21 de março de 2013

TU ÉS PEDRO E SOBRE ESTA PEDRA EDIFICAREI A MINHA IGREJA

Fonte: news.discovery.com / Rosella Lorenzi


 Onde houver dúvida, que eu leve a fé.  
 Onde houver trevas, que eu leve a luz.
                                                             da Oração de São Francisco de Assis  
                                                                 

  No passado dia 13 o mundo católico rejubilou com a eleição do Papa Francisco I como sucessor de Pedro, bispo de Roma e Sumo Pontífice da Igreja Católica.

  Quando ao fim da tarde do segundo dia do Conclave, ante a expectativa de uma multidão reunida na Praça de São Pedro, saiu o tão esperado “fumo branco” da chaminé da Capela Sistina, era o sinal de que o Colégio Cardinalício acabava de eleger um novo Pontífice.

  A partir daquele momento, e até ser anunciado a Roma e ao Mundo Habemus Papam, muitos milhões de católicos questionavam-se sobre quem seria o sucessor do Papa Bento XVI e qual o seu perfil.

 Ao ser conhecido o nome de Jorge Mario Bergoglio, de 76 anos de idade, Arcebispo de Buenos Aires, que agora se tornava no Papa Francisco I, constatou-se mais uma vez, tal como há 8 anos com a eleição de Bento XVI, que as previsões de muitos vaticanistas estavam bem distantes da realidade e não se confirmavam. E, no caso do Papa Francisco I, com o facto acrescido de que o Arcebispo de Buenos Aires não constava da lista dos prováveis “papabili”.

  À eleição e ao anúncio do novo Papa seguiu-se um natural regozijo e entusiasmo das pessoas, acompanhado simultaneamente de alguma expectativa sobre o cunho próprio que Francisco I irá imprimir ao seu Pontificado.

  É importante não esquecer que as circunstâncias que conduziram à realização do Conclave no qual foi eleito o actual Papa, foram tudo menos circunstâncias normais.

  Com efeito, a notícia da renúncia de Bento XVI feita a 11 de Fevereiro foi recebida com enorme surpresa e apreensão pela generalidade dos católicos espalhados pelo mundo, a começar por muitos membros da hierarquia da Igreja.



Estátua de São Pedro na Basílica de São Pedro no Vaticano


  Como referia então Bento XVI: “Dei este passo com plena consciência da sua gravidade e também da sua novidade”.

  É um facto que a renúncia de Bento XVI constituiu uma situação totalmente inesperada para os milhões de católicos espalhados por todo o mundo.

  O Pontificado de Francisco I que agora se inicia será certamente objecto de muitas e das mais variadas análises e comentários, em particular sobre um dos aspectos que, desde já, vai dando sinais claros do cunho próprio que o actual Papa quer imprimir à Igreja, tal como afirmou no primeiro encontro com a imprensa mundial: "Como eu gostaria de uma igreja pobre para os pobres.”

  É de esperar, pois, que alguns sectores mais progressistas da Igreja, nomeadamente os defensores da Teologia da Libertação, tentem apropriar-se desde já desta afirmação do Papa Francisco I e utilizá-la em proveito próprio para justificarem algumas das suas posições.

  Quando analisarmos e comentarmos os vários momentos do actual Pontificado que irão suceder-se, parece-me essencial ter sempre como pano de fundo a renúncia de Bento XVI ocorrida a 28 de Fevereiro. Ou seja, não é possível esquecer a grave situação interna da Igreja herdada pelo actual Papa Francisco I.

  A confirmá-lo estão as palavras do então Pontífice, agora Papa emérito Bento XVI, proferidas antes da sua renúncia, ao realçar que Jesus "denunciou a hipocrisia religiosa”: "o rosto da Igreja é por vezes desfigurado por pecados contra a unidade da Igreja e divisões do corpo eclesiástico”.

