13 de janeiro de 2011

O massacre de Tucson e a manipulação dos factos para fins políticos



 O massacre de Tucson, no Arizona, perpetrado pelo jovem de 22 anos, Jared Lee Loughner, vitimou mortalmente 6 pessoas e deixou ferida com gravidade a congressista Democrata Gabrielle Giffords.

 Quase de imediato, os factos ocorridos começaram a ser aproveitados com fins políticos por certos sectores da esquerda americana e de alguma esquerda europeia.

 Uma tese infundada e gratuita sobre os mesmos foi rapidamente disseminada através de meios de comunicação social de relevo e com influência na opinião pública como são o New York Times e o El País.

  Procurava-se com esta estratégia lançar uma cortina de fumo sobre o que realmente se passou e as motivações para o massacre.

  Com efeito, logo após o massacre, o New York Times, no artigo “Climate of hate” (Clima de ódio), assinado por Paul Krugman, e o El País, no seu editorial de dia 10 de Janeiro, tentaram fazer passar de forma subtil e convincente a versão nada fundamentada de que este massacre poderia ter motivações políticas.

  Paul Krugman afirmava no seu artigo de opinião: “É verdade que o atirador no Arizona parecia estar mentalmente perturbado. Mas isso não significa que este acto possa ou deva ser tratado como um acontecimento isolado, não tendo nada a ver com o ambiente que se vive a nível nacional.”.

 Ou seja, Paul Krugman sugere de forma subtil a ideia de que um certo clima de ódio existente nos Estados Unidos poderia motivar atitudes deste tipo, fazendo uma analogia com o ambiente que se viveu após a eleição de Bill Clinton em 1992 e que culminou com o massacre à bomba de Okhlaoma.

  Também no editorial do El Pais, fez-se passar a mensagem de que a brutalidade de um tal massacre seria resultante do clima de crispação nos Estados Unidos que teria sido criado pelo Tea Party, sobretudo na corrida eleitoral que levou à derrota dos Democratas nas recentes eleições legislativas intercalares de Novembro de 2010.

  O clima de insinuações que rapidamente se espalhou pela imprensa deixava no ar a ideia de que a Governadora do Alasca, Sarah Palin e o Movimento Tea Party estariam de algum modo vinculados aos factos ocorridos.

  Esta versão dos acontecimentos também teve eco nalguns jornais portugueses, como o Público, que reproduziu a mesma ideia veiculada pelo El Pais.

  Mas, a refutação destas acusações infundadas não se fez esperar. Num artigo de opinião intitulado: "Massacre, followed by libel" (Massacre, seguido de um libelo) assinado por Charles Krauthammer e publicado no Washington Post, desmonta-se a ideia segundo a qual o jovem Jared Lee Loughner teria agido por motivações políticas e por ódio. Baseando-se em afirmações de colegas do jovem divulgadas pelo Wall Street Journal, Krauthammer mostrou não terem existido quaisquer motivações políticas, mas apenas um comportamento paranóico.

  A quem interessará então a estratégia de interpretação e divulgação dos factos tão distante da realidade dos mesmos?

  Em minha opinião, esta estratégia serve apenas os intuitos daqueles que, de forma pouco escrupulosa parecem dispostos a lançar mão da manipulação e da calúnia para tentarem salvar do naufrágio político em que vai soçobrando a figura política de Obama e da sua corrente de radicais Democratas.

6 de janeiro de 2011

A necessidade do activismo político na Internet - HAZTEOIR.ORG - Um Caso de Estudo

Apresentação do livro "Proyecto Zapatero - un asalto a la sociedad"
Na última década, a necessidade de comunicação e da intensa troca de ideias entre as pessoas fez surgir uma realidade no vasto universo de recursos disponíveis na Internet.

Refiro-me aos blogues pessoais, realidade que, rapidamente, conduziu ao surgimento de um outro tipo de blogues, ou seja, blogues criados por grupos de indivíduos com o objectivo de afirmarem posições ideológicas e determinados princípios e valores.

Dispondo deste meio de comunicação extremamente eficaz, em inúmeros países, amplos sectores da sociedade viam assim abrir-se janelas de oportunidade para um tipo de actuação até há poucos anos impensável, ou seja, a capacidade de reunir centenas e até mesmo milhares de pessoas em torno de uma ideia com o objectivo de desenvolver actuações de cariz político e ideológico através da Internet.

