25 de junho de 2015

OS SOCIALISTAS E A PARTILHA DE CONSULADOS E EMBAIXADAS ENTRE LISBOA E MADRID

Fonte: www.iratxegarcia.es 

ESTRATÉGIA ELEITORALISTA DE ANTÓNIO COSTA OU
 FALTA DE SENTIDO DE ESTADO DE UM CANDIDATO A PRIMEIRO-MINISTRO? 


   Na passada sexta-feira, dia 19, os líderes socialistas de Portugal e Espanha assinaram em Lisboa um documento pelo qual se comprometem, caso venham a ser chefes de governo nos respectivos países, a “estreitar de tal modo os laços” que muitas políticas passarão a ser definidas e implementadas em comum.

   Pedro Sánchez e António Costa comprometem-se a implementar: “um programa de reformas e políticas comuns para a promoção do desenvolvimento económico, social e de Cidadania Europeia”.
 
   Entre as diversas áreas abrangidas por políticas comuns de futuros governos liderados por socialistas em Lisboa e Madrid estão a cultura, o mercado Ibérico, a cooperação entre regiões transfronteiriças, os transportes e a política externa europeia.

   Relativamente à política externa, os dois líderes socialistas comprometem-se a partilhar consulados e embaixadas.

   É fácil concluir que a partilha de embaixadas e consulados entre Portugal e Espanha traria sobretudo vantagens para o país vizinho em termos comerciais, mas também do ponto de vista estratégico.
 
   Ou seja, Espanha passaria a beneficiar da situação privilegiada de muitos consulados e embaixadas portuguesas espalhadas pelo mundo, para dessa forma ir acentuando a sua posição estratégica em termos comerciais, e afirmando-se, em termos culturais, no espaço da lusofonia. Não podemos esquecer-nos do papel preponderante que desempenham as embaixadas de Portugal nos países africanos que formaram o antigo Império Ultramarino Português, em particular Angola, Moçambique e Guiné.
 
   Além disso, os interesses estratégicos de Portugal e Espanha são, desde há séculos, divergentes e por vezes antagónicos, em resultado de um conjunto de factores determinantes, como a evolução histórica, política, e cultural, sobretudo a partir da época dos Descobrimentos Portugueses.

   Segundo António Costa, a partilha de embaixadas e consulados traria vantagens para Portugal em termos de política externa.
 
   Confesso que fiquei atónito ao tomar conhecimento das propostas de António Costa sobre política externa.
 
   Em minha opinião, tais propostas, caso viessem um dia a tornar-se efectivas, seriam bem reveladoras da submissão dos interesses do Estado português em termos de política externa aos interesses do executivo de Madrid.
 
   Estará porventura o candidato do PS a primeiro-ministro a sugerir a reedição de uma União Ibérica no que toca à definição de uma política externa conjunta para Espanha e Portugal, a ser implementada pelos governos de Lisboa e Madrid?
 
   Se assim for, António Costa, revela uma submissão aos interesses estratégicos de Madrid e simultaneamente uma total ausência de sentido de Estado. Por conseguinte, parece-me não ter condições de algum dia vir a ocupar o cargo de primeiro-ministro de Portugal.
 
 


18 de junho de 2015

ESPANHA - AGENDA RADICAL ESCONDIDA DO 

"PODEMOS" NA GALIZA?   



Oferenda das sete cidades do Antigo Reino da Galiza ao Santíssimo Sacramento
Fonte: www.turgalicia.es
   
   Muito perto de nós, na vizinha Galiza, existe uma tradição multissecular celebrada anualmente na cidade de Lugo. É a Oferenda ao Santíssimo Sacramento das sete cidades que constituíam o Antigo Reino da Galiza: Lugo, A Coruña, Santiago de Compostela, Ourense, Mondoñedo, Betanzos e Tui. Trata-se do único acto público relativo ao Antigo Reino da Galiza que perdura há séculos na tradição cultural e religiosa do povo galego.

