19 de outubro de 2017

ANTÓNIO COSTA, CALCULISTA SEM ESCRÚPULOS

Fonte: Dinheiro Vivo 
 
  Os trágicos incêndios, de proporções dantescas, ocorridos no passado fim de semana, certamente não deixaram ninguém indiferente às mais de quatro dezenas de vítimas mortais e aos cerca de 80 feridos, muitos deles em estado grave.

  Entre os incêndios de Pedrógão Grande de 17 de Junho e os do passado fim de semana, perderam a vida mais de uma centena de pessoas indefesas face à total ausência das estruturas do Estado que, na hora das tragédias, não estavam presentes para garantir a segurança e a vida dessas pessoas.

  A reacção de António Costa ao recusar assumir responsabilidades e pedir desculpa pelas vítimas mortais provocou uma enorme onda de indignação entre os portugueses. A arrogância do secretário-geral do PS e actual primeiro-ministro que pensa estar acima de qualquer escrutínio e não ter de prestar contas a ninguém, atingiu os limites do admissível.

  António Costa, mais preocupado com os calculismos políticos e com as maquinações que terá de fazer para ir-se perpetuando no poder e incapaz de assumir as suas responsabilidades como Chefe do Governo perante esta tragédia, tal como lhe competia, desrespeitou deliberadamente não só as famílias das vítimas mas todos os portugueses.

  Face à total desresponsabilização de António Costa, foi o Chefe de Estado que garantiu no seu discurso de terça-feira passada a autoridade e a respeitabilidade do Estado.

  No artigo de opinião no jornal Sol - "António Costa está ferido de morte (e Marcelo sabe-o)", João Lemos Esteves comentou o alcance político do discurso do Presidente da República.

  Afirmava ele: “Se não fosse o Presidente da República, assistiríamos a uma quebra, muito provavelmente, irrecuperável da confiança entre o Estado português e os cidadãos. Todos, quer sejam militantes do PS, do PSD, do CDS, do PCP, do Bloco de Esquerda ou de qualquer outro partido – a incompetência e a falta de sentido de Estado de António Costa chocaram qualquer cidadão que não seja sectário ou dependente funcionalmente do líder do Primeiro-Ministro.

 Para nós, o que sucedeu não foi surpresa alguma: António Costa já cometeu actos muito graves, de incompetência atroz, desde que assumiu funções como Primeiro-Ministro.

  No entanto, a protecção de que tem gozado – fruto de ter a extrema-esquerda na sua mão, bem como dos seus vastos conhecimentos na comunicação social – levou António Costa a julgar que estaria sempre acima de qualquer fatalidade.
(…)
  
  Como poderemos ficar surpreendidos com a arrogância de António Costa hoje – quando foi este mesmo António Costa que, após as mortes de Pedrógão Grande, foi de férias para Palma de Maiorca?

  Como poderemos ficar chocados com a frieza, a insensibilidade humana de António Costa – quando foi este mesmo António Costa que, após as mortes de Pedrógão Grande, a sua primeira iniciativa foi realizar um “focus group” para testar a sua popularidade e do seu Governo?

  Espera-se que a complacência com este Governo acabe de vez: quando a comunidade se demite de escrutinar o executivo, como tem sucedido relativamente à geringonça, a sobranceria e a arrogância do Primeiro-Ministro começam a ultrapassar os limites humanamente admissíveis.”

   Muito provavelmente, António Costa irá continuar durante os próximos meses a eximir-se às suas responsabilidades, “prosseguindo o seu estado de negação da evidência” relativamente às tragédias dos incêndios e isentando o seu governo de qualquer responsabilidade política. Essa atitude irá conduzir, inevitavelmente, ao desgaste e à descredibilização do seu Executivo aos olhos dos portugueses, ficando nas mãos do Chefe do Estado a decisão da demissão do governo da geringonça, situação que terá sido ponderada por Marcelo Rebelo de Sousa.