Deste modo, a sociedade civil passava a dispor de um meio extremamente eficiente para fazer ouvir a sua voz e os seus anseios tanto nos círculos políticos como nos meios de comunicação social, e por conseguinte tentar influenciar de forma decisiva e quase imediata a discussão, aprovação, modificação e até mesmo o chumbo de determinadas leis por parte dos decisores políticos.

Perguntar-se-á a esta altura por que motivo venho abordar hoje este assunto?

Com efeito, considero que, no ambiente que se vive actualmente em Portugal de tentativa de imposição de uma ideologia do Estado, torna-se cada vez mais urgente e necessário o surgimento de organismos da sociedade civil actuantes que marquem a sua presença na Internet e desenvolvam acções eficazes em defesa de causas e de valores e que incomodem o poder político instalado.

Ao fazer esta afirmação, tenho presente a acção contínua e extremamente eficaz da associação civil Hazteoir, fundada em Espanha por Ignacio Arsuaga em 2001, que conseguiu congregar à sua volta um grupo de amigos preocupados com a situação de crise moral e ideológica que alastra actualmente a toda sociedade espanhola.

Dedicados ao activismo político no sector conservador, baseando a sua acção no humanismo cristão e determinados em assumir posições e realizar acções que, segundo eles, levarão certamente a mudanças de fundo na sociedade espanhola, escolheram como seu principal veículo de acção e de comunicação o portal do cidadão activo http://www.hazteoir.org/.

Através deste portal têm desenvolvido ao longo dos últimos anos uma série de campanhas em defesa dos valores da Família, com resultados muito concretos em termos de alteração de certos aspectos da legislação proposta pelo actual governo socialista de Rodrigues Zapatero.

No Simpósio e-Democracy, que poderia traduzir-se por Ciberdemocracia ou Democracia Digital, realizado em Abril de 2007, a actuação da associação Hazteoir.org foi um dos casos de estudo no Conselho da Europa como exemplo da participação dos cidadãos através da Internet.

Uma das mais recentes campanhas desta associação é a divulgação do livro "Proyecto Zapatero -Cronica de un asalto a la sociedad"  (Projecto Zapatero – Crónica de um assalto à sociedade) -http://www.proyectozapatero.org/ publicado recentemente no portal http://www.hazteoir.org/ e disponível para aquisição a partir do mesmo.

Trata-se de um estudo da maior importância e actualidade que permite ao leitor aperceber-se do processo gradual de transformação radical dos valores, tradições e costumes da sociedade espanhola.


Apresentação do livro "Proyecto Zapatero - un asalto a la sociedad"



Os seus autores, Ignacio Arsuaga e Vidal Santos, mostram de forma pormenorizada como tem vindo a desenvolver-se um “projecto tirânico destruição de uma nação, a espanhola” ocultado pela utilização das palavra talismânicas “progresso”, “tolerância” e “democracia”.

Nesta obra fica também patente a forma como a Esquerda, através das suas influências tentaculares, tenta com alguma eficácia controlar grande parte do mundo académico e da cultura e impor a toda a sociedade espanhola as suas ideias como sendo as únicas politicamente correctas.

De destacar ainda um capítulo onde se aborda pormenorizadamente um dos objectivos do projecto socialista para Espanha, ou seja a domesticação da oposição de Direita. Segundo palavras do próprio Zapatero em 2007, e cito “ a direita tem que refundar-se cultural e ideologicamente. O melhor desta etapa é que vai terminar inevitavelmente numa direita europeia, democrática, refundada”. Como pode depreender-se das palavras de Zapatero seria uma direita aggiornata que cederia nos seus princípios e valores acabando por vergar-se aos ditames do Estado socialista.

Em Portugal também é claramente perceptível nos dias actuais um processo gradual de tentativa de destruição da identidade da Nação portuguesa levado a cabo pelo actual poder socialista, à semelhança do que está a passar-se na vizinha Espanha, razão pela qual recomendo vivamente a leitura desta obra.
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Origem das fotografias: http://www.flickr.com/photos/hazteoir



30 de dezembro de 2010

Retrospectiva sobre o Ano 2010


O clima de euforia normalmente visível durante as festas de Passagem de Ano, com a esperança num Novo Ano melhor que o ano que termina, faz-nos por vezes esquecer algumas apreensões que marcaram o ano de 2010 e outras que se podem perspectivar para o Novo Ano que vai começar.