  No momento em que se inicia o Pontificado de Francisco I e, ao aproximar-se a Semana Santa, penso que esta é a altura adequada para uma reflexão profunda sobre aquelas  palavras sábias e ao mesmo tempo preocupantes do seu antecessor, Bento XVI.

28 de fevereiro de 2013

"Grândola Vila Morena" utilizada como arma política para tentar calar membros do Governo de Centro-Direita

Fonte: SIC Noticias

Nas últimas semanas, vários membros do actual Governo, entre os quais ministros e Secretários de Estado, e o próprio Primeiro-Ministro, têm sido recebidos em diferentes cidades do país por grupos de jovens que, com atitudes totalmente despropositadas que chegam por vezes a roçar a falta de educação e a insolência, tentam impedir os governantes do uso da palavra, gritando palavras de ordem e cantando a toada já gasta da Grândola Vila Morena, tão do agrado da extrema-esquerda que, no actual contexto político-social, parece ter saudades dos idos tempos de agitação e das greves do Verão de 1975.


Numa primeira reacção às imagens que têm sido difundidas pelas televisões relativamente a tais ocorrências, dir-se-ia que esses grupos agem de forma espontânea. No entanto, a realidade parece ser bem diferente.


Ou seja, percebe-se claramente pelas suas atitudes antidemocráticas e pelo uso dos métodos de agitação a que recorrem, que têm como intuito único e exclusivo impedir que os governantes visados usem da palavra. Pode pois deduzir-se dos factos que esses jovens agem de forma claramente orquestrada e em total consonância com orientações de forças políticas da extrema-esquerda.

  
Sobre este assunto, recomendo-lhe vivamente a leitura da crónica de Henrique Raposo ' O Fascismo do 'Grândola Vila Morena' ", publicada na edição do semanário Expresso de 21 de Fevereiro. Revela a referida crónica uma análise muito lúcida e esclarecedora sobre quem são realmente esses grupos de jovens e quais os seus objectivos.


Afirma Henrique Raposo: Os novos cantadeiros do 'Grândola Vila Morena' dizem que são anti-fascistas. Bom, sobre isso nada sei, mas sei que são bons aprendizes de fascistas. Têm todas as sementes do bicho. Em primeiro lugar, revelam uma total intolerância em relação ao outro lado; há que malhar na "direita" (assim mesmo: a "direita", um bloco compacto, monolítico, desumanizado, desprezível e espezinhável (.... ). “Ela, a intolerância progressista e revolucionária, está aí, anda por aí. Até peço uma coisa: aumentem o volume da violência, continuem a mostrar que não sabem viver em democracia, que não sabem aceitar opiniões contrárias, continuem a ameaçar, continuem a ser fascistazinhos de vão de escada.” 


A terminar deixo uma sugestão aos responsáveis dos média, sobretudo dos canais televisivos. Sejam mais isentos, e mostrem aos portugueses quem são realmente esses grupos de meninos e meninas da esquerda que andam a provocar agitação e a insultar membros do actual Governo, sustentado pela maioria Parlamentar PSD-CDS e legitimamente eleito pelos portugueses em eleições livres e democráticas.




20 de dezembro de 2012

A necessidade de reavivar o verdadeiro espírito do Natal


   A 25 de Dezembro, o mundo Católico celebra um acontecimento crucial da História da Humanidade ao qual nenhum povo ou civilização ficou indiferente ao longo dos últimos vinte séculos.

   Comemora-se na noite de 24 para 25 de Dezembro o Nascimento do Deus Menino em Belém, o Príncipe da Paz, símbolo da união entre os homens e que veio trazer à Terra o espírito da Paz, da Concórdia e da Felicidade entre os povos.