5 de outubro de 2017

CATALUNHA: O REFERENDO ILEGAL, O ATAQUE AO PODER CENTRAL DE MADRID E À COROA E A AGENDA PRÓ-INDEPENDENTISTA DOS MEDIA


  

  Os graves acontecimentos ocorridos na Catalunha nos últimos dias, decorrentes da realização de um referendo ilegal sobre a independência daquela região autónoma de Espanha, ao total arrepio das disposições da Constituição espanhola de 1978 e do Estatut que rege a Catalunha, tiveram como primeiro resultado uma enorme exposição mediática.

  Com uma imprensa nem sempre isenta, as imagens e as notícias que nos têm chegado – em particular dos vários canais de televisão – dão a ideia, aos mais desatentos e ingénuos, de uma repressão inclemente do poder central de Madrid que, por um capricho arbitrário, não quer deixar a maioria do povo catalão expressar sua vontade independentista nos votos.
  
  Ora, nada mais distante da realidade dos factos.
  
  O sentimento nacionalista, uma deturpação do autêntico desejo de regionalismo, passou a ser manipulado por correntes ideológicas diversas. Puigdemont, de uma coligação de democratas-cristãos e liberais, a CIU, é hoje refém das alianças políticas com a esquerda radical que sustenta o separatismo.
  
  Entretanto, as mais recentes eleições na Catalunha demonstraram que o independentismo estava a cair na preferência dos eleitores. Qualquer consulta popular autêntica demonstraria que mesmo entre os catalães o apoio à independência não era maioritário. Assim, o interesse de Puigdemont e de todos os que o apoiam no seu governo seria embrenhar-se pelo caminho da ilegalidade e do caos.   Afrontando abertamente a Constituição espanhola e aprovando, ilegalmente, no Parlamento catalão, leis de ruptura com o Estado espanhol e com a Coroa, o executivo de Puigdemont encaminhou a situação para o confronto.

  O objectivo primordial era o de confrontos e as imagens do uso da força por unidades de segurança do Estado, como a Guarda Civil. Estas imagens passeariam pelo mundo como agressões incompreensíveis e anti-democráticas. Além disso, possibilitaria a realização de um referendo que escapou a todos os mecanismos de vigilância legal e cujo resultado seria facilmente fabricado como arma propagandística.
  
  Como referia Rui Ramos no dia 29 de Setembro no seu artigo Venezuelização da Catalunha publicado no jornal on-line Observador: “A crise catalã começou com as habilidades à António Costa de políticos falhados. Foi assim que a extrema-esquerda se tornou no árbitro da política catalã, e o separatismo a agenda do governo local.
  
  Para começar, não há um problema entre a Catalunha e a Espanha. Há um problema de políticos falhados que, em risco de perder o seu poder na Catalunha, onde não têm a maioria, recorrem ao mais velho de todos os truques: uma guerra de independência contra o governo de Madrid. (...)
O problema da Catalunha não é diplomático. É político: este independentismo oportunista de políticos fracassados está a corroer o Estado de direito, a substituir o debate pela intimidação, o compromisso pelo ódio, os procedimentos regulares pelo golpismo, o voto pela rua, a lei pelo arbítrio.”

  Ora, nessa matéria, a esquerda radical – de simpatias chavistas – é mestra; agitação, ilegalidade, assalto às instituições, tudo em nome de um “aprofundamento da democracia”. E, misteriosamente, o governo de Mariano Rajoy permitiu que a situação chegasse a seu extremo, sem ter tomado as medidas legais e constitucionais que inabilitariam os sediciosos da Catalunha.

   Anteontem a ponderada mas firme intervenção do Rei Felipe VI denunciou o comportamento de determinadas autoridades da Catalunha que descumpriram a Constituição e o seu Estatuto de autonomia de uma maneira reiterada, consciente e deliberada. “Com as suas decisões – afirmou o Monarca – vulneraram de maneira sistemática as normas aprovadas legal e legitimamente, demonstrando deslealdade inadmissível aos poderes do Estados”.
Acusou ainda essas autoridades de terem debilitado a harmonia e convivência da própria sociedade catalã, chegando desgraçadamente a dividi-la. “Hoje a sociedade catalã está fracturada e enfrentada”, acrescentou.
  