   No entanto, a legitimidade desta tradição foi recentemente posta em causa pelos Presidentes de Câmara de Santiago de Compostela, La Coruña e Ferrol, eleitos pelas listas do PODEMOS ou de plataformas políticas da área ideológica do PODEMOS.

   Usando o argumento da ‘laicidade’ do Estado os referidos Presidentes de Câmara recusaram-se a participar no acto público da Oferenda das Setes Cidades ao Santíssimo Sacramento.
 
   Tal atitude provocou de imediato um aceso debate na sociedade galega e originou a publicação de uma carta dos Bispos da Província Eclesiástica de Santiago em resposta ao desprezo público dos referidos Presidentes de Câmara pela tradição da Oferenda das Sete Cidades.

   Nessa carta, os bispos galegos referem: “A ‘laicidade’ do Estado respeita e promove a variedade de convicções existentes na sociedade. Esta, por definição, nunca será ‘laica’, visto que as pessoas não podem ser neutras e privadas de uma forma de visão do mundo, de terem um credo, convicções ideológicas ou religiosas.

   Por outras palavras, as instituições do Estado que não professem uma fé específica, têm de reconhecer, por sua vez, que estão ao serviço de uma sociedade que professa sempre uma fé.” E pode ler-se mais à frente: “A ‘laicidade’ do Estado seria destruída, no entanto, se se tentasse fazer das instituições políticas instrumento para a imposição da própria ideologia ou religião à sociedade e ao povo que se deve servir.”

   Equivale isto a dizer, que um representante político eleito quando participa de um evento público não o faz para expressar as suas convicções ideológicas pessoais, mas sim no exercício da sua função pública específica. Afirmam ainda os prelados galegos que “não compete ao Estado excluir os cristãos e as suas celebrações do âmbito público e reduzi-las à esfera privada”. Compete-lhe, isso sim, apoiá-las, sobretudo quando se referem a actos “com raízes muito profundas na sua história.”

   Porquê então o desprezo tão ostensivo dos Presidentes de Câmara de Santiago de Compostela, La Coruña e Ferrol por esta tradição multissecular tão arreigada no povo galego?
 
   Terão os representantes eleitos pelo PODEMOS, na Galiza e em outras regiões de Espanha, uma agenda radical escondida, com o objectivo de ir fazendo definhar na sociedade espanhola o sentimento de adesão às profundas tradições religiosas católicas, para, em seu lugar, ir impondo novos cerimoniais imbuídos do espírito de um laicismo militante, e dessa forma impor uma religião e uma ideologia de Estado?

   Pense nisto, caro ouvinte.


5 de junho de 2015

"O ISLÃO E O OCIDENTE - A GRANDE DISCÓRDIA"
   
Fonte: wook.pt
   
  Caro ouvinte, hoje venho falar-lhe de um livro. Trata-se to último trabalho publicado recentemente por Jaime Nogueira Pinto, O Islão e o OcidenteA grande discórdia - um dos títulos em destaque na 85ª Feira do Livro de Lisboa que decorre até dia 14 de Junho.

   No primeiro capítulo - Em nome da Alá o Misericordioso - Jaime Nogueira Pinto começa por fazer-nos um relato detalhado do contexto em que ocorreu a execução do jornalista norte-americano James Foley por membros do Estado Islâmico, afirmando: “Quem são os autores desta desalmada violência? Em que acreditam? Alguém os comanda? Quem? O que os leva a esta orgia de sangue e exibicionismo, a lembrar crónicas concentracionárias, cenas da Antiguidade, limites da perversidade humana?”

   De seguida, o autor transporta-nos até às origens do Islão e aos seus fundadores, à Espanha Muçulmana, às Cruzadas e ao Reino de Jerusalém.

   Ao longo da obra, Jaime Nogueira Pinto, vai apresentando ao leitor as relações entre o Islão e o Ocidente, as divisões dentro do Islão e os “perigos e os encantos da ocidentalização”.