    Ao longo de séculos, o autêntico espírito cristão da entrega ao próximo e da procura do bem comum, infundiu e fez florescer nos mais diversos povos, e de forma especial na Europa, uma série de riquíssimos costumes e tradições carregados de simbolismo, alusivos à quadra do Natal. Esses símbolos e tradições reflectem-se nas mais diversas áreas da existência humana desde a música, a gastronomia, as artes decorativas e, muito especialmente, no hábito secular de fazer o Presépio tanto nas casas como nos espaços públicos. Enfim, um sem-número de formas de celebrar uma data que deveria ser sobretudo evocada pelo seu carácter religioso profundo e, por excelência, o momento do ano para a celebração do verdadeiro espírito de Família.

   No entanto, algumas das sadias e seculares tradições da Quadra Natalícia vão-se perdendo gradualmente, sobretudo em resultado do estilo de vida agitado do mundo contemporâneo em que o sentido religioso do Natal cristão, nalguma medida, se vai perdendo, sendo substituído por um excessivo consumismo que vai conduzindo paulatinamente ao esquecimento daquilo que é a essência do Natal Cristão.

   O laicismo militante que vai sendo imposto às sociedades actuais, vai relegando para um segundo plano a evocação do carácter sagrado de certas festas religiosas católicas nos espaços públicos, remetendo-as para a esfera privada. Esse tem sido um factor determinante para a laicização do mundo contemporâneo, e contribuído simultaneamente para o abandono gradual da vertente sagrada de algumas tradições natalícias.

   A celebração do Nascimento de Cristo, que deveria ser o ponto central de todas as atenções durante a quadra natalícia, mormente em países de antiquíssima tradição católica como é o caso de Portugal, vai dando lugar a um materialismo e um consumismo difusos, a tal ponto que, para muitos dos nossos contemporâneos, o Natal parece reduzir-se à mera troca de lembranças e pouco mais.

   Mas, perante a investida deste laicismo militante que se vai disseminando pela outrora Europa cristã, vão surgindo aqui e ali movimentos de sadia reacção que se reflectem em actos públicos realizados por inúmeras famílias.

   Refiro-me ao movimento que em 2009 foi iniciado em Espanha por um grupo de famílias católicas e que, face à investida de laicização da sociedade, sentiram necessidade de afirmar publicamente a sua fé e, por ocasião do Natal, lançaram uma campanha de divulgação de estandartes com o Menino Jesus para serem colocados em janelas e varandas.

   Essa iniciativa teve uma enorme adesão em Espanha aquando do seu lançamento, de tal modo que muitas famílias portuguesas também aderiram a essa boa iniciativa que continua no presente ano.

   Desde o início do Advento é possível ver, em várias cidades do nosso país, e também em Vila Real, algumas centenas de estandartes de Natal, numa afirmação clara da adesão de muitas famílias cristãs ao espírito religioso e sagrado do Natal.

   Iniciativas como esta são cada vez mais necessárias para fazer renascer o verdadeiro espírito do Natal, ou seja, o Natal cristão.

   Um Santo Natal para si!

  


13 de dezembro de 2012

A Igreja no banco dos réus e a nova Inquisição mediática

    Pe. Gonçalo Portocarreo Almada durante a apresentação do livro
 Auto-de-Fé, na Sociedade Histórica de Independência Nacional

  É patente a crise de valores que, nos dias actuais, vai alastrando de forma generalizada a todo o Ocidente. Um dos reflexos dessa crise são os crescentes ataques à Igreja Católica.

   Com frequência, e a pretexto da ocorrência de certos actos praticados por alguns membros do clero e condenáveis à luz da Doutrina e da moral católica, alguns meios de comunicação, em particular as televisões, relatam tais actos de um modo totalmente desproporcionado e por vezes tendencioso. Desta forma, conseguem incutir na opinião pública, nomeadamente entre muitos católicos, uma ideia de culpa relativamente à Igreja Católica, instituição que moldou a história e a cultura do Ocidente ao longo de 20 séculos, mas que actualmente, vítima dos ataques de que tem sido alvo, está sentada no banco dos réus.

   A este propósito venho recomendar-lhe a leitura de um livro recentemente publicado e intitulado: Auto-de-Fé – A Igreja na Inquisição da opinião pública. Trata-se de uma longa entrevista de Zita Seabra ao Padre Gonçalo Portocarrero de Almada, publicada pela Aletheia Editores.