  Estendendo a mão aos catalães, o Rei soube exercer o factor de unidade que cabe à Coroa, impedindo as investidas das correntes minoritárias a quem só interessa o caos para “pescar em águas turvas”.

  Também por cá as geringonças reféns da esquerda radical de diversos matizes podem dar-nos surpresas.

12 de março de 2016

A posse do XX Presidente da República e o 26º Congresso do CDS-PP

  

Posse do XX Presidente da República

   Esta semana, há dois factos importantes ao nível da política nacional que merecem a minha análise. Por um lado, temos a posse do XX Presidente da República. Por outro, o 26.º Congresso do CDS-PP que terá lugar nos próximos dias 12 e 13.

   A posse do Professor Marcelo Rebelo de Sousa como Presidente da República é, sem sombra de dúvidas, o facto mais importante da semana. O recém-empossado Chefe de Estado vem inaugurar uma nova forma de desempenho das funções do mais alto cargo da Nação, numa Presidência que, segundo palavras suas no dia da eleição, será uma “presidência dos afectos”.

  A tomada de posse do XX Presidente da República ficou assinalada por uma série de actos simbólicos, tanto no Parlamento como fora dele.

  Dado o interesse de que tais actos se revestiram, irei analisá-los de forma pormenorizada numa próxima crónica.

  Quero, no entanto, realçar desde já, a atitude claramente antidemocrática e de desrespeito pela mais alta instituição do Estado, a Presidência da República, protagonizada pelos partidos da esquerda radical, BE e PCP que, no Parlamento, a casa da democracia, e alegadamente em representação do povo, não aplaudiram a investidura de Marcelo Rebelo de Sousa como novo Chefe de Estado.

   Tal atitude revela, em minha opinião, a ideia que as lideranças e os deputados desses partidos têm das instituições do Estado. Ou seja, as instituições do Estado servem-lhes apenas, se estiverem de acordo com a sua agenda ideológica. Por outras palavras, para estes dois partidos, o Estado e as suas instituições são, única e exclusivamente, um trampolim para tentarem impor ao país e à sociedade portuguesa a sua agenda ideológica radical, a reboque de um governo liderado actualmente pelo Partido Socialista, um partido sem legitimidade política para governar, ainda que essa agenda contrarie a vontade livremente expressa nas urnas pela maioria do povo português.


  26.º Congresso do CDS-PP

    O Congresso que terá lugar durante o próximo fim-de-semana reveste-se de especial importância, uma vez que irá marcar o fim de um longo período de liderança de Paulo Portas que teve altos e baixos.
 
   Vai marcar também o início de uma nova liderança do CDS-PP que parece estar assegurada por Assunção Cristas, com a moção que irá apresentar ao Congresso, a menos que algo de inesperado venha a ocorrer na reunião magna dos centristas.

   Entre as várias moções a apresentar ao Congresso, quero destacar a moção 3 M que se divide em três partes – Parte 1. Memória, Parte 2. Mudança e Parte 3. Maioria. É primeiro signatário desta moção o Dr. Filipe Anacoreta Correia.
 
  A terminar, passo a ler alguns excertos retirados da mesma.

  Memória: “No CDS, será o tempo de afirmação de uma nova liderança. (...) O tempo das pessoas e das equipas, mais do que dos seguidismos e quaisquer outros “ismos”. O tempo das propostas sólidas, da consistência das ideias, da coerência dos valores e dos princípios.”

  Mudança: O nosso desígnio consiste em conciliar a urgência do reformismo e de combate a um socialismo impregnado, mas falido, com uma visão de crescimento económico e social sustentados, de promoção do mérito e da justiça e de combate à pobreza. (... ) Quando, depois de nós, vemos tamanho disparate e distrate, é natural que não queiramos perder muito tempo a olhar para trás em contrições estéreis.

  Maioria: Não concordamos com aqueles que acham que teremos os votos dos portugueses se formos apenas o melhor partido do centro-direita, num posicionamento demasiado ao centro e sem grande rasgo político. (...) Temos, pois, de travar um duro debate contra o populismo, diante daqueles que dizem mover-se por solidariedade, mas que, com as suas promessas vãs e inconsistentes, apenas deixam os portugueses solitários, ameaçados e vulneráveis diante de uma mais que provável crise financeira.”