   Aborda também, entre muitos outros temas, a questão do Nacionalismo Árabe, a nova ordem no Médio Oriente, a radicalização da Palestina e as Primaveras Árabes.

   No penúltimo capítulo - A Frente Laica da Guerra Santa - o autor começa por fazer um relato minucioso dos recentes e bárbaros atentados de Paris, a 7 de Janeiro deste ano, na sede do jornal satírico Charlie Hebdo, facto que, segundo as suas palavras: “...moveu e comoveu mais os europeus do que a chacina das crianças e jovens do Colégio Militar de Peshawar, do que as mulheres escravizadas ou massacradas pelo Boko Harém na Nigéria, do que os egípcios coptas decapitados ritualmente, do que os cristãos crucificados às centenas no Iraque e na Síria”.

   Apresenta-nos depois de forma detalhada a distribuição dos muçulmanos a nível mundial, e a convivência dos mesmos com as culturas laicas dos países ocidentais, dando especial destaque à França, a “pátria do laicismo militante”, onde desde 2004 foi proibida a ostentação de símbolos religiosos nas escolas.

   Sugiro-lhe, pois, a leitura desta obra, essencial para perceber os avanços e recuos do mundo islâmico e a sua convivência com o Ocidente ao longo dos séculos.

   Boa leitura.

28 de maio de 2015

"SONHO" E "MUDANÇA" PELA VIA DO HOMICÍDIO

   

Fonte: tvi24.iol.pt

   No Jornal das 8 da TVI, da passada quinta-feira, dia 21, emitido a partir das instalações do novo Museu Nacional dos Coches, que seria inaugurado dois dias depois, o tema de fundo foi a inauguração deste novo espaço museológico.

   No início desse telejornal, o pivô José Alberto Carvalho optou por dar destaque especial, entre as muitas peças transferidas para as novas instalações do Museu dos Coches, ao Landau Real.

   Foi também junto do Landau Real em que seguiam, a 1 de Fevereiro de 1908, Sua Majestade El-Rei Dom Carlos I, a Rainha Dona Amélia, o Príncipe Real Dom Luís Filipe e o Infante Dom Manuel, os quais foram alvo de um cobarde atentado perpetrado por Manuel Buíça, no Terreiro do Paço, que José Alberto Carvalho optou por terminar o Jornal das 8, tendo na ocasião lido excertos do testamento de Manuel Buíça, um dos regicidas.

   Causou-me enorme apreensão constatar que José Alberto Carvalho tivesse lido um texto que incita ao uso da violência. Como referia a propósito deste episódio, Henrique Raposo na sua crónica de dia 26 no Expresso on-line: “O final deste telejornal especial funcionou como uma legitimação do assassínio enquanto arma política.”

   Embora José Alberto Carvalho se tenha referido ao crime perpetrado por Manuel Buíça como “homicídio” e “assassínio”, afirmou: “está sempre tudo por dizer em relação ao sonho e à mudança” dando provavelmente aos telespectadores a ideia de que certos meios poderão ser legítimos para atingir determinados fins, tal como teria sido justo, aceitável ou até mesmo heróico e abnegado o uso da violência para impor um regime - a República - que tem no seu código genético a ilegitimidade, uma vez que El-Rei Dom Carlos era o Chefe de Estado no exercício do poder, conforme a Constituição vigente.

   Para concluir, recordo aqui as palavras de Francisco Sousa Tavares a propósito do Regicídio:       "O sangue inutilmente derramado por D. Carlos e D. Luís Filipe pesa sobre nós como herança macabra…Vingaremos o sangue de El-Rei D. Carlos no dia em que soubermos, pelos caminhos perdidos da Tradição, reencontrar a alma do povo e a face da Pátria".

