúltimo capítulo - A Frente Laica da Guerra Santa - o autor começa por fazer um relato minucioso dos recentes e bárbaros atentados de Paris, a 7 de Janeiro deste ano, na sede do jornal satírico Charlie Hebdo, facto que, segundo as suas palavras: “...moveu e comoveu mais os europeus do que a chacina das crianças e jovens do Colégio Militar de Peshawar, do que as mulheres escravizadas ou massacradas pelo Boko Harém na Nigéria, do que os egípcios coptas decapitados ritualmente, do que os cristãos crucificados às centenas no Iraque e na Síria”.

   Apresenta-nos depois de forma detalhada a distribuição dos muçulmanos a nível mundial, e a convivência dos mesmos com as culturas laicas dos países ocidentais, dando especial destaque à França, a “pátria do laicismo militante”, onde desde 2004 foi proibida a ostentação de símbolos religiosos nas escolas.

   Sugiro-lhe, pois, a leitura desta obra, essencial para perceber os avanços e recuos do mundo islâmico e a sua convivência com o Ocidente ao longo dos séculos.

   Boa leitura.

28 de maio de 2015

"SONHO" E "MUDANÇA" PELA VIA DO HOMICÍDIO

   

Fonte: tvi24.iol.pt

   No Jornal das 8 da TVI, da passada quinta-feira, dia 21, emitido a partir das instalações do novo Museu Nacional dos Coches, que seria inaugurado dois dias depois, o tema de fundo foi a inauguração deste novo espaço museológico.

   No início desse telejornal, o pivô José Alberto Carvalho optou por dar destaque especial, entre as muitas peças transferidas para as novas instalações do Museu dos Coches, ao Landau Real.

   Foi também junto do Landau Real em que seguiam, a 1 de Fevereiro de 1908, Sua Majestade El-Rei Dom Carlos I, a Rainha Dona Amélia, o Príncipe Real Dom Luís Filipe e o Infante Dom Manuel, os quais foram alvo de um cobarde atentado perpetrado por Manuel Buíça, no Terreiro do Paço, que José Alberto Carvalho optou por terminar o Jornal das 8, tendo na ocasião lido excertos do testamento de Manuel Buíça, um dos regicidas.

   Causou-me enorme apreensão constatar que José Alberto Carvalho tivesse lido um texto que incita ao uso da violência. Como referia a propósito deste episódio, Henrique Raposo na sua crónica de dia 26 no Expresso on-line: “O final deste telejornal especial funcionou como uma legitimação do assassínio enquanto arma política.”

   Embora José Alberto Carvalho se tenha referido ao crime perpetrado por Manuel Buíça como “homicídio” e “assassínio”, afirmou: “está sempre tudo por dizer em relação ao sonho e à mudança” dando provavelmente aos telespectadores a ideia de que certos meios poderão ser legítimos para atingir determinados fins, tal como teria sido justo, aceitável ou até mesmo heróico e abnegado o uso da violência para impor um regime - a República - que tem no seu código genético a ilegitimidade, uma vez que El-Rei Dom Carlos era o Chefe de Estado no exercício do poder, conforme a Constituição vigente.

   Para concluir, recordo aqui as palavras de Francisco Sousa Tavares a propósito do Regicídio:       "O sangue inutilmente derramado por D. Carlos e D. Luís Filipe pesa sobre nós como herança macabra…Vingaremos o sangue de El-Rei D. Carlos no dia em que soubermos, pelos caminhos perdidos da Tradição, reencontrar a alma do povo e a face da Pátria".

   Talvez esse reencontro fosse mais adequado “ao sonho e à mudança” que queremos para Portugal, sem recurso à violência, ao assassinato e à revolução…


10 de outubro de 2013

O estranho e desconcertante silenciamento dos media à "Caminhada pela Vida"

 Fonte: Agência Ecclesia
  No passado dia 5, a Federação Portuguesa pela Vida promoveu pelo quarto ano consecutivo a “Caminhada pela Vida” que reuniu em Lisboa milhares de pessoas, num percurso entre o Marquês de Pombal e o Rossio, como o atestam centenas de fotografias que têm sido publicadas em blogues e nas redes sociais.

   Este ano, o tema da “Caminhada pela Vida” foi uma iniciativa de cidadãos materializada na petição europeia One of Us - Um de Nós que tem por objectivo obter mais de um milhão de assinaturas para que seja assegurada "protecção jurídica da dignidade, do direito à vida e da integridade de cada ser humano desde a concepção nas áreas de competência da União Europeia nas quais tal protecção se afigure relevante".

   A Iniciativa de Cidadãos é um instrumento legislativo da União Europeia aprovado pelo Tratado de Lisboa que visa aproximar mais os cidadãos das instituições europeias.

   Tal como pode ler-se no site da Federação Portuguesa pela Vida, esta iniciativa da sociedade civil empreendida por cidadãos de Portugal, Espanha, França, Reino Unido, Alemanha, Hungria e de outros estados-membros da União Europeia, e que conta com o apoio de diversas personalidades e organizações dos 27 Estados-membros, visa concretamente pedir aos legisladores europeus para consagrarem os seguintes princípios:

  1- A inclusão do princípio pelo qual "não poderá ser aprovado o financiamento de actividades que destruam embriões humanos ou que pressuponham a sua destruição".

  2- A modificação dos “princípios éticos” em matéria de investigação que regem o Programa Quadro de Investigação e Inovação da UE (2014-2020) “Horizonte 2020”.

  3- A alteração dos objectivos do Instrumento de Financiamento da cooperação ao Desenvolvimento em países externos à UE, garantindo que a ajuda comunitária tenha em conta o respeito pela vida do embrião.

  A propósito do tema de hoje, quero destacar ainda um facto que me parece inexplicável e simultaneamente preocupante.

  Refiro-me ao incompreensível e desconcertante silêncio da grande maioria dos meios de comunicação social de referência, nomeadamente os canais de televisão e os jornais diários que, de forma ostensiva, decidiram não noticiar um evento que congregou nas principais artérias de Lisboa milhares de portugueses na defesa dos valores da Vida e da Família.

  Perante uma tão escandalosa atitude por parte dos media de referência, facto que tem sido duramente criticado nas redes sociais nos últimos dias, até mesmo por alguns jornalistas, penso que é oportuno questionarmo-nos sobre o porquê de tamanho silenciamento.

  Na minha opinião, o silenciamento dos media relativamente a esta "Caminhada pela Vida", ao não a noticiarem, parece ter uma explicação óbvia.

  Ou seja, fica-se com a ideia de que os referidos meios de comunicação social têm uma agenda ideológica, atitude em tudo contrária aos princípios que devem nortear a actividade jornalística, ou seja, a isenção e a independência.

  Ao invés de noticiarem um evento que congregou milhares de pessoas na capital e que, portanto, deveria ter sido notícia, preferiram silenciar ostensivamente uma manifestação da sociedade civil.

  Pode assim deduzir-se que tais meios de comunicação social estão de algum modo a exercer um certo tipo de censura assente única e exclusivamente em preconceitos ideológicos, facto que por si só deve deixar-nos preocupados, uma vez que vivemos formalmente numa Democracia e num Estado de direito.