   Até para a semana.

24 de janeiro de 2016

ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS: Perante a actual deriva político-ideológica imposta ao País, silêncio ensurdecedor dos candidatos a PR.

Fonte: Público


A poucos dias das presidenciais, o ambiente político do País está cada vez mais cercado de incógnitas.

A campanha para as próximas eleições – sobre as quais prefiro falar aqui após os resultados de Domingo – tem evidenciado o vazio do debate político-ideológico que impera na cena pública.

A própria morte de Almeida Santos, constituiu um ingrediente simbólico das incertezas que rondam o nosso futuro político. O Partido Socialista e António Costa manifestaram "profunda consternação e choque" com a morte de seu presidente honorário.

O clima político continua marcado pela manobra que levou o Partido derrotado nas eleições a assumir o governo do País, naquilo que alguns não hesitam em considerar um assalto ao poder e uma violação ao sentido democrático da expressão das urnas.

Mas o assalto ao poder prossegue agora com o assalto ao aparelho do Estado. Começam a verificar-se demissões em massa, num estilo de “saneamento” político de triste memória; o governo rompe contratos assinados, favorecendo a insegurança jurídica.

Na Educação, assiste-se a uma rápida e assanhada demolição com inequívoco cunho ideológico, da reforma levada a cabo pelo anterior governo da coligação PSD-CDS.

Após quatro anos de esforços dos portugueses, o governo socialista investe contra diversos dos fundamentos económicos que retiraram o País da bancarrota em que o tinham afundado os governos de José Sócrates.

Operações como as que dizem respeito ao Banif e ao Novo Banco continuam envoltas em brumas e justificam temores de uma deriva na condução da política económica. Num artigo de opinião do Financial Times, o director da PIMCO alerta: “A nova administração portuguesa não é o primeiro governo a recorrer a confiscos de activos e medidas populistas. A Venezuela e a Argentina também pertencem a este clube”.

A Bolsa teve perdas consideráveis e o risco do país aumentou pelo ambiente negativo nos mercados a nível internacional em relação ao governo socialista e pela desconfiança dos investidores.

Economistas do Commerzbank, numa nota aos investidores, consideram que as políticas seguidas pelo Governo de António Costa podem "levar a uma subida da dívida e à diminuição da competitividade do País". Consideram que dois dos maiores sucessos do anterior Governo, a estabilização das finanças públicas e a melhoria da competitividade, estão em risco.

Por fim o PCP e o Bloco de Esquerda começam a ameaçar fazer cair o governo, evidenciando assim que o executivo de António Costa, na sanha de tomar o poder, tornou-se refém da esquerda radical e, por outro lado, que era totalmente instável o acordo anunciado à esquerda.

Qual será a postura do próximo Presidente da República perante este quadro de incertezas e derivas político-ideológicas?


3 de dezembro de 2015

O pedido de Impeachment de Dilma Roussef e a internacional socialista da corrupção


Fonte: Revista VEJA

As minhas atenções no Reparo de hoje voltam-se para o Brasil e para a imensa crise política que, nestes últimos dias, alcançou uma gravidade extrema naquele país, suscitando o interesse de milhares de portugueses que acompanham de perto a política brasileira.


Essa crise reflecte as dificuldades da esquerda na América Latina e poderá ter consequências em Portugal, já que se traduziu em manifestações que levaram milhões de brasileiros às ruas, em centenas de cidades, para protestar contra a esquerdização do País.

          O ex-Presidente Lula da Silva e o seu Partido dos Trabalhadores foram apresentados durante muito tempo como verdadeiros ícones da esquerda. De uma esquerda ética e preocupada com os pobres. Aliado e grande defensor da revolução bolivariana de Hugo Chávez, Lula fazia parte dos chefes de Estado sul-americanos alinhados com o Socialismo do século XXI. Essa situação prolongou-se nos governos da actual Presidente Dilma Rousseff, uma herdeira política e protegida do ex-Presidente.