   É um livro esclarecedor, que nos alerta para uma situação preocupante, ou seja, para a perda de influência da Igreja católica nas sociedades actuais, em grande medida devido à influência do laicismo militante na legislação e nos costumes dos modernos Estados e nas sociedades do Ocidente.

   Deixo-lhe aqui as palavras do Pe. Gonçalo Portocarrero Almada a iniciar o livro e que sintetizam bem o conteúdo do mesmo: “Houve um tempo em que a Igreja depunha os reis que não lhe eram submissos, anatematizava os infiéis e excomungava os hereges. Mas hoje, no início do terceiro milénio da era cristã, é a Igreja que se senta no banco dos réus da nova inquisição: a opinião pública. O Papa, os bispos, os padres, os religiosos e os leigos são constantemente inquiridos sobre as razões da sua fé.” 

   Fica aqui uma sugestão de leitura para reflexão nesta quadra natalícia.

22 de novembro de 2012

AS DECLARAÇÕES DE ISABEL JONET À SIC E OS PRECONCEITOS IDEOLÓGICOS DA ESQUERDA

  
  Nos próximos dias 1 e 2 de Dezembro terá lugar, uma vez mais, em várias cidades do país a campanha anual do Banco Alimentar contra a fome. Esta iniciativa decorre há 20 anos, graças à determinação e à iniciativa de Isabel Jonet, Presidente dos 19 Bancos Alimentares integrados por inúmeros voluntários e que, diariamente, distribuem por todo o país mais de 100 toneladas de alimentos para fazer chegar às pessoas mais carenciadas bens de primeira necessidade.

  Numa entrevista concedida por Isabel Jonet à SIC Notícias, no dia 6 de Novembro, que teve como tema de fundo a acção dos Bancos Alimentares, e onde foi abordado o momento de emergência social que se vive actualmente em Portugal e o enorme ajustamento económico a que o país está sujeito, a Presidente daquela instituição realçou a necessidade de Portugal se libertar da omnipresença do Estado na sociedade. Ou seja, a necessidade de grande parte das empresas portuguesas deixar de viver dependente das garantias dadas pelo Estado para a realização dos seus negócios, situação que, em última análise, acaba por não ser boa nem para a sociedade nem para a economia, uma vez que não é geradora de riqueza.

  A determinada altura da entrevista, a Presidente do Banco Alimentar afirmou: “Temos de aprender a viver mais pobres.”  Com esta afirmação, não era certamente intenção de Isabel Jonet transmitir a ideia de que os portugueses têm de viver pobres. Ela queria tão-somente referir-se à necessidade de os portugueses se habituarem a viver nos próximos anos com mais parcimónia, aprendendo a dar mais valor ao dinheiro ganho e a evitarem o desperdício.

  Ora, uma tal afirmação feita certamente sem segundas intenções, foi o suficiente para desencadear um coro de protestos em vários sectores da esquerda que rapidamente se apressaram em espalhá-la pelas redes sociais, deturpando o seu sentido, tentando com isso ridicularizar Isabel Jonet e acusando-a de fazer caridadezinha, acabando, em última análise, por desencadear uma campanha pessoal contra a Presidente do Banco Alimentar. Ao fazê-lo acusaram-na de insensibilidade social, e houve até pessoas que chegaram a pedir a sua demissão daquela instituição.

  O coro de protestos da esquerda contra as palavras proferidas por Isabel Jonet foi de tal forma amplificado pelos media, que se chegou ao ponto de, numa atitude claramente fundamentalista, incitar as pessoas a não contribuírem este ano com donativos para a campanha do Banco Alimentar.