  Deste modo, torna-se quase obrigatório fazer uma retrospectiva sobre o Ano de 2010.

  Sendo impossível abranger pormenorizadamente todos os acontecimentos de relevo que marcaram 2010, optei por seleccionar alguns que considero mais significativos quer do ponto de vista nacional quer internacional.

  Um dos factos do ano de 2010, em Portugal, são as Comemorações do Centenário da República.

  Em minha opinião, estas comemorações ficaram marcadas por dois aspectos que quero destacar. Por um lado, foi possível constatar que a adesão da população às comemorações foi praticamente nula. Como afirmaram alguns comentadores políticos, o Centenário da República foi comemorado pelas entidades oficiais, mas não pela sociedade.

  A razão de ser dessa falta de adesão da sociedade às comemorações do Centenário prende-se, a meu ver, com o segundo aspecto, ou seja, com o carácter eminentemente jacobino que rodeou muitos dos eventos.

  De forma hábil, os responsáveis pelas comemorações do Centenário, limitaram-se a celebrar o período da 1ª República, omitindo, por conveniência política quase meio século da História de Portugal que correspondeu à 2ª República, ou Estado Novo.

  Além disso, as comemorações do centenário ficaram ainda marcadas pelo espírito sectário da República com a promulgação do pseudo-casamento homossexual. Nas palavras de Vale de Almeida, o deputado da esquerda radical ao serviço do Partido Socialista, que apresentou esta lei, referiu que a mesma foi proposta como expressão do Centenário. Acrescentaríamos nós, como expressão ideológica do centenário.

  Para além das comemorações do Centenário, não poderia deixar de mencionar um outro facto que terá repercussões negativas em toda a sociedade portuguesa durante o ano de 2011. Refiro-me à confirmação dos piores prognósticos sobre a nossa situação económico-financeira. Paralelamente a essa situação, os portugueses vão-se apercebendo das mentiras oficiais difundidas pela máquina de propaganda do Governo Socialista, na tentativa de esconder o seu fracasso político.

  Esta gravíssima crise que se vive em Portugal, inserida na actual crise do modelo europeu e à qual não é alheio o fracasso do Estado social, veio levantar a discussão sobre um tema que há dez anos atrás parecia impossível, ou seja, saber se o Euro é viável ou não.

  A nível europeu, vai sendo cada vez mais perceptível que as esquerdas continuam sem um discurso coeso e credível perante as opiniões públicas, dado que o seu modelo de sociedade, assente numa forte presença do Estado Social, deixou de entusiasmar amplos sectores conservadores de Direita que se vão afirmando gradualmente por toda a Europa e consequentemente ganhando eleições em vários países.

  É curioso constatar que, perante as novas propostas conservadoras de Direita que vão surgindo um pouco pela Europa fora, começou a renascer durante os últimos meses deste ano o terrorismo de extrema-esquerda patente nos recentes atentados a embaixadas em Roma e, anteriormente na Grécia.

  Um dos factos, senão o facto mais importante, a nível internacional durante o ano 2010 foi a reviravolta política que se operou nos Estados Unidos com as recentes eleições intercalares.

  Barack Obama que há dois anos ao vencer as eleições para a Presidência dos Estados Unidos, aparecia aos olhos do povo americano como protagonista de uma nova era de prosperidade para os Estados Unidos, acabou por ser duramente derrotado nas referidas eleições, em resultado da acção eficaz do Partido Republicano que, em conjunto com o movimento Tea Party penalizaram duramente a política económica dos Democratas.

  A terminar, cito um facto de extrema importância ocorrido em Portugal, com repercussão em todo o mundo, sobretudo no mundo católico, e que encerra um sinal de esperança e nos deve dar algum alento.  

  Refiro-me à Peregrinação do Papa Bento XVI a Fátima, e à sua visita às cidades de Lisboa e Porto onde foi recebido por enormes multidões.

  A fazer fé nas notícias difundidas por muitos meios de comunicação quer nacionais quer estrangeiros antes da visita do Papa, a referida visita seria desfavorável a Bento XVI em vista de recentes divulgações sobre escândalos sexuais na hierarquia da Igreja Católica.

  No entanto, a visita do Papa a Portugal teve uma repercussão radicalmente diferente daquela que era vaticinada por muitos opinion-makers, a ponto de um prestigiado vaticanista francês ter afirmado que o ambiente religioso na Europa acabou por receber um influxo favorável, provindo da recepção que os portugueses deram a Bento XVI, contra todas as previsões.