          Mas, como costuma acontecer com as aventuras de esquerda, o populismo demagógico de um Estado cada vez mais “assistencialista” e de uma economia cada vez mais sobrecarregada de impostos e mais estatizada, conduziram o Brasil a uma grave crise económica. Economistas de renome referem, apresentando dados, que o Brasil está no caminho da depressão económica.

          Entretanto, o factor mais grave na crise política brasileira foi a imensa e avassaladora máquina de corrupção montada pelo Partido dos Trabalhadores, sob as presidências de Lula e Dilma, em diversas frentes do Estado. Os tribunais têm apontado, nos julgamentos já realizados, que essa máquina se destinava a financiar a perpetuação de um projecto autoritário e ideológico de poder.

Há dias um dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão oficial, afirmava que o Brasil está a ser governado por uma verdadeira organização criminosa. É bom relembrar que diversos dos mais altos dirigentes do Partido dos Trabalhadores estão presos e que alguns delatores declararam à Justiça que as milionárias máquinas de corrupção irrigaram ilegalmente os cofres das campanhas presidenciais de Lula e Dilma, bem como do Partido dos Trabalhadores.

          Ontem, o Presidente da Câmara dos Deputados, decidiu acolher um dos pedidos de Impeachment, ou seja, de destituição da Presidente Dilma Rousseff, abrindo-se assim uma nova fase de instabilidade política.

           Há uma semana tudo parecia encaminhar-se para a estabilização da crise e para o afastamento da perspectiva do Impeachment, o que foi celebrado publicamente por Lula. Mas a revelação de uma gravação em que um Senador, líder do governo no Senado, íntimo de Dilma e Lula, tramava a fuga do País de um dos principais delatores dos crimes de corrupção, envolvendo a Presidente e o ex-Presidente, e prometia um conluio com diversos ministros do Supremo Tribunal Federal para anular toda a operação da Justiça, conhecida como Lava-Jato, causou um terramoto no mundo político. Num facto inédito na história da República brasileira, um Senador foi preso no exercício do mandato. E as investigações aproximaram-se muito da pessoa de Lula da Silva.

           A possibilidade de Impeachment da Presidente Dilma Rousseff, a derrocada do Partido dos Trabalhadores e da denúncia do ex-Presidente Lula e de pessoas muito próximas, além de ter um potencial devastador na cena política brasileira, pode também ter fortes repercussões no mundo político português.

           Segundo órgãos de imprensa brasileira, diversos dos esquemas corruptos que envolvem o Partido dos Trabalhadores e o seu chefe máximo, Lula da Silva, estendem-se além-fronteiras e mantêm fortes vínculos com esquemas investigados actualmente em Portugal e que levaram à prisão preventiva do ex-Primeiro Ministro José Sócrates.

Há já quem fale de uma verdadeira internacional socialista da corrupção.

A ver vamos!




26 de novembro de 2015

O GOVERNO ILEGÍTIMO DE ANTÓNIO COSTA E A FACE AUTORITÁRIA DO PARTIDO SOCIALISTA



Ao sentar-me para escrever mais um Reparo do Dia não foi fácil saber por onde começar, de tal forma têm sido conturbados os acontecimentos internacionais, em especial na Europa, bem como os cenários da nossa política interna.

França, Bélgica e Alemanha estão neste momento no coração de uma tempestade, o terrorismo islâmico, que, em breve, poderá arremeter também contra as nossas cidades e pôr em causa a nossa segurança, alterando inevitavelmente o estilo de vida que conhecemos nas sociedades ocidentais.

A guerra da Síria vai gerando crispações e eventos militares, como o que envolveu há dias a Turquia e a Rússia, podendo a qualquer momento desencadear um conflito mais grave.

Em Portugal, o tumulto político arquitectado e desencadeado pelo derrotado Partido Socialista – inspirado na sua “face oculta” – faz-nos voltar ao ambiente de instabilidade política e de ambições autoritárias do PREC, ou ao jacobinismo político da Primeira República, liderada por um outro Costa, Afonso Costa.