  A este propósito, é oportuno recordar o excerto de um texto de Isabel Jonet, publicado no passado dia 20 na página do FB na comunidade Isabel Jonet, 20 anos a alimentar Portugal: “As considerações teórico-politico-filosóficas são absolutamente inúteis se em nada servirem para colmatar o problema de que aqui se trata: a fome… temos de ter sempre presente a ideia de bem-comum [….] “Para aqueles que dantes contribuíam para o Banco Alimentar e que agora se propõem a não dar nada, peço que façam o exercício de saber separar a pessoa da instituição, são coisas diferentes. Não me parece que faça muito sentido, deixar de ajudar por 6 minutos de discurso; as pessoas que passavam fome, continuam a passar, e continuam a precisar de ajuda.” 

  No presente momento de ajustamento económico que Portugal está a viver, a acção de instituições como o Banco Alimentar é crucial para alguns sectores da sociedade mais carenciados. Perante tal situação, considero que o incitamento radical e fundamentalista de alguns sectores da esquerda, com base em preconceitos meramente ideológicos, para que os portugueses não contribuam com donativos para a campanha do Banco Alimentar, revela, isso sim, uma atitude de total insensibilidade social para com as pessoas mais necessitadas, em última análise uma atitude que procura obter única e exclusivamente dividendos políticos.

   É fundamental que os portugueses continuem a apoiar esta iniciativa louvável que já tem duas décadas de existência e não se deixem influenciar pelas vozes sedutoras daqueles que, de uma maneira fácil e irresponsável, incitam continuamente à revolta e à agitação e pouco se preocupam com as pessoas mais carenciadas.

11 de outubro de 2012

Os transportes urbanos de Vila Real e a necessidade de rigor e transparência da Câmara Municipal de Vila Real

Hoje, dou-lhe conta da polémica que surgiu recentemente em Vila Real, em torno da concessão dos transportes urbanos por mais 20 anos à empresa Corgobus.


Em recente conferência de imprensa sobre este assunto, o CDS-PP de Vila Real alertou para o facto de a maioria do PSD na Assembleia Municipal ter dado aval à proposta do Executivo Municipal para a referida concessão, sem que para tal seja aberto um concurso público internacional.

Em minha opinião, a decisão da maioria PSD que suporta a proposta do Executivo camarário, de não abrir um concurso público, é no mínimo estranha, deixando passar para os munícipes a ideia de se estar a privilegiar uma empresa em detrimento de outras.

Tal como referiu o CDS-PP na conferência de imprensa, e cito: “O alerta e o voto contra do CDS-PP assentam em dois pontos fundamentais: o primeiro que remete para o não cumprimento do caderno de encargos colocado a concurso público em 2004, e o segundo que não salvaguarda a nível do futuro, os interesses dos munícipes.”

 

Um dos pontos que também quero realçar na tomada de posição do CDS-PP é o incumprimento de um dos pressupostos do contrato de concessão ainda em vigor e que diz respeito à utilização de veículos novos que permitam o transporte dos cidadãos portadores de deficiência. Ora, tais veículos não estão a ser utilizados pela empresa concessionária.

De forma inexplicável, a proposta do Executivo Municipal é pouco clara, também no que se refere ao combustível a ser utilizado pelos veículos dos transportes urbanos. Ou seja, a proposta não considera a possibilidade de utilização de combustíveis alternativos, nomeadamente do gás natural que é mais barato e menos poluente que o gasóleo, sendo que em Portugal e na Europa se está a apostar fortemente na utilização do gás natural nos transportes públicos.

Acresce ainda o facto de a utilização deste combustível permitir uma redução de 50% na subvenção anual do Município à Corgobus, o que resultaria numa poupança total de 4 milhões de euros para a concessão prevista durante mais 20 anos à empresa Corgobus.

Por que motivo abdica o Executivo Municipal da poupança de um montante tão elevado na subvenção à Corgobus?