16 de dezembro de 2010

Wikileaks: A liberdade de expressão, as fugas de informação e a segurança dos Estados



Novas formas de terrorismo contra
os Estados Unidos e a sociedade Ocidental?

  A recente divulgação, através do portal Wikileaks, de documentos que deveriam ser confidenciais por conterem dados sensíveis relativos à segurança nacional dos Estados Unidos, bem como de alguns Estados europeus, entre os quais Inglaterra, coloca-nos a seguinte questão: Será que, a pretexto da liberdade de expressão e de informação, é legítimo a um grupo de indivíduos utilizar uma plataforma como a Internet para divulgar documentos que podem vir a pôr em causa a segurança de muitos milhares de pessoas em todo o mundo e a segurança de Estados soberanos?

  De acordo com a opinião de alguns defensores da liberdade de expressão, sem qualquer tipo de restrições, mesmo quando estejam em causa questões de segurança e de defesa nacional, acções desenvolvidas por um portal como o Wikileaks não devem ser postas em causa pelos Governos dos Estados visados nos documentos revelados, dado que, tal como advogam eles, são os cibernautas quem manda na Internet.

  Segundo o fundador do Wikileaks, Julian Assange, australiano de 39 anos de idade, o objectivo do portal Wikileaks desde a sua fundação em 2006 é o de divulgar para o grande público documentos que, por questões de segurança, são normalmente tratados como confidenciais.

  Está bem explícito no portal Wikileaks que, através da utilização desta plataforma, se pretende condicionar, e se possível, paralisar a circulação de informação diplomática dos Estados Unidos e ainda, segundo os seus criadores, afectar a capacidade dos Estados Unidos em exercerem o seu poder a nível doméstico e no cenário internacional.

  Alguém menos avisado poderia argumentar de imediato que não vem qualquer mal ao mundo pelo facto de serem divulgados documentos secretos relativos a pontos estratégicos e vitais para a segurança e para a economia dos Estados Unidos e de alguns países europeus como é o caso da Inglaterra e da Alemanha.

  Ora, essa é normalmente a atitude dos ingénuos e despreocupados que acreditam que o tipo de acção como a que é levada a cabo pelo portal Wikileaks é sempre feita com a melhor das intenções, não se apercebendo eles no entanto, que isso pode pôr em risco de ameaça terrorista importantes infra-estruturas instaladas em zonas nevrálgicas para a segurança nacional de um país.

  Dos muitos milhares de documentos que o portal Wikileaks tem divulgado nos últimos meses, é de destacar o recente conjunto de telegramas enviados de representações diplomáticas americanas em vários países para a Administração norte-americana relativos às mais diversas matérias, com particular destaque para questões sensíveis como a segurança.

  Nesses telegramas diplomáticos há referências a listas de locais que podem ser considerados como potenciais alvos de terrorismo. Destacam-se entre eles, a sede da BASF, na Alemanha, de extrema importância para a segurança dos EUA, pelo facto de ser o maior complexo químico do mundo. Tal como refere também o sítio da Internet da Deutsche Welle: “a lista também menciona a região norte da Frísia Oriental e a ilha de Sylt, no Mar do Norte, como pontos de chegada dos cabos submarinos transatlânticos TAT-14 e AC-1, que garantem a transmissão de dados entre Europa e EUA”

  Estaremos a assistir à evolução de novos conceitos de terrorismo, ou seja, ao condicionamento político, económico e de segurança por parte de um organismo contra um Estado soberano como os Estados Unidos?

  Será este o prenúncio de novas formas de terrorismo a que iremos assistir durante todo o século XXI?

  Pense nisto.

10 de dezembro de 2010

"A Última Missão" do Coronel Paraquedista José de Moura Calheiros

 
Decorridos que vão 35 anos desde o fim da Guerra do Ultramar que se desenrolou entre 1961 e 1974, este assunto ainda continua a ser motivo de alguns debates, por vezes acalorados, e faz ainda correr muita tinta.

  Ou seja, passada uma geração, este período de 13 anos da nossa História recente continua a deixar algumas feridas por sarar em certos sectores da sociedade portuguesa.