Nas últimas semanas tive oportunidade de abordar empresários, pequenos comerciantes e simples cidadãos que votaram na coligação Portugal à Frente e questioná-los sobre a anormal reviravolta política que se operou no último mês em Portugal, perguntando-lhes para que tinha servido o seu voto.

A resposta foi invariavelmente a mesma: “O meu voto não serviu para nada.”

Afinal constata-se que as tão sagradas regras da democracia representativa e, sobretudo, o tão exaltado direito de voto apregoado aos quatro ventos pelos socialistas como, a voz do povo soberano, foi rudemente amesquinhado pelos auto-intitulados “pais da democracia” que desde Abril de 1974 se consideram os donos e pais fundadores da democracia em Portugal.

O grande derrotado, o Partido Socialista, vai assumir hoje o governo de Portugal de forma politicamente ilegítima contra a vontade expressa da maioria do eleitorado, que a 4 de Outubro escolheu a continuidade, num clima de paz social e de serenidade política. E isto ocorre com o aval de quem foi escolhido para ser o garante da Constituição e das instituições do Estado.

Há algo de podre no Reino da Dinamarca!

A democracia não pode ser reduzida apenas a números! Deve primar pela ética e pela interpretação do sentido de uma consulta eleitoral.

Como afirmava Francisco Sá Carneiro, “A política sem ética é uma vergonha”.

Será que os portugueses quiseram dar a direcção do País ao Partido Socialista? Mais ainda, será que os portugueses quiseram entregar o governo do País a uma base política integrada por estalinistas ferrenhos, que apoiam ditaduras como as de Cuba e da Coreia do Norte, ou a trotskistas antidemocráticos? Quem não vê que estamos perante uma aberração e um atentado ao próprio regime democrático?

A manipulação da realidade eleitoral comandada por António Costa e pelo Partido Socialista, fez com que caísse de vez a máscara de um Partido que se afirmava respeitador da Democracia, das suas regras e das suas instituições.

Com a reviravolta política operada pelo Partido Socialista, é revelada aos portugueses a face autoritária deste partido, ou seja, dos que utilizam as regras do regime democrático e as suas instituições, precisamente, para destruir essa democracia e aparelhar o Estado em benefício dos seus projectos ideológicos.

Na América do Sul, tem-se vindo a assistir há mais de uma década a um processo semelhante, ou seja, o chamado Socialismo do Século XXI, ou bolivarianismo. Utilizando os mecanismos do Estado de Direito, regimes ditatoriais, como o da Venezuela, destruíram a pujança do tecido económico e os princípios da democracia. Nicolas Maduro declarou abertamente que, se perder as eleições, no início de Dezembro, não respeitará os resultados e manter-se-á no poder, se necessário, pela força das armas.

Um processo político semelhante de perversão das regras da democracia representativa parecer ter tido início em Portugal sob a liderança de António Costa, refém dos partidos da extrema-esquerda.


Os métodos do socialismo do século XXI, com o qual o Partido Socialista estreitou laços institucionais e outros, nem tanto, sobretudo no governo de José Sócrates, parecem começar a ganhar terreno em Portugal.

5 de novembro de 2015

AS ÁGUAS TURVAS DO ACTUAL REGIME E O PROJECTO SOCIALISTA DE ASSALTO AO PODER

   


   A expressão "pescar em águas turvas" indica a atitude de quem procura criar ou aproveitar-se de uma situação confusa para tirar proveito em benefício próprio. Na situação política actual, há gente mal-intencionada a querer “pescar em águas turvas”.

   Nos dias que antecederam as eleições de 4 de Outubro, o País foi assistindo ao crescimento, por toda a parte, de manifestações de rua animadas e cordatas em prol da coligação Portugal à Frente.
Eram pessoas de todas as idades e condições sociais que representavam um Portugal profundo, pacífico e desejoso de uma continuidade, sem aventuras, que permitisse um futuro com esperança, apesar das dificuldades enfrentadas nos últimos anos.

   Delineava-se, com clareza cada vez mais acentuada, a vitória da coligação, contra as máquinas publicitárias reinantes em boa parte da comunicação social, contra os agoiros de certos comentadores e analistas políticos, contra certas sondagens que, até pouco tempo antes, prenunciavam a sua derrota e não ousavam agora passar da constatação de um permanente “empate técnico”.
 