Na actual situação de emergência nacional, em que a maioria dos portugueses está a passar por um período particularmente difícil das suas vidas, sendo-lhes exigido grandes sacrifícios durante os próximos anos, é para mim inexplicável e desconcertante verificar que o Executivo Municipal não seja o primeiro a dar o exemplo de transparência incontestável e inequívoca nas suas propostas, deixando, pelo contrário, ficar a pairar a ideia de que pode estar a haver favorecimentos no que diz respeito à concessão dos transportes urbanos.

Fica-se com a ideia de que, uma tal atitude do Executivo Municipal não será provavelmente bem acolhida aos olhos da opinião pública em geral, e dos munícipes de Vila Real em particular, numa altura em que os portugueses exigem dos políticos um rigor e uma transparência cada vez maiores no cumprimento das suas propostas políticas e da utilização dos dinheiros públicos.

31 de julho de 2012

Barca Velha - 'uma das glórias do Douro é obra de génio e uma obra de cultura'

Fonte: wook.pt
  
  Aproveito a ocasião deste último reparo antes de regressar em Setembro para recomendar-lhe para leitura de férias o livro Barca Velha - Histórias de um vinho, publicado em Maio deste ano e editado pela Oficina do Livro.

   Ao assinalar-se em 2012 o 60º aniversário da primeira colheita declarada Barca Velha em 1952, Ana Sofia Fonseca, autora da obra Barca Velha - Histórias de um vinho, conduz o leitor com a sua escrita agradável e fluente, mas simultaneamente intimista, até ao mundo do famoso e lendário vinho Barca Velha criado pela vontade, pela determinação e pelo génio de um homem: Fernando Nicolau de Almeida.

   Com base numa pesquisa jornalística minuciosa realizada em finais de 2003 e 2004 e em 2010 e 2011, e também fruto do precioso contributo de muitos testemunhos, a autora conta-nos as “histórias que fazem a história do Barca Velha”.

   Transportando-nos até ao século XIX, ela relata-nos as origens remotas do Barca Velha na Quinta do Vale Meão, criada pela determinação e tenacidade de D. Antónia Adelaide Ferreira, a Ferreirinha que arrematou baldios do Monte Meão, no concelho de Foz Côa em 1877 e dez anos mais tarde iniciou o cultivo de vinhas na Quinta do Vale Meão.

   A propósito deste lendário vinho que é declarado em anos realmente excepcionais, razão pela qual nos últimos 60 anos saíram apenas 17 colheitas Barca Velha, Francisco José Viegas refere-se-lhe com respeito e admiração como se pode depreender das suas palavras no prefácio da obra:  “ O Barca Velha faz parte daquilo que o Douro não pode dispensar. Mais do que isso: é uma das glórias do Douro, só possível com essa contribuição de homens como os Nicolau de Almeida, os Soares Franco – a eles devemos a construção de uma mitologia danada, inscrita nas águas do rio dos milagres e nas tentações de quem ama verdadeiramente o seu ofício. (…) O Barca Velha, com o seu rasto de afrontas ao país pequenino e vulgar (ultrapassando-o, humilhando-o, e à sua mediocridade), é obra de génio ( …) Na sua história está a história de uma paixão pelo vinho e de uma obra de cultura (…)    A nossa alma tem uma enorme dívida de gratidão para com os seus criadores”.

   Boa leitura e boas férias!

19 de julho de 2012

D. Januário Torgal Ferreira e as desconcertantes e polémicas declarações à TVI

   
   “O Governo é profundamente corrupto”; “Eu não acredito nestes tipos, em alguns destes tipos, porque lutam pelos seus interesses, têm o seu gangue, têm o seu clube e pressionam a comunicação social”; “O anterior Governo, que foi tão atacado, era composto por um conjunto de anjos, ao pé destes diabinhos negros que acabam de aparecer”.

   Depois de ouvir estas polémicas afirmações, transcritas do sítio PT Jornal, Plataforma de Comunicação, o ouvinte pensará certamente que as mesmas terão sido proferidas por algum socialista ou até mesmo por um comunista indignado com certas medidas do actual governo PSD-CDS.