  Em minha opinião, após o 25 de Abril de 1974, algumas dessas feridas foram abertas, em grande medida, em resultado de uma visão propositadamente distorcida e nociva sobre a presença de Portugal em África desde o séc. XV, veiculada por forças políticas da Esquerda alinhadas com a ideologia e a praxis marxistas e pouco ou nada interessadas em defender os superiores interesses do Estado português e da presença de Portugal durante mais de cinco séculos em África.

  Assim, desde o período do PREC, em 1975, e até à época do Governo de coligação PSD-CDS entre 2002 e 2004, presidido por Durão Barroso durante o qual Paulo Portas teve a seu cargo a pasta da Defesa, a imagem dos antigos combatentes no Ultramar português foi totalmente desacreditada, tendo a grande maioria dos antigos combatentes no Ultramar sido completamente relegada ao quase total esquecimento pelo poder político durante aproximadamente 30 anos.

  É de realçar, com toda a justiça, o trabalho notável que foi levado a cabo pelo Dr. Paulo Portas, como Ministro da Defesa, entre 2002 e 2004 para a reabilitação da imagem dos antigos combatentes na Guerra do Ultramar. Ao reabilitar a imagem dos antigos combatentes, Paulo Portas repunha definitivamente algo que era do mais elementar senso de justiça, ou seja, o Estado Português passava a reconhecer aos antigos combatentes portugueses em África o estatuto que lhes era devido, uma vez que tinham defendido os superiores interesses de Portugal, alguns deles chegando a dar as suas próprias vidas em defesa da Pátria.

  À medida que o tempo vai passando, começa a ser escrita e divulgada a verdadeira história sobre o que foi exactamente a Guerra do Ultramar, repondo-se desse modo a verdade sobre muitos actos heróicos levados a cabo nas antigas províncias ultramarinas de Angola, Guiné e Moçambique, e que, desde os tempos idos do PREC foram ocultados propositadamente a muitos portugueses.

  Nesta lógica de reposição da verdade histórica sobre a Guerra no Ultramar, foi recentemente lançada na Academia Militar, em Lisboa, com a presença de mais de 400 convidados, a obra: “A Última Missão” da autoria do Coronel Paraquedista José de Moura Calheiros, antigo combatente na Guiné.

  A obra tem como ponto central a descrição de uma operação comandada por Moura Calheiros em 23 de Maio de 1973 quando prestava serviço no Batalhão de Caçadores Pára-quedistas 12, sediado em Bissalanca, na Guiné.

  Nessa operação, que tinha como “missão restabelecer e reforçar a guarnição de Guidage, cercada pelo PAIGC, a Companhia de Caçadores Pára-quedistas 12” sofreu quatro mortos, dos quais três tiveram que ser inumados naquela localidade. Em “A Última Missão” Moura Calheiros descreve-nos ainda a Missão da Liga dos Combatentes realizada em Março de 2008 que ele integrou com a finalidade de exumar os três pára-quedistas mortos e outros sete do Exército.

  Ao ler esta obra, o leitor apercebe-se com muito realismo do modus operandi dos Páras nas operações em África, bem como os seus valores, ideais e princípios.

  Como bem observou Rui de Azevedo Teixeira no Ensaio Prefacial a esta obra e cito: “ Este é o livro de um velho beirão que (…) nada deve à sociedade. Pelo contrário, na guerra serviu-a de um modo que esta pós-heróica democracia, este tempo de pós-pathos, não compreenderia (…). Como é que um boy democrático entenderia os sacrifícios passados, durante anos e sem grandes contrapartidas financeiras, ‘ lá onde o Diabo perdeu as botas’ ?! Enfim, vive-se no pós-modernismo, segundo alguns (…) É o tempo em que os valores de tudo igual a tudo (os desportistas são “heróis”) e da auto-satisfação imediata são matraqueados pelo maior exército que jamais houve – a dita “comunicação social”, que actua dia e noite, durante todo ano, em todo o mundo”.

Ainda segundo Rui de Azevedo Teixeira, “A Última Missão, com a sua boa escrita, amplo desenho, factos fortes e consistência, é a melhor peça memorialística sobre a nossa última guerra." 

Fica aqui uma sugestão de leitura para a Quadra do Natal.

18 de novembro de 2010

A doutrinação ideológica sobre a igualdade de género


Fonte: Plataforma RN

A Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica (Ciência Viva), com o patrocínio do FINIBANCO inaugurou recentemente no Pavilhão do Conhecimento – Ciência Viva, no Parque das Nações uma exposição interactiva temporária que se prolongará até 28 de Agosto de 2011 subordinada ao tema: Sexo… e então?