   Foi então que eclodiu nos meios políticos e jornalísticos portugueses um verdadeiro terrorismo político sem escrúpulos, revelador de uma articulação nos bastidores de forças que estavam dispostas a não reconhecer os resultados eleitorais e simultaneamente a forçar um volte-face na situação política portuguesa, contra tudo e contra todos. Começou a falar-se de um governo à esquerda e de uma coligação que duraria apenas até ao dia das eleições, etc.

   Chegou, por fim, a noite do dia 4 de Outubro e as urnas confirmaram a vitória inequívoca da Coligação Portugal à Frente. O Partido Socialista, conduzido por António Costa, era o grande derrotado da noite. Não conseguiu a maioria absoluta com que sonhava, não conseguiu vencer, nem sequer obteve um número de deputados superior ao PSD, considerado isoladamente. As caras de consternação nos meios socialistas, no quartel-general de campanha do PS, não deixavam dúvidas sobre a dimensão da derrota.
 
   Mas, curiosamente, quem naquela noite chegasse a Portugal, desconhecendo o que se passara, tinha a impressão que a Coligação Portugal à Frente era a grande derrotada das eleições. Com efeito, uma agenda mediática alinhada com a agenda socialista destacava os “triunfos” da esquerda… de tal forma que se ficava com a impressão que o eleitorado recusara massivamente a coligação governamental.
 
   Começava, então, a revelar-se uma trama: o assalto ao poder a qualquer custo, o desrespeito pelas normas do Estado de Direito democrático, o desrespeito pelos resultados eleitorais de um País que escolheu a continuidade política, sem novas aventuras. Os portugueses começavam a ver delinear-se no horizonte um governo de Leninistas, Estalinistas e Trotskistas, capitaneado pelo derrotado Partido Socialista. Até mesmo dentro do PS, certas vozes passaram a demonstrar a sua discordância para com a direcção do Partido, alinhado com os interesses da verdadeira “face oculta” desta trama: o ex-primeiro Ministro José Sócrates.
 
   Além de parecerem dispostas a levar de roldão um esforço de quatro anos que tirou Portugal da bancarrota a que tinha sido conduzido pelo Partido Socialista, essas forças mostravam agora a sua agressividade e crispação na tentativa de impor ao País uma grave agenda de temas fracturantes que de modo algum foi sufragada pelo eleitorado.

   E, por fim, no caso da censura prévia, solicitada pela defesa de José Sócrates para o grupo COFINA, proprietário do Correio da Manhã, através da interposição de uma providência cautelar, estava a determinação em amordaçar os meios de comunicação e, se possível, aparelhar o Estado para que não venha a ser apurada a verdade sobre a rede delituosa, montada durante os governos do Partido Socialista da era Sócrates que subjugava as instituições do Estado de Direito aos interesses de um projecto de poder.

   Curiosamente, por estes dias, vão sendo reveladas na imprensa nacional e estrangeira informações que aproximam de forma claríssima o imenso esquema de corrupção instaurado no Brasil, por Lula da Silva, em prol do projecto de poder autoritário do Partido dos Trabalhadores e o esquema corrupto no qual está envolvido o nome de José Sócrates e de outros dirigentes socialistas.

   Vale a pena recordar que, quando José Sócrates pretendeu voltar à vida pública com o lançamento do seu livro, convidou para apresentá-lo o ex-presidente do Brasil, Lula da Silva, numa viagem, toda ela, envolta em enormes polémicas e suspeitas.

   Fica no ar uma pergunta: Será que a agitação jacobina que está a abalar Portugal e que, para muitos, faz reviver momentos do PREC, quando a esquerda tentava implantar uma ditadura no País, tem a finalidade de impedir que boa parte do Partido Socialista e, talvez, de certa esquerda, bem como dos seus altos dirigentes, seja varrido da cena pública, envolto na lama da corrupção?