   Talvez esse reencontro fosse mais adequado “ao sonho e à mudança” que queremos para Portugal, sem recurso à violência, ao assassinato e à revolução


10 de outubro de 2013

O estranho e desconcertante silenciamento dos media à "Caminhada pela Vida"

 Fonte: Agência Ecclesia
  No passado dia 5, a Federação Portuguesa pela Vida promoveu pelo quarto ano consecutivo a “Caminhada pela Vida” que reuniu em Lisboa milhares de pessoas, num percurso entre o Marquês de Pombal e o Rossio, como o atestam centenas de fotografias que têm sido publicadas em blogues e nas redes sociais.

   Este ano, o tema da “Caminhada pela Vida” foi uma iniciativa de cidadãos materializada na petição europeia One of Us - Um de Nós que tem por objectivo obter mais de um milhão de assinaturas para que seja assegurada "protecção jurídica da dignidade, do direito à vida e da integridade de cada ser humano desde a concepção nas áreas de competência da União Europeia nas quais tal protecção se afigure relevante".

   A Iniciativa de Cidadãos é um instrumento legislativo da União Europeia aprovado pelo Tratado de Lisboa que visa aproximar mais os cidadãos das instituições europeias.

   Tal como pode ler-se no site da Federação Portuguesa pela Vida, esta iniciativa da sociedade civil empreendida por cidadãos de Portugal, Espanha, França, Reino Unido, Alemanha, Hungria e de outros estados-membros da União Europeia, e que conta com o apoio de diversas personalidades e organizações dos 27 Estados-membros, visa concretamente pedir aos legisladores europeus para consagrarem os seguintes princípios:

  1- A inclusão do princípio pelo qual "não poderá ser aprovado o financiamento de actividades que destruam embriões humanos ou que pressuponham a sua destruição".

  2- A modificação dos “princípios éticos” em matéria de investigação que regem o Programa Quadro de Investigação e Inovação da UE (2014-2020) “Horizonte 2020”.

  3- A alteração dos objectivos do Instrumento de Financiamento da cooperação ao Desenvolvimento em países externos à UE, garantindo que a ajuda comunitária tenha em conta o respeito pela vida do embrião.

  A propósito do tema de hoje, quero destacar ainda um facto que me parece inexplicável e simultaneamente preocupante.

  Refiro-me ao incompreensível e desconcertante silêncio da grande maioria dos meios de comunicação social de referência, nomeadamente os canais de televisão e os jornais diários que, de forma ostensiva, decidiram não noticiar um evento que congregou nas principais artérias de Lisboa milhares de portugueses na defesa dos valores da Vida e da Família.

  Perante uma tão escandalosa atitude por parte dos media de referência, facto que tem sido duramente criticado nas redes sociais nos últimos dias, até mesmo por alguns jornalistas, penso que é oportuno questionarmo-nos sobre o porquê de tamanho silenciamento.

  Na minha opinião, o silenciamento dos media relativamente a esta "Caminhada pela Vida", ao não a noticiarem, parece ter uma explicação óbvia.

  Ou seja, fica-se com a ideia de que os referidos meios de comunicação social têm uma agenda ideológica, atitude em tudo contrária aos princípios que devem nortear a actividade jornalística, ou seja, a isenção e a independência.

  Ao invés de noticiarem um evento que congregou milhares de pessoas na capital e que, portanto, deveria ter sido notícia, preferiram silenciar ostensivamente uma manifestação da sociedade civil.

  Pode assim deduzir-se que tais meios de comunicação social estão de algum modo a exercer um certo tipo de censura assente única e exclusivamente em preconceitos ideológicos, facto que por si só deve deixar-nos preocupados, uma vez que vivemos formalmente numa Democracia e num Estado de direito.