   Talvez fique estupefacto se lhe disser que foram proferidas por D. Januário Torgal Ferreira, actual Bispo das Forças Armadas.

   Reputo de indecorosa a linguagem utilizada pelo Bispo das Forças Armadas em entrevista ao programa Política Mesmo da TVI, na passada terça-feira dia 17.

   É necessário ter em consideração que as afirmações de D. Januário Torgal Ferreira, para além de serem caluniosas, foram proferidas por alguém que pertence à Hierarquia da Igreja Católica. De um alto representante da Hierarquia da Igreja espera-se sempre que utilize decoro na linguagem, o que infelizmente não foi o caso nesta entrevista. A linguagem utilizada por D. Januário Torgal Ferreira, para além de indecorosa foi pouco consentânea com a posição ocupada por um prelado da Igreja.

  Foi com enorme espanto que constatei que D. Januário Torgal Ferreira, ao proferir um violento ataque verbal à actual governação PSD-CDS-PP e ao acusar o Governo de corrupto, chegando a compará-lo com o Estado Novo de Salazar, pretendeu claramente desculpabilizar os anteriores governos socialistas de José Sócrates ao afirmar: “O anterior Governo, que foi tão atacado, era composto por um conjunto de anjos, ao pé destes diabinhos negros que acabam de aparecer.”

   É muito sintomático que os portugueses não tenham assistido a idêntica postura deste prelado da Igreja aquando dos graves escândalos políticos e económicos dos dois últimos governos socialistas e à situação de bancarrota a que José Sócrates e os seus governos conduziram o país.

   Será que D. Januário Torgal Ferreira andava distraído quando tais escândalos ocorreram? E que leitura faz desses escândalos?

  E onde estava a voz da indignação de D. Januário Torgal Ferreira aquando da discussão e aprovação das leis socialistas contra a Família, como a lei do aborto e do pseudo-casamento homossexual, durante a governação de José Sócrates?

   Numa altura em que muitos católicos e a maioria dos portugueses precisavam de ouvir uma posição clara do Episcopado relativamente à discussão e aprovação de tais medidas, não me recordo de ter ouvido declarações reveladoras de uma posição firme e enérgica por parte de D. Januário Torgal Ferreira perante o conjunto de leis anti-Família que estavam a ser discutidas.

   Onde estava a voz de alerta do Bispo das Forças Armadas aos católicos perante a iniquidade das referidas leis?

   Que desconcertante e enigmática atitude, a que foi assumida por D. Januário Torgal Ferreira na entrevista dada à TVI ao intrometer-se em questões do foro político-ideológico que, em bom rigor, não competem a um bispo da Igreja Católica.

   Cada vez vai ficando mais clara, para muitos católicos e para os portugueses, a colagem de D. Januário Torgal Ferreira a posições ideológicas da esquerda e a sua intromissão em questões do foro político-ideológico, sobretudo quando se trata de dirigir invectivas contra membros de um governo de Centro Direita eleito democraticamente.

   Para D. Januário Torgal Ferreira o respeito pelo princípio dos governos eleitos democraticamente parece aplicar-se apenas aos governos oriundos da esquerda.

   A terminar quero expressar também a minha apreensão pela posição da Conferência Episcopal Portuguesa relativamente às afirmações de D. Januário Torgal Ferreira, através das declarações do seu porta-voz, o padre Manuel Morujão, à agência Lusa, que se limitou a afirmar: «São declarações a nível individual. Não está expresso o entendimento da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP)».

   Face ao grave teor das polémicas acusações proferidas por D. Januário Torgal Ferreira contra o actual Governo de Portugal e à linguagem pouco decorosa por ele utilizada na entrevista à TVI, seria de esperar uma posição mais firme e enérgica por parte da Conferência Episcopal e não uma mera demarcação, ou por outras palavras, um lavar as mãos como Pilatos face ao conteúdo das gravíssimas declarações proferidas pelo Bispo das Forças Armadas.