22 de outubro de 2015

A COLIGAÇÃO DE PERDEDORES E O SEQUESTRO DOS VOTOS DA COLIGAÇÃO PORTUGAL À FRENTE

 

APELO AO PRESIDENTE DA REPÚBLICA

   Impõe-se voltar ao tema aqui abordado nas duas últimas semanas, dada a indefinição política e a delicada situação que se está a viver em Portugal, cujas consequências são neste momento imprevisíveis.

   Através de uma hábil manobra de bastidores desencadeada pelos partidos da extrema-esquerda e com a cumplicidade do Partido Socialista, a sociedade portuguesa tem vindo a assistir nas duas últimas semanas à tentativa de imposição de uma frente de esquerda para a governação do país, no total desrespeito pelo voto de dois milhões e cem mil portugueses e ao arrepio do interesse nacional. O objectivo último da coligação de perdedores, constituída pelo PS, Bloco de Esquerda e PCP, é o de impedir que a coligação Portugal à Frente forme um Executivo. Ou seja, “...está em curso uma operação para sequestrar os votos da coligação”, como referia há dias o Dr. Paulo Portas.

   Alguns comentadores e analistas políticos têm afirmado nas últimas semanas que os partidos da extrema-esquerda portuguesa não representam actualmente o mesmo perigo que representavam em 1975, no que toca à aplicação das políticas que preconizam e que pretendem implementar, caso viessem a integrar o próximo Executivo. Ou seja, uma vez chegados ao poder e face à realidade da governação, Bloco de Esquerda e PCP acabariam por pôr de lado a sua agenda ideológica radical.

   Nada mais falso.

   Curiosamente e de forma sintomática Joana Mortágua, do Bloco de Esquerda, que, tenta ocultar dos portugueses o radicalismo da sua agenda ideológica e apresentar-se agora como respeitadora das regras da democracia representativa, afirmava, há menos de um ano, o seguinte: “A mesma fibra que temos hoje é a que tínhamos há 40 anos: a fibra dos revolucionários, dos que arriscam, dos que aprendem, dos que nunca esquecem onde têm as suas raízes, as mais profundas, as do pensamento.”

   O país aguarda com apreensão e expectativa a decisão do Chefe de Estado sobre a formação do próximo Executivo que poderá ter lugar ainda hoje.

   Preocupado e apreensivo com a actual situação de impasse político e face aos possíveis cenários que se perspectivam, decidi enviar há dois dias uma missiva ao Presidente da República. Não me sendo possível lê-la na íntegra, dada o reduzido espaço desta crónica, quero partilhar consigo alguns excertos da mesma.

   "Sr. Presidente, face à leitura dos resultados eleitorais, o sentimento geral de milhões de portugueses é o de que cabe à coligação Portugal à Frente formar governo, mesmo que esse governo venha a ser minoritário, à semelhança do que aconteceu com o governo minoritário liderado por V. Exa. em 1985.

   Senhor Presidente, quero transmitir-lhe a minha apreensão e preocupação ao considerar, como mera hipótese, a formação de um governo de uma frente de esquerda em Portugal, não só pela falta de legitimidade eleitoral de que um tal Executivo empossado por V. Exa. viria e enfermar, como também pelo que isso significaria em termos de retrocesso económico e social para Portugal.

   Assim, venho apelar a Vossa Excelência, como mais alto magistrado da Nação, que, no legítimo exercício do mandato que lhe foi conferido pelos portugueses e no respeito pela escolha livre e democrática dos mais de dois milhões de eleitores que deram a vitória nas urnas à coligação Portugal à Frente, não viabilize um Executivo minoritário PS com o apoio parlamentar das forças anti-sistema da extrema-esquerda.

   Esperando que esta missiva seja bem acolhida por Vossa Excelência, Senhor Presidente, fico a aguardar com expectativa e serenidade a decisão que irá tomar quanto à constituição do novo Executivo.
 
   Estou convicto que a decisão de Vossa Excelência, Senhor Presidente, irá respeitar a vontade expressa nas urnas pela maioria dos portugueses e terá em consideração os superiores interesses da Nação portuguesa bem como a voz e o prestígio de Portugal no concerto das nações."