4 de julho de 2013

A solução da crise política na coligação e a necessidade de antepor os interesses nacionais aos calculismos políticos e partidários

Fonte: tvi.iol.pt 
De há alguns anos a esta parte, tem-se vindo a registar um sentimento de crescente distanciamento de amplos sectores da sociedade portuguesa relativamente à classe política, facto que se tem reflectido no aumento progressivo dos valores da abstenção em actos eleitorais.
Com efeito, o fosso que separa os eleitores daqueles que elegeram para os representar vai sendo cada vez maior, acabando por gerar um sentimento de desconfiança e descrença generalizadas dos cidadãos relativamente à política e aos políticos.
Tal como referi este ano no Discurso pelo Grupo Parlamentar do CDS-PP na Sessão extraordinária da Assembleia Municipal de Vila Real, no dia 25 de Abril, essa atitude embora não sendo desejável, é totalmente compreensível, visto que em muitas ocasiões os cidadãos não se sentem devidamente representados.
Um tal fenómeno, transversal a todo o espectro político, deveria ser objecto de uma séria e profunda reflexão da classe política portuguesa no seu todo, com particular destaque para as estruturas partidárias e respectivas lideranças.
Frequentemente, os portugueses assistem atónitos a episódios de pequena política, a jogadas de bastidores e a guerras partidárias que em nada contribuem para a paz social e para o progresso económico de Portugal. Em muitas ocasiões, esses episódios resumem-se a atitudes de mero calculismo político dos líderes partidários, factos que a opinião pública vai percepcionando cada vez mais como negativos para o país, uma vez que os jogos e interesses partidários, regra geral, prevalecem sobre o interesse nacional, quando deveria ser exactamente o contrário.
A recente crise política, desencadeada com a demissão do Ministro de Estado e das Finanças Vítor Gaspar, e agravada com o inesperado pedido de demissão do também Ministro de Estado e Ministro dos Negócios Estrangeiros, Dr. Paulo Portas, não está a ser bem acolhida pela sociedade portuguesa nem pelas instâncias internacionais responsáveis pelo programa de assistência financeira a Portugal.
Após dois anos de intensos sacrifícios que têm sido pedidos aos portugueses pelo Executivo PSD-CDS-PP e a que os portugueses têm dado uma resposta positiva, por acreditarem que esses sacrifícios são necessários para ajudar a tirar o país do caos financeiro herdado da gestão irresponsável dos Executivos socialistas, nada faria antever que o Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, cuja actuação tem sido determinante e decisiva na diplomacia económica do actual governo de coligação, viesse agora pedir a sua demissão ao Primeiro-Ministro, aparentemente, por divergências políticas relativamente à condução da Dra. Maria Luís Albuquerque como sucessora de Vítor Gaspar na pasta das Finanças.  
A atitude, a meu ver, precipitada do pedido de demissão do Dr. Paulo Portas, desencadeou de imediato um sentimento de desconfiança nos credores internacionais, fazendo disparar os juros da dívida e provocando enormes perdas nas empresas cotadas no PSI-20.
Tal como afirmava ontem à imprensa Filipe Anacoreta Correia: "Esta decisão do doutor Paulo Portas é uma decisão irreflectida, incoerente e totalmente irresponsável” (…) Acho que nós temos que fazer todo o esforço para pôr o país acima do partido e as circunstâncias pessoais de cada um subordinadas ao interesse do partido e ao interesse do país. Foi assim que o doutor Paulo Portas sempre afirmou que faria e é isso que nesta altura nós temos também que fazer". Recordo que Filipe Anacoreta Correia é o primeiro subscritor da Moção “Alternativa e Responsabilidade” a apresentar ao XXV Congresso do CDS-PP que terá lugar nos próximos dias 6 e 7 na Póvoa de Varzim.
A acrescer à recente crise política no seio da coligação no Governo, os portugueses assistem ao líder do Partido Socialista, numa atitude totalmente irresponsável e de calculismo político, a apelar à realização de eleições legislativas antecipadas, sabendo ele que uma tal solução pode conduzir Portugal a uma situação idêntica à da Grécia.
Desenganem-se pois aqueles que ainda acreditam nas palavras falaciosas do líder do PS que, à falta de ideias concretas para o País, tenta iludir os portugueses com promessas vãs que, em resultado do programa de assistência externa, sabe que não poderá cumprir. 