Ocupando uma área de 700m2, a exposição divide-se em vários módulos onde o principal tema abordado é o sexo, sendo também apresentados diversos subtemas correlacionados.

Para os promotores, esta mostra destina-se a crianças e jovens entre os 9 e os 14 anos de idade. Segundo eles: " visa promover a igualdade entre os sexos e transmitir aos adolescentes uma percepção positiva e esclarecida do amor e da sexualidade."

Os promotores realçam o contributo, em minha opinião muito duvidoso, dado por um grupo de especialistas em educação para a infância e a adolescência para a organização da exposição.

Boa parte do espaço expositivo é dedicada à apresentação pormenorizada dos órgãos reprodutores masculino e feminino.

Recorrendo à utilização de bonecos simpáticos e divertidos, os organizadores tentam, de forma lúdica, impor às mentes das crianças e jovens que visitam a exposição a noção da permissividade sexual, falando-lhes acerca do acto sexual como um acto meramente mecânico e gerador de prazer e optando deliberadamente por omitir-lhes as noções de responsabilidade e de compromisso.

Por sua vez, a homossexualidade é apresentada como algo de natural. Num dos módulos da exposição as crianças e os jovens podem assistir a vídeos onde, deliberadamente, esta temática lhes é transmitida sem a devida contextualização, acabando por deixar nas suas mentes a ideia de que ser homossexual é algo totalmente normal, tão normal como ser-se heterossexual, o que é na realidade uma falácia.

As crianças são ainda confrontadas com alguns pormenores mais íntimos do acto sexual, facto que acaba por violentar a sua intimidade, pela simples razão de ainda não estarem preparadas física, psicológica e emocionalmente para aceitar essa realidade, por razões que deveriam ser óbvias para qualquer adulto minimamente responsável.

Também se explica às crianças e aos jovens quando utilizar a pílula e, mais uma vez, de forma totalmente deliberada, omite-se que a pílula tem efeitos abortivos.

Em resumo, podemos afirmar que através desta exposição, o actual regime socialista vai prosseguindo a sua meta radical de doutrinação ideológica sobre a igualdade de género e a permissividade sexual, procurando incutir a ideologia do género nas crianças e nos jovens.

Face a esta investida ideológica que visa, de forma manipuladora, perverter as mentes de crianças inocentes, cabe aos pais, os primeiros e principais responsáveis pela educação e desenvolvimento psicológico e emocional dos filhos, tomarem medidas enérgicas de denúncia desta situação.

Deixo aqui a sugestão para que exijam às direcções das escolas que lhes facultem informações pormenorizadas sobre as actividades ou workshops relativos a esta exposição programados para os seus filhos, e não permitam que eles participem dos workshops ou visitem a referida exposição sem a sua autorização expressa.

11 de novembro de 2010

A crise das finanças públicas, a demonização dos mercados e a ambição expansionista do neocolonialismo chinês

Fonte: Site RR/Informação

É indiscutível que a situação das finanças públicas portuguesas é preocupante, para não dizer perigosa! O mesmo se deve dizer da situação económica do país.

Numa demonstração de irresponsabilidade, o Governo do Eng.º Sócrates tem ocultado ao povo português repetida e deliberadamente a verdadeira dimensão do problema.

Com o seu estilo sempre enigmático e de maneira incompreensível, também o Presidente da República tem acabado por dar o seu aval às medidas propostas pelo Governo, que acabam sempre por se tornar ineficazes, como se verificou com os diversos PECs.

Ao fim de muitos e muitos meses de incertezas, o país assistiu a um debate do Orçamento de Estado, apresentado como um programa de austeridade que, pela sua alegada consistência e seriedade, teria obtido o aval até de instâncias internacionais.

Uma vez mais a realidade encarregou-se de desmentir as versões apresentadas. Apesar do acordo estabelecido entre o PS e o PSD para a viabilização do Orçamento do Estado, os juros da dívida soberana continuaram a subir e ultrapassaram já o valor recorde de 7%, o que de si é revelador da falta de credibilidade com que tal plano de austeridade é visto.

É curioso observar que neste ambiente de crise certos meios tentam criar um clima de demonização dos "mercados", como se fossem eles e não o Governo os responsáveis pelos desmandos do endividamento nacional.