Seria desejável que a crise política no seio da coligação no Governo fosse solucionada com a maior brevidade, de forma responsável e com elevado sentido de Estado, pelos responsáveis dos dois partidos da coligação, a bem dos superiores interesses de Portugal e de todos os portugueses.

29 de junho de 2013

XXV CONGRESSO DO CDS-PP - A hora de assumir uma responsabilidade Histórica e reafirmar com clareza os princípios da Democracia Cristã



   No dia 18 Paulo Portas apresentou à comunicação social a Moção global “Responsabilidade e Identidade”, com a qual irá apresentar-se ao XXV Congresso do CDS-PP nos próximos dias 6 e 7 de Julho na Póvoa de Varzim.
Uma segunda moção virada para as questões económicas, em particular, para os incentivos à economia, tem como primeiro subscritor António Pires de Lima. Segundo dava conta o Diário de Notícias no seu Editorial de dia 17, os alvos desta moção serão Vítor Gaspar e Álvaro Santos Pereira.
Uma terceira moção será apresentada pelos eurodeputados Diogo Feio e Nuno Melo, versando as questões europeias, moção em que a “mira estará apontada à troika” ainda segundo o referido editorial do Diário de Notícias.
De algum modo, estas três moções complementam-se, abordando cada uma aspectos diversos de uma estratégia global para a reeleição de Paulo Portas como líder do CDS-PP.
Há ainda uma quarta moção intitulada “CDS Mais à Frente” que tem como primeiro subscritor Filipe Anacoreta Correia e que foi apresentada no dia 17 à comunicação social.
Filipe Anacoreta Correia lidera a tendência Alternativa e Responsabilidade dentro do CDS-PP.
Entre os vários pontos abordados na referida moção está o tema da natalidade que, inexplicavelmente, parece ter sido omitido nas restantes moções.
 Numa época em que, no nosso País, a natalidade atingiu um dos níveis mais baixos de sempre, pode, de algum modo, estar a ser posta em causa a médio e a longo prazo a continuidade de Portugal como Nação, caso não ocorra uma inversão rápida da tendência de diminuição da natalidade que hoje se verifica.
É pois crucial que este assunto seja debatido com total frontalidade durante os trabalhos do Congresso e que da discussão do mesmo se tirem as devidas ilações.
Em minha opinião, o Congresso deverá fazer aprovar propostas de incentivo imediato ao aumento da natalidade a serem posteriormente apresentadas, no mais breve prazo, ao Executivo PSD-CDS-PP e à maioria Parlamentar que sustenta o Executivo.
Outro ponto da referida moção que aqui quero relevar e que considero de capital importância diz respeito às chamadas questões fracturantes ou civilizacionais, mais concretamente à recente aprovação no Parlamento, no passado mês de Maio, da lei da co-adopção de crianças por pseudo-casais homossexuais.
Como referi no reparo de 23 de Maio é desconcertante verificar que a abstenção de três deputados do CDS-PP, a saber: João Rebelo, Teresa Caeiro e Michael Seufert tenha contribuído para a aprovação do referido projecto-lei na generalidade.
Tal como refere a moção CDS Mais à Frente: “Renunciámos a qualquer iniciativa na agenda civilizacional e quando confrontados com iniciativas de outros partidos, quebrámos com a tradição de falar a uma só voz, sem que isso tenha sido precedido de qualquer debate”.
Recordo ainda o comentário oportuno de Pedro Pestana Bastos, da tendência Alternativa e Responsabilidade, publicado na sua página no Facebook em 17 de Maio: “Portugal foi o primeiro país do mundo que aprovou a adopção por duas pessoas do mesmo sexo quando no Parlamento há uma maioria de centro direita. Enquanto em Franca a Direita levou centenas de milhares de pessoas para a rua, em Portugal a Direita não travou um projecto que passa a permitir a adopção por duas pessoas do mesmo sexo.”
Os militantes do CDS-PP, mas sobretudo os eleitores que votaram de forma expressiva no CDS nas Legislativas de 2011, esperam certamente que no próximo Congresso na Póvoa de Varzim, o Partido, fiel às suas origens, assuma a sua responsabilidade histórica.
E que, de forma inequívoca, reafirme também aquilo que esteve na sua génese, ou seja, a defesa autêntica dos princípios democratas-cristãos e a condenação clara e frontal de todas as doutrinas socialistas que, não raras vezes, são impostas à sociedade, mediante a utilização de uma linguagem talismânica que visa induzir alguns inocentes úteis a acreditar nelas. 

28 de junho de 2013

Protestos no Brasil: O que a imprensa omitiu!

  

  As recentes manifestações de rua em grandes, médias e pequenas cidades do Brasil têm suscitado muitos comentários e análises nos nossos meios de comunicação. Análises, diga-se de passagem, em boa medida simplistas, quando não distorcidas.

  “O Brasil é um país intenso e, quando você pensa que começou a entender, surpresas maiores aparecem”, escreveu a respeito das manifestações Miriam Leitão, uma das mais conhecidas jornalistas brasileiras, na sua coluna no jornal O Globo.

  O aumento do preço dos bilhetes e títulos de transporte de autocarro em algumas cidades foi o detonador dos protestos levados a cabo por grupos minoritários e radicais, com origens nos Fóruns Sociais Mundiais, e ligados a partidos de extrema-esquerda. Sem apoio popular, esses protestos rapidamente degeneraram em actos de violência e confrontos com a polícia.

  Com o início da Taça das Confederações deu-se uma inflexão nos protestos de rua. A Presidente Dilma Rousseff foi fortemente vaiada durante a cerimónia de abertura e a partir de então centenas de milhares de pessoas começaram a sair às ruas, nas principais cidades e capitais brasileiras, com uma agenda bem diversa da agenda dos promotores dos protestos iniciais.

  Exigindo o fim da corrupção, a prisão dos membros do governo Lula já condenados pela Justiça, segurança e políticas de combate ao crime, a redução da maioridade penal e, nalguns casos, protestando contra o aborto, esses protestos revelaram um estado de indignação generalizada da população, mais especialmente da classe média, de tendência conservadora e totalmente avessa à agitação social.

  Sentindo-se fortemente condicionada pela enorme onda de protestos que rapidamente se propagou pelas principais cidades e capitais do Brasil, a Presidente Dilma Rousseff acabou por reagir com o que foi qualificado por uma guinada à esquerda. Dilma abalou os meios políticos ao extravasar as suas prerrogativas e propor a realização de um plebiscito para a convocação de uma Constituinte específica, que consagrasse uma reforma política.

   A manobra, muito semelhante às que foram levadas a cabo pelos governos sul-americanos seguidores do “chavismo”, foi prontamente repudiada pela sociedade, pela oposição e pelos principais constitucionalistas do País. Um Ministro do Supremo Tribunal Federal chegou a afirmar: “o Brasil dormiu como se fosse a Alemanha, Itália, Espanha, ou Portugal em termos de estabilidade institucional e amanheceu parecido com a Bolívia ou a Venezuela; não é razoável ficar flirtando com uma doutrina constitucional bolivariana”, acrescentou ele.

  A presente instabilidade política no Brasil revela um descontentamento de amplas faixas da sociedade com o projecto de poder do PT, Partido dos Trabalhadores, iniciado com Lula da Silva e continuado pela sua sucessora no Palácio do Planalto, Dilma Roussef, e com os numerosos escândalos de corrupção e uma legislação de inspiração esquerdista, cada vez mais cerceadora do direito de propriedade, cada vez mais hostil à instituição familiar e, por isso mesmo, cada vez mais distante dos anseios da opinião pública brasileira.

  Ninguém aposta ainda como irá terminará a actual comoção política no Brasil. Mas, como afirmou a colunista do Globo, Miriam Leitão, no Brasil “surpresas maiores aparecem”.