Neste ambiente de histeria acena-se igualmente com o perigo de o FMI acabar por intervir e mandar no país. Este alarmismo parece-me desproporcionado, sobretudo quando o comparo com a naturalidade com que certo establishment político e empresarial encarou a recente visita do Presidente da China a Portugal.

Foi com naturalidade que esse establishment acolheu a intenção do regime ditatorial chinês, comandado pelo Partido Comunista, de adquirir parte da divida soberana portuguesa e de empresas chinesas - sempre com capital do Estado - entrarem no capital accionista de empresas portuguesas estratégicas.

É visível nesta atitude do regime chinês a ambição expansionista do neocolonialismo que a China tem vindo a consolidar em diversas regiões do globo.

Misteriosamente, este neocolonialismo parece não incomodar minimamente aqueles que se arrepiam com os mercados e o FMI.

4 de novembro de 2010

As eleições intercalares nos EUA e o tsunami político resultante da vitória do Partido Republicano e do Movimento Tea Party


Os resultados das eleições intercalares realizadas no passado dia 3 nos Estados Unidos tiveram como consequência imediata a alteração radical na relação de forças tanto no Congresso como no Senado.

O Partido Republicano, e sobretudo o seu sector mais conservador, o Movimento Tea Party, foram os grandes vencedores destas eleições que ditaram uma maioria Republicana no Congresso e um número muito expressivo de candidatos republicanos eleitos para o Senado.

Este facto irá condicionar de forma determinante a aprovação de certas leis, como por exemplo a legislação da reforma da saúde, para a qual é necessária uma maioria qualificada no Senado, a qual a partir de agora, não pode ser garantida apenas com os votos dos Democratas.

O tsunami político ocorrido em resultado destas eleições volta a colocar o Partido Republicano no centro das grandes decisões, tanto da política doméstica como da política externa americana.

Os Republicanos passam assim a assumir uma posição clara de bloqueio a muitas das políticas apresentadas pela Administração Obama durante os últimos dois anos. Através dessas políticas, com particular destaque para a reforma da saúde, a Administração Obama procurou legislar no sentido de um maior intervencionismo do Estado tanto na economia como na sociedade, situação pouco do agrado da generalidade dos americanos que têm um elevado apreço pela liberdade individual e pela livre iniciativa, daí terem penalizado duramente a política económica dos Democratas.

A alteração radical na relação de forças entre Democratas e Republicanos resultante destas eleições teve o seu início em 2009, em grande medida com o surgimento do Movimento Tea Party. O Tea Party é um movimento político, social conservador e liberal que surgiu há um ano como protesto contra um conjunto de leis federais como o Plano de Resgate Económico de 2008 e os projectos de reforma do sistema de saúde, projectos mal recebidos por milhões de norte-americanos.

Os membros e seguidores do Movimento Tea Party consideram que a despesa, o défice e os impostos federais são muito elevados, e tornava-se assim necessário fazerem ouvir a sua voz em Washington, tendo-se organizado e apresentado candidatos próprios tanto ao Congresso como ao Senado. Graças à sua determinação e organização alcançaram resultados surpreendentes muito para além das expectativas da generalidade dos analistas políticos e mesmo de alguns sectores do Partido Republicano.

A designação deste movimento com origem na sociedade civil inspirou-se no Boston Tea Party de 1773 que foi o ponto de partida para a Revolução Americana.

O surgimento de movimentos que se caracterizam por uma actuação eficaz e metódica visando objectivos claros e bem definidos como é o caso do Movimento Tea Party, dificilmente é compreendido e aceite pela generalidade das sociedades europeias, muito habituadas a conviver com sistemas políticos demasiado controlados pelos partidos e que deixam pouca margem de actuação à sociedade civil.

Essa dificuldade das sociedades europeias em compreender e aceitar movimentos como o Tea Party, apelidando-os de imediato de ultraconservadores e de radicais de Direita deve-se, em grande medida, a uma visão redutora daquilo que é o dinamismo e a vitalidade do sector conservador da sociedade norte-americana.

Na actual situação política e económica que Portugal enfrenta em resultado dos graves erros das políticas socialistas que mais não fazem do que engordar o Estado, o Movimento Tea Party deveria servir de inspiração aos sectores conservadores da sociedade portuguesa para se organizarem no sentido de se criar uma autêntica vaga de fundo que em poucos anos acabe por influenciar as decisões políticas, económicas e sociais e consequentemente contrariar a omnipresença do Estado na sociedade e na economia.